"O ódio não nasce com a pessoa, ele é ensinado" - disse senhora Pell ao agente do FBI.
Esta frase reveladora prova o quanto é perigoso o ensino religioso nas escolas. O problema maior é a interpretação errônea que muitos religiosos fazem da Bíblia, transformando-a numa arma de segregação, pelo mito da hierarquia racial e social, resultado da "Maldição de Canaã".
Neste final de semana assisti ao filme “A Fita Branca”, do cineasta austríaco Michael Haneke. O filme é impactante e recorrente, pois revela, já no início do século XX, o que seria o nazismo e, consequentemente, as atrocidades cometidas contra os judeus.
Segundo o cineasta o nazismo não surgiu por causa da humilhação alemã na Primeira Grande Guerra e sim pela austeridade patriarcal sustentada pelo signo da punição como a melhor maneira de se adquirir disciplina.
O filme merece ser visto, não só pela bela fotografia e excelente direção, mas sim pelo entendimento sobre as raízes da intolerância contextualizadas dentro daquelas casas protestantes, onde a fita branca representava a severidade, o pecado, como foi a Estrela de Davi para os judeus, décadas depois.
O filme conta a história de Brian, homem da Judéia, que por acaso transforma-se no novo messias. Renitente da sua condição, Brian tenta, de todas as formas, convencer seus "seguidores" de que tudo era um engano, mas o povo, doutrinado pela fé, não o via assim.
inspiração: Edson "chulé" Araújo
Taiguara é considerado um dos símbolos da resistência contra à censura durante a ditadura militar. Ele foi um dos compositores mais censurados da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Os problemas com a censura obrigaram Taiguara a se autoexilar na Inglaterra, em meados de 1973. Em Londres, gravou o disco Let Children Hear the Music, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil. A propósito, sobre este disco, através de uma rede social, tive a humilde participação na campanha de repatriamento dessa obra-prima, liderada pela sua filha, Ymira.
Em 1975, quando retornou ao Brasil, gravou o LP Ymira, Tayra, Ypi, junto com Hermeto Pascoal e a participação de vários músicos, mas o espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar. Sem perspectiva, Taiguara forçou-se a outro exílio, retornando ao Brasil, em meados dos anos 80.
Na campanha de 89, levado por um amigo no comício do Brizola, tive a honra de conhecê-lo. Embora doente, ainda mantinha nas palavras um tom libertário e nos olhos a pureza de uma criança livre.
Canções Clássicas de sua autoria:
- Hoje
- Universo no teu corpo
- Piano e Viola
- Amanda
- Tributo a Jacob do Bandolin
- Viagem
- Berço de Marcela
- Teu sonho não acabou
- Geração 70
- Que as crianças cantem livres (vídeo):
"E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho a quem não pode amar sem dor".
Projeto TAMTAM: 21 anos de experiência em Arte e Loucura ou a estética da linguagem como arte de expressar as diferenças.
A língua que enrola a fala, que distrai o verbo, que ilude o verso, reproduz a linguagem dos que pensam.
O risco- traço desgastado, grafismos de um grito quase Goya, quase capricho, que "a louca" de vestido de bolinhas – pop – falava, mostrando a caligrafia de um tempo torto. A dramaturgia desagradável quase teatro pobre – cruel nos abscessos - para a qual alguns diriam: "Bobagens!"; outros, "Castigo...", e, outros, "Paixão!". Puros fragmentos, em cena seca – diálogos do silêncio – numa arquitetura dura.
A dramaturgia grega associou em nós a tragédia, o inevitável, o destino inglório do homem.
A linguagem do ato insubstituível, desse mundo excluído, criado pelo homem para outro que se faz ninguém, nos turva a face e desfoca o olhar. O mundo que se cria com o outro produz sentido ético/estético por acaso e pelo acaso. A socialização do prazer, provocada por escândalos de experienciações em encontros comuns com o outro. Esse compartilhar de emoções e paixões provoca rupturas e cria a língua (quase silêncio), a vanguarda, o alfabeto dos excluídos, uma real produção do romance, do poema e da poética – um novo signo cultural com vozes diversas de dizeres tantos, de um olhar "além do olho".
