"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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sábado, 21 de abril de 2012

MUNIRA E O ÓBVIO ULULANTE

Por Jeff Picanso, editor do Blog Urublues

Existem coisas que não se pode deixar de ver, de tão evidentes. Diz uma lenda carioca que o jornalista Otto Lara Rezende, distraído que era, nunca tinha percebido o Pão de Açúcar - certo dia quando o viu, espantou-se. Seu amigo Nelson Rodrigues, para tirar uma com o espanto do amigo com algo tão óbvio, criou um famoso personagem, o óbvio ululante.
Uma coisa muito evidente, na politica de Deitada-a-beira-do-mar, nos últimos vinte e poucos anos, é a força eleitoral de Munira Peluso, a Mônica. Olhando o quadro abaixo, é impossível não deixar de perceber suas votações, como o óbvio ululante de Nelson Rodrigues. Desde que aqui chegou, vinda de onde eu não sei, Munira foi desses forasteiros que logo entram nas graças dos conterrâneos de Valle Porto. Na sua primeira eleição foi eleita vice-prefeita, na chapa de Leopoldino Abreu, com 2706 votos, ou 31% do total de eleitores. Na eleição seguinte, em 1992, Munira ficou em segundo lugar, com 2038 votos ou 25% do total, com óbvia transferência de votos de seu antecessor.
Em 1996 acabou por ser eleita com 3046 votos, 31% do total. Com a mudança na legislação que permitiu a reeleição – manobra safada do ex-presidente Fernando Henrique, aliás – Munira foi reeleita quatro anos depois com 5298 votos, ou 49,51% do total. Ou seja, neste período ela consolidou uma grande força eleitoral que acabou por transmitir em 2004 para seu sucessor, meu amigo Kleber. Nas eleições de 2008, no entanto, ela e Kleber dividiram sua base eleitoral, o que permitiu a vitória de Canduca e sua campanha paz-e-amor. Canduca, na verdade, obteve menos votos na sua eleição em 2008 que os votos que obteve em 2004, quando ficou em segundo. Munira, por outro lado, cravou 3169 votos, ou 25% do total, uma votação nada desprezível.
Não a conheço pessoalmente. O que sei é que sua gestão na prefeitura foi fortemente marcada por uma politica assistencialista das mais deslavadas. O nepotismo foi outra característica tristemente marcante de sua passagem pelo Palácio da rua XV. Navegando numa conjuntura favorável, na qual o porto funcionou mais ou menos e o Terminal da Ponta do Félix começou a funcionar, as coisas até que andaram na Deitada-a-beira-do-mar. Por outro lado, foi uma administração pouco preocupada com arte e cultura, medíocre até, tanto que os carnavais em sua gestão foram os mais pobres e mais mal preparados que cheguei a ver na Avenida do samba.
Apesar de ameaçada não sair candidata por estar enquadrada na lei da ficha limpa, Munira tem cativo cerca de um terço a um quarto dos votos capelistas. É um cacife imenso, e todos os políticos da cidade cortejam a “Mãe dos pobres”. Como a musa do populismo tardio, Munira Peluso encena seu jogo no papel da mãezona que socorre os despossuídos. Mas a ex-prefeita não é madre Teresa de Calcutá, ela claramente se beneficia desta miséria que sua politica só ameniza. Amansa as massas, dóceis, e vai colher seus frutos de quatro em quatro anos. Bom, não? Para Antonina, não é suficiente. Distribuir cestas básicas entre a população carente não faz um povo melhorar seu nível de vida nem aumenta sua qualificação, tão necessária na hora de conseguir um bom emprego nos tempos que correm.
É um óbvio ululante dizer que o populismo assistencialista à la Munira é uma cruel armadilha para a qual as pessoas mais carentes frequentemente são empurradas. Pra mudar situações de carência material e intelectual é preciso políticas sérias, de longo prazo, mais educação, uma gestão municipal mais profissional – sem xoques de jestão, claro está. Alguém vai dizer que estou sonhando ao pedir isso pra Antonina. Ao realismo pessimista dos que dizem que é impossível, acho que não custa sonhar mais alto e pensar mais alto. É preferível ser um sonhador de olhos abertos que compactuar com a politiquinha de aldeia, com a mediocridade e a mesmice de um novo governo de Munira Peluso.

Por Amigos do Jekiti

Estou até agora me penitenciando por não ter acompanhado o excelente texto do Jeff, pois só agora o li no 'Bacucu com Farinha'. Logicamente concordo com ele e mais: reputo o nosso atraso social a esse tipo de administração que a sra Munira praticou em Antonina. Como bem colocou o amigo Jeff, esta senhora vive da política antoninense há quase vinte anos e, como uma das principais protagonistas, credito a ela boa parte do nosso atraso social e econômico, devido ao seu assistencialismo danoso, cuja característica, difere, e muito, da política assistencial inciada pelo presidente Lula, da qual, evidentemente, milhões de pessoas ascenderam socialmente.
O que a senhora Munira fez e faz não é polítca assistencial e sim um assistencialismo danoso, que usa a população mais humilde como escada para seus projetos pessoais e políticos, sem sequer lhes dar uma perspectiva melhor de vida, embora reconheça algumas realizações - como o terminal da Ponta do Felix -, mas isso considero obrigação e não virtude, porque a conjuntura política estadual, da época, a beneficiava.
Mas uma coisa eu tenho que admitir: ela foi a professora dessa escola chamada política antoninense, cujo processo pedagógico graduou, mestrou e doutorou muitos políticos da nossa cidade, graças ao diploma recebido pelas mãos da "mãe dos pobres".

terça-feira, 13 de março de 2012

O ILUMINISMO NA ÓTICA DE UM BAGRINHO

Por: Fortunato Machado Filho

O Estado, que antes fora visto como uma aproximação terrena de uma ordem eterna, com a cidade do homem modelada na cidade de Deus, passou a ser considerado como um arranjo mutuamente benéfico entre os homens, voltado para a proteção dos direitos naturais e do interesse próprio de cada um. O Estado torna-se objeto de críticas por vários intelectuais que demonstravam forte anseio de liberdade e anunciavam um novo Estado, condizente com o progresso cultural e científico em andamento. O Iluminismo, portanto, se fez crítico, reformista e revolucionário contra o Estado autoritário. Mas, do Iluminismo nasce também a razão instrumental: quando o sujeito do conhecimento toma a decisão de que conhecer é dominar e controlar a Natureza e os seres humanos. Embora esse padrão de ação resulte em maior poder e domínio sobre a Natureza, também escraviza o Homem, reprimindo a sensibilidade, a afetividade, a emotividade e as demais formas sensíveis de conduta humana, gerando especialistas sem espírito e sensualistas sem coração, nulidades que imaginam ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado.
Se contrapondo a ela na Escola de Frankfurt surge a razão crítica: um dos principais filósofos desse grupo é Max Horkheimer. Ele pensou que as transformações na sociedade, na política e na cultura só podem se processar se tiverem como fim a emancipação do homem e não o domínio técnico e científico sobre a natureza e a sociedade.
Estamos assistindo hoje, em todo o mundo, a tendências que fazem prever o advento de um novo irracionalismo. Mas ele é mais perturbador que o antigo, porque não está mais associado a posições políticas de direita. A razão não é mais repudiada por negar realidades transcendentes — a pátria, a religião, a família, o Estado —, e sim por estar comprometida com o poder. O novo irracionalismo se considera crítico e denuncia um status quo visto como hostil à vida. A partir de uma certa leitura de Foucault, Deleuze e Lyotard, e sob a influência de um neonietzscheanismo que vê relações de poder em toda parte, ele considera a razão o principal agente da repressão, e não o órgão da liberdade, como afirmava a velha esquerda.
Sendo a razão crítica uma oposição a razão intrumental ela nos mostra que a unaminidade é burra, então surge os "porquês"? Trazendo estas premissas para a "Idade das Trevas" de Antonina, surgem as mais diversas perguntas(por qual razão).
Por que quando o padre pede um imóvel comercial da sua propriedade é escrachado, pois irá(sic) desempregar pessoas?
Por que quando o mesmo vai a CMA defender o emprego, também é escrachado?
Por que supostamente houve açodamento do poder público para a mudança do Plano Diretor?
Por que o elitismo antoninense sempre bloqueia ações públicas que vão beneficiar os excluídos da nossa sociedade?
Por que os organismos ambientais dificultam o desenvolvimento sustentável de Antonina?
Por que a rampa de pesca na Ponta da Pita esta embargada pelo IAP?
Por que o poder público tem que gastar milhões de reais do contribuinte/eleitor para fazer o carnaval?
Por que o povo de Morretes pratica o associativismo e o cooperatismo e nós não?
Por que a Prefeitura de Antonina é o maior empregador da cidade?
Por que é o mesmo reclamante que provoca o MP e o Judiciário para embargar obras públicas que beneficiarão todos?
Por que só se discute turismo gastrônomico, se também temos o contemplativo/religioso/social/cultural e o esportivo(pesca)?
Por que certos migrantes e até certos bagrinhos que estudaram, pensam que os bagrinhos que ficaram são incultos?
Por que os políticos de Antonina falam grosso com os seus eleitores e fino com os seus deputados?
Por que só podemos viver de turismo(qual deles?) e não se pode instalar nenhuma indústria em Antonina?
Por que até hoje o poder estadual não desapropriou o Complexo Matarazzo?
Por que não sai a ligação Antonina/Paranaguá pela BR 277 ou Antonina/São Paulo pela BR 116?
Por que...Por que...Por que?????
Então. Por Quem os Sinos Dobram em Antonina?(http://www.youtube.com/watch?v=27WHNX_kBXU)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Minissérie da Globo associa servidores e centrais sindicais à corrupção

E eis que a TV Globo volta à pauta, novamente por razões pouco nobres. As redes sociais já têm batido na tecla dos interesses escusos por trás da minissérie “O Brado Retumbante”, e aos poucos a própria emissora vai confirmando tais intenções. Em seu terceiro capítulo, o folhetim associa os trabalhadores do serviço público do país e as centrais sindicais à corrupção. Tudo muito sutil, com o cuidado necessário para evitar futuros problemas na Justiça.
Logo no começo do capítulo desta quinta-feira (20), Paulo Ventura, sósia de Aécio Neves que cai de paraquedas na cadeira de presidente da República, anuncia à nação o envio ao Congresso de um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que cria a Lei de Responsabilidade Pública, cujo texto prevê punição dobrada a qualquer tipo de delito cometido por agentes públicos, quer sejam servidores, parlamentares, ministros de estado ou juízes. Em seguida, durante o jantar, o mandatário reclama à primeira-dama: “Parece que a grita vai ser grande. As centrais sindicais já ameaçaram greve geral por tempo indeterminado se a lei da ‘responsa’ for aprovada”.
Corta a cena. As emissoras de TV repercutem o conteúdo da lei, otimistas por sua aprovação. Mais um corte, desta vez para um cenário tomado pela penumbra, no qual deputados e senadores corruptos articulam um meio de arquivar a referida PEC. Algumas cenas à frente, ao sair do teatro, o presidente é apupado por manifestantes, identificados como servidores, que seguram cartazes com os seguintes dizeres: “Funcionários públicos repudiam perseguição” e “abaixo o autoritarismo”.
Durante o discurso à nação, o presidente fictício avisa que “minorias organizadas” vão tentar derrubar a PEC e faz uma proposta: “Estou aqui para convidar a maioria desorganizada para defendê-lo”, referindo-se ao projeto. Qualquer semelhança com as convocações feitas por figuras como Reinaldo Azevedo para as “marchas contra a corrupção” ocorridas no ano passado são mera coincidência.
O ataque é bem articulado, mas está longe de ser uma novidade. Desde os tempos de Getúlio Vargas, os veículos de Roberto Marinho e a chamada “grande mídia” em geral associam o sindicalismo e qualquer forma de organização de trabalhadores à baderna, à mamata pública e à corrupção. Milhares de páginas de jornais e revistas já foram dedicadas a martelar nos cérebros da população as “verdades” do Partido da Imprensa Golpista (PIG), obviamente sem nunca exibir quem foram os corruptores da história. Muda-se a forma, mas o conteúdo está longe de ser original.

