"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



domingo, 15 de julho de 2012

O PONTO ZERO APOCALÍPTICO

O ponto de partida dessa postagem é provocar uma discussão sobre os motivos pelos quais  Antonina está entre as cidades menos desenvolvidas do litoral do Paraná. Não vou aqui entrar em meandros, devido à minha falta de profundidade em vários assuntos, mas não vou deixar de apontar algumas razões para a nossa decadência social, política e econômica.
O ponto zero poderia ser o desmantelamento do porto e o fim das Indústrias Matarazzo. Mas vou deixar essas questões de lado para focar numa situação mais recente e que, a meu ver, nos darão um panorama real sobre os problemas que jamais foram enfrentados.
É bem comum em Antonina muitos afirmarem que Leopoldino foi um bom prefeito, porque tentou implantar uma política desenvolvimentista na área industrial e turística. O fator mais importante da sua administração, sem dúvida, foi a instalação do terminal Ponta do Felix que até hoje mantém viva nossa tradição portuária. 
O que Leopoldino tentou com a criação do terminal foi dar a Antonina uma visão de futuro que provocasse uma ação continua para seu desenvolvimento econômico e social, através de uma política de trabalho e emprego. É fato que para isso seria preciso uma legislação de incentivos fiscais e, paralelamente, uma política educacional que priorizasse o ensino profissionalizante. Mas infelizmente a incapacidade administrativa e falta de visão estratégica dos seus sucessores nos levou a este estado de estagnação. 
Outro fator relevante da administração de Leopoldino foram os carnavais e a criação do Festival de Inverno, bem como a revitalização de praças e logradouros e a idealização do projeto do trapiche da Feira-mar. Essas iniciativas de Leopoldino provam que ele entendeu e vislumbrou as potencialidades de Antonina, tomando como base a nossa tradição portuária e a nossa sina para o turismo.
A prova de que nada foi feito a partir de Leopoldino é a cidade de Morretes que soube alinhavar ações voltadas para a agricultura, comércio e turismo gastronômico. A evolução de Morretes está justamente na preocupação de um projeto desenvolvimentista que oportunizou, em duas frentes, programas que contemplassem os trabalhadores da área rural e projetos de revitalização da sua área urbana. Mas o grande mérito de Morrestes foi dar continuidade no que fora planejado no passado, e a prova disso tudo é a forte presença de turista na cidade que não só frequenta seus vários restaurantes, como consome em seus comércios de artesanato e feira de produtos agrícolas.
Para entendermos o porquê de Antonina ter parado no tempo e Morrestes avançou é preciso que encontremos seu marco histórico. É dever daqueles que se preocupam com a cidade e seu povo, identificar não só a nossa incompetência administrativa, a partir do que deixara Leopoldino, como também contextualizar os motivos pelos quais nossas potencialidades naturais, culturais, artísticas e econômicas jamais foram exploradas.
O ponto de partida para essa reflexão já foi alinhavado anteriormente, ou seja, a não continuidade das ações implantadas na administração de Leopoldino. Mas o que é preciso contextualizar é o motivo principal pelo qual não cumprimos o nosso papel desenvolvimentista. Partindo dessa premissa, só posso considerar que a nossa decadência se intensificou a partir do momento que a classe política perdeu senso coletivo. A negação desenvolvimentista está justamente na substituição desses valores comuns por outros que escravizam o indivíduo, sem perspectiva, e o faz refém de uma política nefasta, exclusivamente voltada para o assistencialismo barato, fisiologismo político e interesse pessoal.
Levando em consideração que alguns possam ter uma visão diferente da minha, não vou furtar-me de colocar esses padrões de conduta da nossa classe política como a responsável pela nossa decadência. Tanto é que os exemplos estão aí e, por conta dessa práxis, é bem possível que vivamos por muito tempo com as mãos estendidas para os populistas, para a mães dos pobre e dos Messias.
Mas, a meu ver, essa cultura remonta de algum tempo e essa classe política que aí está nada mais é que um subproduto forjado pela falta de visão para as nossas potencialidades. Essa incapacidade é o marco histórico da nossa decadência, cuja prática nos deixou de herança o interesse pessoal e político. Pelo que sinto, não será possível mudarmos tão cedo esses valores, mas pelo seu contexto, já identificamos que o ponto zero apocalíptico está no assistencialismo danoso implantado logo depois que Leopoldino deixou a prefeitura.

12 comentários:

Masca disse...

Luiz, sem dúvida o Leopoldino foi o ultimo melhor Prefeito que Antonina teve. Como é de praxe as pessoas não acreditam em visionários no primeiro instante, poucos são os que enxergam, desconfiam no primeiro momento.

Antonio disse...

Após esse diálogo franco, acima, sentimo-nos à vontade para dizer ao cavalheiro que a cidade que ele sonhou não existe. Com certeza, amigo, o senhor errou, porque sonhou e nada fez para que o seu sonho pudesse de realizar, com a sua experiência, a sua participação, o seu comprometimento. Se a cidade está ruim, a nossa Antonina ou qualquer outra é porque há pessoas como o senhores que almejam encontrar sempre uma cidade pronta para desfrutar sem se esforçar e oferecer algo a mais, justamente o que está faltando para ficar e ser melhor. Se quiser oferecer a sua ajuda, há muitos lugares que precisam de pessoas dispostas e com saúde como os senhores: Apae, o Conselho Tutelar, a Associação do seu bairro, o PIA, os Conselhos Municipais. Venha participar, ombrear-se aos que chegaram como o senhor, e que pretendem fazer alguma coisa, por menor que seja para uma vida melhor de todos, sem exceção.