Não se trata de um elogio à piedade e nem a utilidade da arte – não se trata de uma arte-show – mas sim da estética de uma ética de aquisição de saberes: a linguagem, voz de todo corpo, numa nova produção de valores – ressonância do assombro... Talvez um gesto de amor (homem/humanidade).
Romântico demais? Você acha?
Falas do que? Dos hospícios ou dos castelos? Da favela ou dos cortiços? Das tribos? Gangs?... O que é isso? Algum movimento filosófico? Pós-modernidade? Ou será a exclusão da tese?
... Então, a "mulher de vestido de bolinhas" se vestiu de branco, atravessou o palco numa mala de ferro também branca – quase Dalí, mas é Pop-art... Êxodus... Onde um virou dois... dói, é macumba – baba –Dadá. Está feliz.
"Precisamos, mais uma vez, dar ouvidos aos loucos e aos profetas. Precisamos recuperar nossa cabeça."
O que se deseja é o direito de poder pensar artisticamente... Poder expressar a Arte sem, mais uma vez, vê-la associada a um sofrimento diagnosticado. Pois é mesmo um sofrimento a razão desse existir, desse bem-estar, dessa felicidade dessa alegria.
O que se deseja, então, é poder expressar, sem pressões, com conteúdos próprios, as nossas diferenças.
"Mas, enquanto isso não se tornar possível, teremos que ser radicais, não por opção estética, mas por desconfiança." (Galícia, 1972)
Acabei de assistir no Canal Brasil um programa, no qual se comentou o filme-documentário Linha de Montagem, do diretor Renato Tapajó. O filme retrata o início do movimento sindical dos metalúrgicos do ABC e mostra, com detalhes, a esperança e as dificuldades dos trabalhadores, sob a violência da ditadura militar no Brasil.
Lula é a figura central do documentário, mas não por uma questão pré-estabelecida pelo roteiro e sim pelo seu poder de comunicação junto à massa trabalhadora. O filme, além de mostrar de que maneira os trabalhadores se mobilizaram durante as greves, mostra que o movimento é por melhorias salariais e não político-partidário.
A parte mais comovendo é quando o filme relata, pela longa paralisação dos trabalhadores, a maneira pela qual se organizou o Fundo Greve para auxiliar as famílias dos operários sem salários.
Portanto, o filme é imperdível e serve de base para entendermos o surgimento de uma nova alternativa de luta para os trabalhadores, bem como as bases para a criação do PT.
Filme clássico do diretor Visconti, baseado na obra-prima de Thomas Mann, e embalado pela intensiva música de Gustav Mahler. O filme retrata o platonismo na sua forma mais impoderável, quanto o protagonista - um músico famoso, humano e sensível -, é destruído pela peste e pela beleza intocada de um menino... Vale a pena assisti-lo.
A partir de hoje publicarei uma nova postagem entitulada LADO B, inspirado nas dicas musicais do amigo Edson "chulé" de Araujo.
Buena Vista Social Club era um clube de dança e atividades musicais de Havana em Cuba, local onde os músicos se encontravam e tocavam na década de 40, entre eles Manuel "Puntillita" Licea, Compay Segundo, Rubén González, Ibrahim Ferrer, Pío Leyva, Anga Díaz e Omara Portuondo. Ao longo dos anos novos membros entraram no grupo.
Na década de 1990, aproximadamente 40 anos após o fechamento do clube, inspirou uma gravação do músico cubano Juan de Marcos González e o guitarrista americano Ry Cooder com os músicos tradicionais, o disco, chamado Buena Vista Social Club tornou-se um sucesso internacional. Foi quando então o diretor alemão Wim Wenders filmou a apresentação do grupo na Holanda, e uma segunda apresentação no famoso Carnegie Hall em Nova York, transformando num documentário, acompanhado de entrevistas feitas em Havana com os músicos.
Sugestão do amigo Edson "chulé" Araujo. Heraldo do Monte, Dominguinhos e Zimbo Trio, na canção RAPAZ DE BEM.
Nos anos 60 Heraldo do Monte, Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Theo de Barros, montaram o Quarteto Novo. No vídeo abaixo eles acompanham Geraldo Vandré na canção Aroeira.