Descompasso
A eleição de Lula para a Presidência vai completar uma década em outubro deste ano, mas a mídia brasileira, com a TV Globo à frente, ainda está longe de se conformar com as mudanças pelas quais o Brasil vem passando – apesar de também se beneficiar delas. Se o Brasil caminha atualmente para um futuro com mais desenvolvimento e menos desigualdade, esse novo cenário se deve em grande parte às lutas travadas pela classe trabalhadora e suas diversas formas de organização, apesar de toda a gritaria antipopular orquestrada pelos meios de comunicação.
Felizmente, com a internet esse tipo de carimbo sobre movimentos populares aos poucos vai deixando de surtir o efeito de outrora. “O Brado Retumbante”, “Veja”, o “Jornal Nacional” ou a “Gazeta de Jequitinhonha” têm todo o direito de gerar um debate sobre corrupção – ou qualquer tema delicado – na sociedade, mas precisam fazê-lo com responsabilidade e, sobretudo, honestidade. Em tempos de agressões com bolinha de papel e crimes em reality shows, a Globo demonstra não ter assimilado qualquer lição desses recentes fatos – e tampouco compreender os anseios de sua audiência.
do Blog do Moacir Soares

Por Amigos do Jekiti
Sou funcionário público, como meu pai e minha mãe, como minhas tias, meu avô e minha esposa. Vivi no meio deles e com eles aprendi o significado da palavra servir (servidor). Por muitos anos acompanhei meu pai chegar tarde em casa por conta da extenuante tarefa de fechar o 'caixa' e ver minha mãe, até altas horas, corrigir provas porque tinha que cumprir com o seu calendário escolar. Foi assim com minhas tias professoras e meu avô "carvalhinho", que morreu pobre devido à sua aposentadoria minguada de servidor municipal.
Quando ingressei no serviço público, em 1980, levei comigo essas imagens e exemplos e, depois de alguns no serviço público, encontrei outra servidora, com a qual me casei. Durante os 32 anos como servidor público - que sentiu na pele a falta de um Plano de Cargos e Salários decente, que conviveu com o sucateamento dos serviços prestados à população e teve que fazer malabarismos financeiros devido à defasagem salarial - jamais me esqueci dos paradigmas que meus pais, tias, avô e esposa foram e são para mim.
Hoje, prestes a me aposentar, olho para TV e me sinto ofendido com a tentativa espúria da Rede Globo em querer desmoralizar a carreira do servidor público, como se nela houvesse uma gangue que só quer roubar o erário público.
Por meus pais, tias, avô, esposa e colegas, que exercem e exerceram com dignidade suas funções públicas, deixo aqui meu brado retumbante de repúdio à Rede Globo de Televisão, pelo conteúdo demagógico e ofensivo da sua minissérie aos servidores públicos deste país.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A ORIGEM DA SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

Este texto não é um julgamento e nem uma condenação sumária aos que comentam aqui no anonimato. Os motivos pelos quais uma pessoa usa essa via para se expressar, no meu ponto de vista, não é um ato de covardia e sim de sobrevivência. Alguns anônimos, pelo que sinto, utilizam este espaço para promoverem a sua ordem política através de contundentes críticas aos seus antagonistas. Esses críticos geralmente preocupam-se com o varejo, embora eu não desmereça aqueles que gostam, por exemplo, da cidade limpa; mas essa visão, no meu ponto de vista, se configura como uma incapacidade de enxergar as coisas através de um pensamento crítico mais qualificado.
Parto dessa premissa para recorrer às minhas leituras que tanto me fazem entender algumas coisas sobre relações sociais e políticas. Não vou aqui fazer um tratado político-científico e nem filosófico, pela simples razão que conheço minhas limitações, mas neste caso Nietszche pode me ajudar. Em alguns dos seus escritos ele nos ensina que a política é usada como forma de coerção sobre as massas, através da crença em geral de que só o líder é capaz de dar ao povo o verdadeiro direito à existência. A justificativa para essa conclusão está na sujeição do indivíduo à massa e esta, pela sua postura de rebanho, ao líder político.
A questão que eu tentarei explicar está ligada às críticas anônimas e sua relação com a política. Para mim essas críticas têm um objetivo de promover o líder político para o qual o crítico serve. Como a política é muito dinâmica e segue uma moral própria, esses críticos precisam atuar no anonimato para que não se comprometam com as correntes antagonistas e percam, por suas contradições, a oportunidade de ascenderem socialmente. Geralmente essas pessoas são fisiologistas, isto é, só pensam em seus próprios interesses, pois são desprovidos de consciência coletiva, exceto nos casos em que são forçados a se apresentarem como servidores do povo e assim privilegiarem sua classe política.
O caráter demagógico dessas relações reflete o quanto nossa cultura política tradicional está vinculada apenas ao jogo do poder pelo poder e não na utilização deste para resgatar o seu valor gregário. Uma sociedade que se preze não vive do interesse egoísta de uma casta política e muito menos do fisiologismo dos seus líderes. Ela é o espaço de convivência, de continuação e conservação dos valores éticos e morais, cuja premissa é a valorização dos interesses comuns sobre os interesses individuais.
Como prometi em não fazer um tratado político-filosófico, concluo o assunto com a afirmativa de que as críticas de alguns anônimos originam-se no medo de serem pegos em suas contradições e, por conseguinte, não sobreviverem ao julgamento político e moral da sociedade. Em suma: toda esse disfarce, a meu ver, tanto serve para seus "inimigos", como também para os "amigos" que ele, pretensamente, defende... Eis a origem da sobrevivência.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

AS BESTAS TRIUNFANTES

Inconformado ainda com o assassinato da indiazinha eu recorri aos meus alfarrábios morais para me ajudarem a entender o que leva o “ser humano” a cometer tamanha violência. Mas sei que não vou encontrar soluções, apenas alguns apócrifos, que talvez sirvam como alento de esperança no homem.
O assassinato dessa menina não é um fato isolado, infelizmente, e nem representa uma desesperança na humanidade; ele é sim a anatomia de um crime forjada por essa ideologia totalitária – política, religiosa e social – que inibe as pessoas de pensarem por si próprias e, consequentemente, avaliarem a imoralidade das suas ações.
Alguns podem discordar, mas a base da nossa civilização e todo contexto histórico e cultural das atrocidades humanas passam pelas lides da política e da religião. Não vou aqui fazer com que os leitores se enfastiem com os vilipêndios cometidos em nome de Deus e do Estado e nem dissecar os meandros da mente humana para encontrar a essência da sua bestialidade. Porém, não posso negar que tanto a essência como a miséria são fatores que podem levar a violência, mas ambas são efeitos e não a causa, isto é, são processos secundários da complexidade da mente humana que inibe a moral e a consciência e dá lugar à servidão cega, pois tudo deve ser feito em nome da ideologia.
Se analisarmos a fundo as últimas declarações de Bento 16 sobre ser contra o casamento homossexual e ainda afirmar que tal relação põe em risco o futuro da humanidade, concluiremos que muitos católicos concordarão com o papa, mas é bem possível que não avaliarão a provável imoralidade do discurso e muito menos o significado de direito á cidadania, pela simples razão que a ideologia o faz por eles.
Para quem leu a obra da socióloga Hannah Arent, As Origens do Totalitarismo, e ou Crime e Castigo, de Dostoievski e assistiu ao filme ou leu livro A Laranja Mecânica, concluirá que a coerção ideológica é um fator desencadeante da violência e, agregada à obscuridade da mente humana, podem se tornar um gatilho que disparará o tiro de misericórdia. Todas essas obras mostram que o indivíduo não só perde a condição de olhar as coisas pela perspectiva do outro, como também, pela mesma relação, apresenta muita indisposição em se comprometer com o pensamento moral, em suma: não se colocam no lugar do outro. 
Os assassinos da indiazinha são esse tipo de gente que seguem uma ideologia de forma cega e atuam conforme seus ditames. Aposto que esses assassinos têm família e aparentemente não devem ter no dia-a-dia uma atitude sádica e monstruosa e nem apresentam uma ameaça para a sociedade. Igual a eles foram os seguidores do nazismo, do fascismo e de tantas outras facções políticas e religiosas, responsáveis pela transformação de pacatos cidadãos numa espécie de subproduto ideológico, que os impedia de pensarem por si mesmos e, consequentemente, avaliarem moralmente os seus atos.
É de lamentar e muito a morte da pequena índia, mas também é de lamentar essa nossa sensação de desperdício que carregamos dentro dos nossos corações e mentes e que ainda nos faz crer no futuro da humanidade, mesmo vendo e sabendo que as bestas triunfantes continuarão nos vendendo pela banalidade do mal.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A PIANOLA BOILESEN

Assisti há pouco, no Canal Brasil, um ótimo documentário, intitulado "Cidadão Boilesen", no qual é mostrado como o empresário Henning A. Boilesen, participou das torturas, protagonizou financiamento para a Operação Bandeirantes (OBAN) e foi excutado pelas organizações de esquerda.
Boilesen era presidente do grupo Ultragás e foi o maior financiador da Operação Bandeirantes, de ensinar técnicas de torturas e por trazer ao Brasil a máquina pianola Boilesen - em homenagem ao empresário - que era acionada por um teclado.
Boilesen foi condenado ao "justiçamento" e morto por militantes do MRT e da Ação Libertadora Nacional (ALN) em 15 de abril de 1971, na cidade de São Paulo/ SP.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DIREITA E ESQUERDA

Um anônimo - pra variar - provocou os ditos esquerdestista com uma questionamento sobre as ideologias de esquerda e direita. Como considerei pertinente, posto a seguir o comentário para que possamos discutir a questão:

ANÔNIMO:
Já que os esquerdistas do blog andam tão preocupados com os direitistas que até fizeram uma listinha com supostas “ideias da direita”, eu tenho a impressão que, antes de mais nada, eles deveriam expor as suas próprias ideias, para que não fique a impressão que são apenas uns cabeças ocas movidas a reflexos condicionados expressos por ironias, piadinhas e “reduções ao absurdo”.
Para que todos possamos situá-los melhor eu sugiro até que, em primeiro lugar, localizem os pontos em que os governos de Lula e Dilma se identificam com os princípios da esquerda.
Eu, por exemplo, localizei algumas semelhanças – com um pequeno auxílio de Vargas Llosa: não sei se elas constam das cartilhas da esquerda ortodoxa, mas certamente fazem parte da esquerda brasileira. A saber:

- O autoritarismo do presidente como um substituto da lei;
- A troca das antigas oligarquias por outros tipos de oligarquia;
- A denúncia do imperialismo capitalista (com o inimigo sempre sendo os Estados Unidos);
- A projeção da luta de classes entre os ricos e os pobres, negros e brancos, homo e heterossexuais, etc.;
- A idolatria do estado como uma força redentora dos pobres;
- E o paternalismo pelo qual os empregos públicos – em oposição à geração de riqueza – são os canais de mobilidade social e uma forma de manter o voto cativo nas eleições.
Então, vocês da esquerda vão mostrar que também têm ideias?
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por Amigos do Jekiti

Realmente há antagonismos entre os dois pólos e hoje em dia, sem guerra fria, a dicotomia ainda permanece. Mas para que não percamos no assunto, embora considere que o amigo laborar uma linha sequer do que escrevera, não vou deixar de respondê-lo.

1- - O autoritarismo do presidente como um substituto da lei.
Estranho a colocação e a vejo como uma paródia de que todo o governo de esquerda é antidemocrático. Olha em volta, meu caro, e me diga onde está a falta de postura democrática e republicana do governo Lula e Dilma? Diga-me se as instituições democráticas não são respeitadas e se a liberdade de imprensa foi ou está ameaçada? E não me venha com colagens impertinentes sobre regulamentação da mídia e outras mazelas que você ouve na CBN e lê nos jornalecos sobre censura. Agora quem é dado ao autoritarismo são justamente aqueles que você segue como carneirinho, devido à sua falta de postura crítica, os quais consideram que todo governo dito de esquerda são um bando fundamentalistas que usam dos seus cargos para oprimir o povo e trucidar a oposição.
Para seu governo, os antidemocráticos são justamente os que mais atacam os governos democráticos, pois não suportam se deparar com políticas públicas que dão ao pobre o direito legítimo de ser educado numa universidade, que abominam o aumento considerável de programas assistenciais que tiram milhões da linha da pobreza e outros tantos que ascederam de classe social e, consequentemente, ao consumo.
Se você quer saber o que é autoritarismo e golpe, procure saber sobre os milhões de mortos no Iraque, provocado pelo delírio americano. Se você quer saber de autoritarismo, procure saber o destino dos 5.000 jovens mortos pela ditadura militar argentina. Se você quer saber sobre autoritarismos procure saber o considerável aumento da pobreza no mundo por conta das políticas neoliberais e que hoje os ditos de esquerda estão minimizando. Se você quer saber de golpe e autoritarismo, veja o que aconteceu com o massacre na Venezuela patrocinado pelos golpistas ligados às empresas americanas de petróleo. Se você quer saber de golpe, procure saber sobre o que globo fez com Brizola nas eleições de 1983... E assim por diante.