Fica o exemplo da necessidade de todos juntos, cada qual fazendo a sua parte, por uma cidade melhor. Ela (a cidade) é de todos, autoridades e comunidade. Não esperemos pratos prontos, jamais. Um dedinho de tempero ajuda a mudar. Não se omita. São fatos e acontecimentos assim que movimentam a cidade, a opinião dos leitores, a imprensa, sem dúvida.

Pelo comentários do editor e do comentarista, para mim, fica claro que em Antonina: "CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU", o antoninense sempre foi o espectador da sua realidade, precisa urgente ser o protagonista da sua realidade.

Masca disse...

Luiz, bonitas palavras desse tal de Antonio, deixo uma pergunta ao próprio: o que voce no alto de sua cultura e conhecimento contribuiu para mudar o estado que Antonina se encontra?

Amigos do Jekiti disse...

Eu, nada!
Vc, mais do que eu!
Antonio, não sei, pq não conheço!

PAULO R. CEQUINEL disse...

Masca afirma que "Leopoldino foi o ultimo melhor Prefeito que Antonina teve".
Nenhuma palavra sobre as condenações judiciais que sobre ele pesavam. a ponto de sua candidatura ter sido impugnada em 1996.
E segue o baile.
Tudo é relativo.
Somos pragmáticos.
Somos malemontes.
Somos condescendentes.
Aceitamos tudo.
Isso é política.
Somos malandrões.
Somos safos e sabidos.
E vamos, prezado Luis, a mais um odioso teste do robô: 25 bisrsun seria uma nova e surpreendente banda iraniana?

Amigos do Jekiti disse...

Paulo, eu sei que Leopoldino teve seus direitos políticos caçados e tbm perseguiu pessoas, inclusive uma pessoa muito chegada a mim.
Mas um texto às vezes mira um alvo para acertar outro, se é que me entende.
Realmente, meu amigo, vc tem razão em todos os seus adjetivos, mas esqueceu de um: rasteiros!
Sem proselitismos!

Henrique Dias disse...

Não adianta procurar culpados pára a situação de Antonina. Acredito sim em trabalho e planejamento para o futuro. Antonina precisa inovar e não imitar. Algum dos atuais candidatos tem em seu plano de governo a criação da Faculdade de Artes? E o museu?
No site Opera Mundi, tem hoje um artigo muito importante sobre a necessidade de se criar museus no Brasil.

Amigos do Jekiti disse...

Caro Henrique, vc sabe muito bem que eu sempre bati nessas duas teclas. Antonina é uma cidade sem passado, pois seus documentos históricos estão espalhados por Paranaguá e São Paulo. Outra coisa a Faculdade de Música (artes) é mais uma possibilidade. Sexta à noite, fui assistir ao show da Filarmônica e seu maestro (Cainã) acabou de se graduar em Música. Pq não custeiam esse rapaz e tantos outros a se tornarem mestres para que eles possam ser no futuro um dos professores da Faculdade de Música. Henrique, é preciso olhar para as nossas potencialidades.
abraço

Henrique Dias disse...

Correto amigos Luiz Henrique, seria muito mais fácil para a juventude de Antonina conseguir vencer na vida sem o sacrifício de deixar a família, trabalhar e estudar fora. Eu, acredito que você também, sabemos o que é passar por isto. Infelizmente muitos saem e não se dão tão bem como nós. Presenciei muitos casos, que não gosto nem de recordar.

Antonio disse...

Sr. Editor com todo o respeito, quando teremos a Marcha do Vadios em Antonina?????

Antonio disse...

... o que voce no alto de sua cultura e conhecimento contribuiu para mudar o estado que Antonina se encontra?

Bom Conselho
Chico Buarque

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

João Pinto disse...

Para o bem da verdade:
Leopoldino conseguiu que o governo do Estado concedesse a área para a construção de um Terminal; começou o Festival de Inverno da UFPR; deu os primeiros passos para o desenvolvimento do turismo, que é demorado, coisa de 20 anos pelos menos; criou o Salão do Mar; começou a restauração da fachada e construção do Theatro Municipal...Fez um grande governo, foi injustiçado por vereadores casuistas, por um Tribunal de Contas parcial...Morreu pobre e doente pelo estresse causado pelos problemas que suas brigas por Antonina lhe causaram...
No governo Pereirinha ficou tudo estagnado, somente o Theatro, que já estava quase pronto, ele inaugurou.
No governo Monica começou e inaugurou o Terminal da Ponta do Félix, implantou um projeto de desenvolvimento do turismo com a entrada do município no Programa Nacional de Municipalização do Turismo, criação de Conselho Municipal de Turismo e Secretaria de Turismo; obra do Trapiche Flutuante Municipal; implantou o projeto do Rafting do Rio Cachoeira; comprou e restaurou a Estação Ferroviária; restaurou o antigo Matadouro transformando-o num Centro Social e Cultural; criou o Mural do Poty Lazarotto; Construiu cinco escolas municipais e reformou todas as existentes; asfaltou o trecho entre o paralelepípedo da Av Conde Matarazzo e o Porto e o trecho entre a Usina da Copel e o Bairro Alto, fez o calçamento no Portinho e na Ponta da Pita, deu início ao projeto de saneamento básico através do SAMAE/FUNASA, com a construção das lagoas de decantação e de grande parte da rede (os dois governos que seguiram não deram continuidade)... e muito mais. Vão dizer é pouco. É, pode até ser; mas ninguém fez tanto em Antonina!!!

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento