Meu fofuxo,
Meu tufi-tufi , fico por aqui porque seu pai precisa
consolar o capitão-donatário Beto Richa e seus sesmeiros Francischini, Nelson Justus e Mauro Morais pela derrota eleitoral em nossa capitania guarapirocabana. Mas os que hoje gozam a nossa desgraça ou pensam que naufragamos com a nau lusitana, não perdem por esperar, porque reassumiremos o lugar que sempre foi nosso no trono da colônia capelista, pois ainda somos o esteio do seu povo.
Não lhe escrevi nos últimos meses porque seu pai e eu
estávamos envolvidos na campanha eleitoral. Deixamos de comer nosso caviar, nosso camarão
graúdo para investir numa candidatura que nos devolvesse a dignidade dos
tempos em que éramos os verdadeiros signatários do pensar e do saber do povo. Mas
infelizmente essa gente é ingrata, pois preferiu dar as costas para a nossa
coligação T.F.P.G. (Tradição, Família e Proprietários Grilheiros), a verdadeira depositária da fé dos carijós, faisqueiros e caiçaras.
Meu fofuxo, nós, os herdeiros
do príncipe da Beira e donatários dos sambaquis guarapirocabanos, ainda retornaremos ao poder e
em breve regataremos nossa dignidade dos tempos em que as sesmarias dessa linda mesorregião era uma província digna de se viver.
Mas meu fofuxo, eu não me sinto derrotada porque sei que um
dia desfilaremos pelas ruas da querida capitania empunhando nosso escudo com o
símbolo da cruz. Esse dia sei que vai chegar e então resgataremos nosso ouro e
prata para que possamos ostentá-los nos salões literários e nas peregrinações sobre o mármore do Palácio Iguaçu.
Meu tesouro, deixo pra você uma recordação da sua infância,
época em que fumar era bonito e dar o rabo era feio. Por falar em rabo, espero que você goste da lembrança do seu primeiro cocozinho feito no pinico rosa que eu comprei na loja do Kopchinski.
Fico por aqui, meu fofuxo, deixando meu abraço e amor
incondicional.
Da sua mãe que te ama tanto,
Mary Rose Mary Morais Richa Francischine de Orleans e
Bragança, a viscondessa do Limoeiro.