2 - A troca das antigas oligarquias por outros tipos de oligarquia.
Primeiramente a oligarquia no Brasil precisa ser contextualizada, pois remonta desde os tempos do Brasil - colônia. Mas não vou enfastiá-lo com as minhas prolixidades. Passo por cima das oligarquias cafeeiras da velha república e chego aos oligarcas paulistas e mineiros que provocaram tantas insurreições nesse país que culminaram na nova cultura oligarca do neoliberalismo, representada hoje pelos tucanos paulistas e mineiros e no novo coronelismo nordestino de Sarney e ACM.
O conceito de oligarca nada mais é que um grupo de pessoas com ideologias afins que governam exclusivamente pelos seus próprios interesses e que não representa o interesse da maioria. Só por essa definição já derruba sua tentativa de fazer do governo Lula e Dilma uma oligarquia socialista, haja vista a preocupação com as políticas públicas.
Oligarquia é a mídia que foi beneficiada com o Proer da mídia, com ações em algumas teles privatizadas e hoje blinda Serra e demais tucanos envolvidos no escândalo da privataria tucana.

3 - A denúncia do imperialismo capitalista (com o inimigo sempre sendo os Estados Unidos)
Meu caro, não é possível que você acredite nessa mazela. Hoje o imperialismo americano ainda é forte no mundo, haja vista suas intervenções em países, como o Iraque, por conta da sua prepotência e interesse financeiro. Mas os dias imperiais norte-americanos estão contados, tanto que Lula, percebendo o declínio americano mudou sua política externa na direção da China e fortaleceu os BRICS. O imperialismo americano está em crise e não recomendo nenhuma nação esquerdopata-cominista–atéia a se submeter aos caprichos do Tio Sam. Que isso fique a cargo de FHC e seus tucanos amestrados que sempre foram subservientes aos dogmas capitalistas americanos e se acostumaram a andar com o pires na mão.

5 - A idolatria do estado como uma força redentora dos pobres.
O Estado deve ser o indutor ou na pior das hipóteses o condutor das políticas econômicas e sociais de um país. Um Estado mínimo, ao qual você tanto defende, jamais poderia fazer frente às enormes carências sociais do povo brasileiro, pela simples razão, que a desestatização que foi feita no governo FHC provou que o Estado mínimo não conseguiu induzir políticas públicas de maneira satisfatória para dirimir o caos social do seu liberalismo canibal; tanto é verdade que foi no segundo mandato de FHC que o país aumentou sua pobreza. Para que você não ponha em dúvida o que estou dizendo, procure saber os investimentos na área social do governo FHC e do Lula.
Se Lula é o pai dos pobres, FHC é o pai dos ricos, embora nem uma coisa nem outra sejam positivas, haja vista que um povo precisa alcançar sua independência para ser livre e para isso, deve-se investir em educação e adotar mecanismo para que os filhos das camadas mais pobres tenham acesso à universidade, e isso Lula já iniciou através dos quase 1 milhão de financiamentos pelo PROUNI. Portanto, governo que investe em educação não é o redentor dos pobres.

6 - A projeção da luta de classes entre os ricos e os pobres, negros e brancos, homo e heterossexuais, etc.
Isso é coisa da época da revolução russa de 1917 e nem vale à pena nem comentar, exceto a questão da xenofobia de alguns que votaram no Serra e pregaram em seus carros o ódio e o preconceito ao nordestino e também a onda de intolerância e ódio que disseminaram na internet vídeos e textos homofóbicos, inclusive padres e pastores que apoiaram o tucano. São os mesmos que espalharam pela internet a hipocrisia de que Lula deveria tratar seu câncer no SUS.

A melhor resposta para essa tal luta de classe está nas políticas econômicas e sociais do governo Lula, que abrigaram aqueles que vivam fora do contexto da economia, principalmente pelas políticas executadas pelo governo de FHC que, com seu delírio neoliberal, ampliou a desiguadade social no Brasil, principalmente no segundo mandato. Em suma: a luta de classe no Brasil foi substituída por políticas econômicas e sociais, ameu caro.

Para completar essa chatice, digo aos leitores e a você, caro anônimo, que as ideologis de direita e esquerda ainda são evidentes no mundo atual. Faço aqui uma alusão do filósofo Noberto Bóbbio, que em entrevista, disse que a diferença ideológica entre as duas correntes está, basicamente, nos que defendem a redução do Estado e que acreditam que a economia deve ser ditada pelo mercado - esses de direita. Os que se preocupam em implantar politicas sociais para as camadas mais pobres da população e procuram diminuir as diferenças sociais, são os de  esquerda. Portanto, esquerda e direita, têm suas diferenças acentuadas, ao contrário de alguns que ainda pensam que é apenas uma questão de semântica.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O PT DE ANTONINA DECOLA

É com satisfação que encontro a notícia de que o PT de Antonina vai ter candidatura própria nas próximas eleições municipais. Faz bem arriscar-se para quem tanto foi aperreado sem ser vidraça.
A maturidade que o PT de Antonina adquiriu nesses anos em que precisou ser coadjuvante, vai lhe garantir uma administração voltada para as políticas públicas e desenvolvimentistas. Enganam-se aqueles que estigmatizaram o PT de Antonina como um bando de radicais e aloprados e que o socialismo corre o risco de voltar com a velha roupagem. O PT de Antonina não vive mais no século XX, deu um salto de qualidade, pois aprendeu a afinar sua sina proletária com o diapasão da “desconstrução criadora” do novo socialismo.
Isso mesmo, meu caros. O PT de Antonina evoluiu, pois sentiu os golpes em seu superego radical e em sua vaidade incendiária. Por sua própria competência o PT será capaz de estruturar-se, com o intuito alinhavar-se com as demais forças políticas que comunguem dos seus valores. Para tal, é preciso entender que o povo de Antonina tem vários interesses e representações e nenhum partido, muito menos o PT, deve desconsiderar a máxima republicana da coalizão, mesmo sabendo do ônus que poderá pagar.
O PT de Antonina aprendeu tanto, que hoje ele entende que uma sociedade não pode ser programada, como fez o velho socialismo do século XX, mas sim planejada para evitar improvisações. Para isso, deve-se estar atento a uma filosofia política, baseada no verdadeiro ideal socialista, cuja meta era definida a priori e alcançada conforme seu preceito.
O PT de Antonina evoluiu tanto que hoje é capaz de perceber que não poderá obter sucesso enquanto houver uma criança fora da escola, um cidadão sem direito à saúde de qualidade e um trabalhador sem emprego.
O PT de Antonina aprendeu tanto, que entendeu que o antoninense não quer só comida, quer comida, diversão e arte.
O PT de Antonina aprendeu tanto que vai prover sua administração de instrumentos pertinentes para que nenhum cidadão sofra preconceito racial, sexual, religioso, social e outras formas de violência.  
O PT de Antonina aprendeu tanto que agora chegou a sua vez!

sábado, 5 de novembro de 2011

O AMBULATÓRIO DO TERROR

Andei lendo muitos comentários sobre a doença do Lula. Lógico que muitos estão dando a maior força para o ex-presidente, mas o que me deixa indignado é o ódio, a intolerância e o preconceito de uma elite burra e hipócrita que se diverte com a tragédia pessoal de um ser humano. Não é à toa que essas “vaquinhas de presépio” são levados pela avalanche desrespeitosa com que a grande imprensa trata o caso, principalmente comentaristas e colunistas de Globo, Veja, Estadão e Folha. Mas essa relação que a imprensa tem com Lula não passa de um medo insano por conta do seu possível retorno em 2014. Esse fato apavora aqueles que serviram a ditadura, que se beneficiaram das beneces do Estado, principalmente nos tempos de FHC.
Não pensem que a oposição raivosa da grande mídia contra Lula é fruto de um posicionamento ideológico ou um moralismo republicano por conta das várias denúncias (sem provas) de corrupção em seu governo e no da Dilma. Tudo não passa de interesse financeiro e gratidão, pois foi com FHC que a grande imprensa mais se beneficiou. Para os que acham que é delírio da minha parte, busquem saber sobre o PROER da mídia, a isenção de CPMF de todos os meios de comunicação e a lei que permitiu que a mídia contasse com 30% de capital estrangeiro. Não é à toa que FHC é o protegdo da grande imprensa e nunca mais ouvimos falar dos inúmeros escândalos do seu governo: das maracutaias nas privatizações, do caso SIVAM, da compra de votos da emenda da reeleição e por aí vai... Conincidência ou não, foi na época em que FHC e uma repórter da Globo tiveram um caso e este foi abafado para que o então candidato à presidência não sofresse um revés. A relação uma mão lava a outra entre FHC e a mídia faz com que aquela odeie tanto Lula, cujo delito, para os poderosos da comunicação, foi democratizar as verbas de propaganda do governo, espalhando-a por todo o Brasil.
Não é à toa que a doença de Lula transformou a grande mídia numa espécie de ambulatório do terror, de onde provem os mais inapropriados comentários, os quais vão desde a chacota para que ele se trate no SUS até o problema com o alcoolismo. O ódio a Lula e a falta de respeito com sua tragédia pessoal supera os limites da liberdade de imprensa e prova que a hipocrisia, a demagogia se configuram como grande mal século, pois os princípios, a ética e a solidariedade humana não passam de chavões ocos.
Pois bem, meus amigos, tivemos por oito anos um presidente analfabeto, alcoolatra e glutão e que hoje paga o preço por seus excessos (segundo a mídia) O pior é que muitos, ditos da elite, da classe média agonizante, cristãos de carteirinha, encampam tal ideia e assumem o papel propagador desse xenofobismo desenfreado, como sempre fizeram contra nordestinos e todos aqueles que lhes são diferentes. É inadimissível para essa gente que uma pessoa, como Lula, que veio das camadas mais baixas da população, seja o símbolo maior de um país, cuja maior virtude foi tirar milhões de pessoa da linha da pobreza e ser credor do FMI. Não é à toa que odeiam o ENEM e o PROUNI, programas estes que garantiram e garantirão que milhares de jovens pobres tornem-se “doutores”.
Queiram ou não, intolerantes e xenofóbicos, Lula protagonizou uma grande mudança e este país, com o tempo, resgatará a sua grande dívida social provocada por esse neoliberalismo decadente, protagonizado pelos Estados Unidos e Europa. Falo isso com convicção, pois os resultados econômicos e sociais dão a Lula todo o crédito. Enquanto isso o atraso morde-se de inveja e vê cada vez mais suas pretensões fisiológicas perderem-se nesse novo tempo que se aproxima.
Para finalizar, deixo aqui meus votos de pronto restabelecimento, não só a ele, como a todos, da rede pública ou privada, que enfrentam os mesmos problemas.
FORÇA LULA! Sua doença tem cura, a falta de caráter dessa gente, não!

terça-feira, 5 de julho de 2011

NÃO SOU FILHO DE EMPREITEIRO



Por: Fortunato Machado Filho

No tempo da velha república, havia um paladino da liberdade e transparência na administração pública, que lutava com brio e garra, contra a **oligarquia que, há muito, manipulava o poder; era Rui Barbosa, esse Paladino. Com efeito, a história de Rui é, quase que, a história de sua luta contra a banda podre da República. Tribuno de notável qualidade, empolgava ele, a sociedade de então, e o próprio Parlamento, com seu espírito cívico, vontade soberana, aliada a luta pelo predomínio da Política, como a arte de bem governar e, assim, a busca, permanente, do bem maior da comunidade, qual seja, a felicidade do povo.
Rui foi-se, em 1923, sem ver o seu grande objetivo; anseio maior da nação: a democracia, triunfar sobre a oligarquia dominante. Embora tenha se notabilizado pelo seu brilhantismo, competência, na luta pela consolidação dessa democracia nascente, conseguindo a instalação da primeira constituinte e o subseqüente fim da ditadura republicana, ainda que insustentável, suscetível de outro golpe, golpe esse, desencadeado por Floriano Peixoto, vice do Presidente Teodoro da Fonseca, cujo primeiro ato foi o de banir a nova constituição, o que levaria Rui ao exílio, pelo seu gesto corajoso em defesa da ordem constituída; ordem essa, que, nem a Suprema Corte da República, ousara assegurar.
Banido da vida política brasileira, pelo arbítrio, todavia, mesmo o exílio, lhe renderia loas, loas, pela sua audácia, altivez, como partícipe na conferencia da Liga das Nações , onde conquistou o laurel de “Águia de Haia”, maior honraria que um representante, embora expatriado, poderia obter, no conserto das nações civilizadas. Entretanto, não conseguira ele, no alvorecer do novo século, subjugar a oligarquia, herança macabra das cortes palacianas.
Aturdido, agora, pelo espetáculo pseudo-quixotesco do presidente do Senado federal, sendo contra a RDC; cabe-me, primeiro dissertar – o poder, no sistema democrático, emana do povo e deve ser exercido em seu nome – para depois questionar: teria você, sociedade eleitora, concedido, a eles, representantes contratados pelo seu voto, direitos, também, para exercitarem, em seu nome, a maquiavélica arte de surrupiar os tributos que, mesmo com dificuldades mil, paga aos cofres públicos?
Paira no ar a dúvida: seria intriga da oposição ou prevaricação? Ora, intriga não levaria a uma comissão de ética multipartidária. Entrementes, a própria CPI das empreiteiras, no passado, deu a prova cabal, pois, ela constatou que 40% dos recursos da União vêm sendo abocanhados pelo superfaturamento, nas licitações públicas fraudulentas, que, manipuladas, vão alimentar os bolsos dos corruptos, na forma de caixas dois, campanhas milionárias, e,até, paraísos fiscais.
Reverter esse quadro nababesco constitui imperativo. A ***RDC(Regime Diferenciado de Contratações) é imperativo aliado a todo eleitor dotado de consciência cívica, pois esses recursos, tomando como base o orçamento federal deste ano, são superiores a duzentos bilhões de reais, os quais aplicados, na forma da lei, fiscalizados pela sociedade, solucionariam, paulatinamente, os problemas da educação qualidade, saúde, segurança, estradas; possibilitando, ainda, a constituição de um fundo bilionário destinado a financiar, a custos módicos, a mini, pequena e média empresa, e, inclusive todo aquele trabalhador empenhado em ser proprietário de si mesmo, natural que, supervisionado por organismos competentes. Investimentos tamanhos, alavancariam, ao longo dos anos, o pleno emprego, possibilitando a integração de milhões de brasileiros, deserdados da sorte, na vida política, econômica e social da sociedade brasileira; todavia, ensinando-os a pescar, financiando a vara de pegar o peixe, e não, dando-lhes, simplesmente, o pescado.
**Governo de poucas pessoas. Ocorre quando um pequeno grupo de pessoas de uma família, de um grupo econômico ou de um partido governa um país, estado ou município. Uma das características desta forma de governo é que os interesses políticos e econômicos do grupo que está no poder prevalecem sobre os da maioria.
****Objetivos do RDC:
Dar mais eficiência às contratações públicas
Promover melhor relação custo-benefício para o Estado
Incentivar a inovação tecnológica
Mas por que um Regime Diferenciado de Contratação para esses eventos?
A Copa e as Olimpíadas são eventos que atraem os olhos de todo o mundo para o país, aumentando investimentos estrangeiros e o reconhecimento político global.
O Modelo de contratação proposto é mais rigoroso na fiscalização dos gastos governamentais e garante melhoria na qualidade dos serviços contratados.
A inversão de fases e a utilização de meios eletrônicos de contratação permitem que qualquer interessado participe da concorrência, ampliando a competitividade em busca de economia e busca de melhor qualidade no serviço contratado.
O processo de contratação integrada obriga a empresa a entregar as obras em plenas condições de funcionamento, o que evita sucessivos aditivos que causam atrasos e encarecem os serviços. Esse modelo também favorece a inovação tecnológica por parte das empresas, que buscarão o meio mais eficiente para a prestação dos serviços no limite orçamentário contratado previamente.
O RDC introduz a possibilidade de remuneração variável para a contratação de serviços. Com a possibilidade de receber um bônus, a empresa contratada terá incentivos para entregar serviços de qualidade superior, ao mesmo tempo em que poderá ter sua remuneração descontada caso o resultado não seja satisfatório.
A proibição da divulgação antecipada do orçamento que o Governo pretende pagar pelo serviço incentiva que as empresas ofereçam preços menores e evitando acordos entre as empresas concorrentes para manter preços mais altos.
A padronização de minutas de contratos permitirá que seja utilizada uma minuta padrão para contratações, acelerando o processo hoje demorado e ineficiente.
A experiência do RDC permitirá revermos futuramente os meios de contratação do setor público na busca por maior eficiência e qualidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A MEDIDA PROVISÓRIA DO REGIME DIFERENCIADO DE CONTRATAÇÃO

Como não poderia deixar de ser, um anônimo me provoca sobre o Regime Diferenciado de Contratação de empresas para a realização das obras da Copa do Mundo e Olimpíadas. Pelo que entendi, ele considera que a referida MP é indefensável para qualquer petista, pois, nas entrelinhas, ele supõe que o governo Dilma uer esconder a roubalheira.
Em primeiro lugar não se trata em defender ou não o regime de licitação e sim discuti-la. Afirmar que o sigilo é uma comporta aberta para roubalheira é, no mínimo, falta de conhecimento legal e oportunismo eleitoreiro, porque os órgãos de controle têm meios de aferir todos os procedimentos.
No meu ponto de vista a Medida Provisória é um avanço e em sua defesa afirmo que é um meio eficaz de evitar a formação de cartéis. Na postagem ANATOMIA DO GOLPE, fiz um breve relato de como as empresas atuam nas licitações, pois o governo, em seu edital, informa com atecedência os valores a serem gastos. A cartelização é formada antes das empresas apresentarem suas propostas, através de conchavos firmados entre elas. Nesse "acordo" uma delas ganha a licitação e depois as demais são beneficiadas em outras. Como o governo é transparente em relação ao valor, pois a Lei 8.666/93 prevê que os preços praticados não podem ultrapassar 25% do valor de mercados, as empresas acordam entre si que uma apresentará um preço dentro desse limite e as demais acima, configurando não só o cartel, como um custo maior para a instituição contratante.
Naturalmente as empreiteiras, ligadas à indústria da construção civil consideram a MP um obstáculo para seus interesses, tanto que forçam, através de lobbys, que o Senado derrube a RDC e assim possam continuar com seus cartéis, ainda mais agora que o “bolo” é bem maior.
Embora a MP tenha passado na câmara, é no Senado que ela deve sofrer restrições, devido a ligação que muitos senadores têm com as empreiteiras. Para se ter uma idéia, não é a primeira vez que o governo tenta modificar a Lei 8.666/1993 e torná-la menos propícia a formação de cartéis, mas os interesses corporativos e fisiológicos dos senadores impedem qualquer modificação da matéria... Por que será?
Esse é o ônus do governo Dilma em ter se coligado com o PMDB de Sarney e Renan Calheiros.

terça-feira, 14 de junho de 2011

DILMA ELOGIA FHC NOS SEUS 80 ANOS

“Em seus oitenta anos há muitas características do Senhor Presidente Fernando Henrique a homenagear.
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.
Querido Presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!”

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

por Amigos do Jekiti

Muitos que apoiam o governo Dilma não gostaram do elogio, mas é preciso ser isento e enxergar que FHC tem seus méritos. É inegável que FHC foi o responsável pela estabilidade econômica, durante seu período em que foi Ministro da Fazenda. Não entendia nada de economia, mas tinha prestígio e sua credibilidade deu garantias para que o Brasil saísse da hiperinflação. O grande problema de FHC foi sua politica econômica e seu delírio privatista, influenciada pelo neoliberalismo americano, provocando uma crise sem precendentes, gerando desemprego, altas taxas de juros e inibidas políticas sociais, as quais ocasionaram o aumento da pobreza.
Dilma elogiou o que deveria elogiar e isso não é prova de que a presidenta é uma ingênua e sim uma estatista.
Para finalizar, deixo aqui uma frase que colhi numa das matérias e gostaria que servisse para algumas pessoas que acompanham este blog.
Para pessoas de alma pequena, generosidade não funciona. Ser generoso, para elas, é municiar o adversário.

domingo, 12 de junho de 2011

A ANATOMIA DO GOLPE

Senhoras e senhores, como não poderia deixar de ser, um anônimo me provocou sobre o que saíra na revista Veja a respeito do raio X da corrupção. Como não poderia deixar de ser, sua intenção era ligar a matéria ao governo do PT e mais, como o anônimo deve ter interesse nas eleições de 2012, está se borrando de medo de alguma candidatura petista para a prefeitura de Antonina.
Mas como aqui a ideia é colocar tudo às claras, digo ao “sombra” que se ele quiser ser um candidato em potencial, logicamente, deve fazer como o "Serra", o padroeiro das virgens abortivas, e andar agarrado no saco do atrasado, como ele fez em 2010. Embora você tenha o hábito de ser do contra, mesmo que as evidências lhe monstrem o contrário, não posso furtar-me em avisá-lo sobre o risco que você corre de dar com os burros n´água, como aconteceu com o santinho do pau oco. Se você estudou um pouquinho de interpretação de texto, verá que a reportagem, à qual você ligou ao PT, não informa em nunhma das suas linhas o nome de um membro do governo, mas como você não tem senso crítico (para ser educado) preferiu ligar a corrupção ao PT.
Para ser mais correto, antes preciso informá-lo que as licitações são regidas pela Lei 8.666/93 e esta prevê que os preços praticados pelo mercado não podem ultrapassar 25% do que fora previsto na modalidade licitatória. Depois de licitados o contrato é passível de ser alterado em seus valores, via termo aditivo, mas, para ter validade, o órgão contratante deve justificar os valores e imediatamente enviar à procuradoria que dará ou não o aval. Esses termos aditivos são muito comuns durante a vigência do contrato,mas se por ventura, algo fugir do seu objeto, caberá aos órgãos de controle (auditoria e controladoria) providenciar sindicância ou inquérito administrativo e, confirmado o delito, enviar ao ministério público para que se abra inquérito criminal, desde que a Polícia Federal encontre provas consistentes para justificar o processo.
Para você não achar que é alguma cola do Google, digo que conheço o assunto, só não vou dizer como, para você não me achar muito pedante. A corrupção, meu caro, é de fora para dentro, na grande maioria dos casos, e a lei, como tem brechas, pois exige o menor preço e, por conta disso, muitas empresas concorrentes apresentam suas propostas no teto máximo, os contratos com as instituições públicas geralmente ultrapassam o valor de mercado. Como a lei é vertical, muitas empresas montam verdadeiros cartéis e entre elas fazem acertos para que uma apresente a menor proposta, enquanto as outras esperam  por outras licitações para pegarem a sua fatia do bolo. Essa praxis é muito comum nas grandes empresas, pois a legislação não faculta avaliações de custos e benefícios, desempenhos e outras análises mais apuradas sobre o obejto licitado, somente o menor preço.
Para se evitar os desmandos, a procuradoria, auditoria e controladoria, auditam os processos e, se por ventura forem abusivos ou fugirem de seu objeto, depois dos trâmites legais acima expostos, os envolvidos serão indiciados e condenados, mas para isso acontecer é preciso que o processo judicial seja tramitado em julgado.
Mas voltemos, aos petistas canalhões, ladrões do erário público, que a Veja tenta, nas entrelinhas ligar à corrupção. Se você for imparcial e prestar bem atenção no que fora colocado, verá que a reportagem não cita nomes, muito menos suspeitos. A Veja só faz ilações, com o objetivo de passar aos leitores que o governo Dilma é um mar de corrupção e que o PT não passa de uma quadrilha que só quer roubar o erário público. Quem leu e é tendencioso, na certa vai concluir que a reportagem indica que há uma gangue petista corrupta por traz de toda essa investigação, mas os que não são ignorantes perceberão que a investigação é comandada pelas próprias instituições do governo federal.
Entender a Veja como uma revista séria é uma maneira alienante de enxergar o Brasil, suas instituições e os avanços sociais desses últimos oito anos, A Veja, como a Folha, Estadão e Globo, estão a serviço dos seus próprios interesses, isto é, vender o país, como foi no período FHC, para os americanos. Essa gritaria feita por essa imprensa velhaca sobre crise inflacionária, gasto publico, corrupção, falta de estádio para a copa, caos em aeroporto, só convence pessoas desinformadas, como esse anônimo cego e ignorante, que não enxerga um palmo na frente do nariz.
É preciso ter senso crítico, meu caro, pois a reportagem da Veja nada mais é que a anatomia do golpe e não da corrupção.

ANATOMIA DA CORRUPÇÃO
Veja, 06/06/2011

Peritos da Polícia Federal descobriram como se assaltam os cofres públicos sem deixar rastros e ao abrigo da lei. Uma dúvida atormentou por muito tempo as melhores cabeças da Policia Federal. Ao investigarem quadrilhas envolvidas em obras públicas, policiais deparavam frequentemente com um quadro incompreensível. Tanto nas conversas telefônicas interceptadas quanto nos e-mails apreendidos, era comum flagrar empresários e executivos falando sobre desvio de dinheiro, pagamento de propina a funcionários públicos, remessas para o exterior por meio de caixa dois e demais assuntos que compõem o repertório clássico da corrupção que emerge sempre que entre o dinheiro público e um fornecedor privado de produtos ou serviços existe um intermediário desonesto. Mas, mesmo com a certeza de estarem diante de um crime, os investigadores muitas vezes não conseguiam responder a uma pergunta crucial: de onde vinha o ganho dos criminosos? Isso porque, apesar das evidências gritantes de falcatrua, quando os agentes da policia analisavam os contratos firmados entre as empresas e os órgãos públicos, chegavam à conclusão de que os preços que elas cobravam estavam dentro dos limites legais – ou seja, não havia superfaturamento. Ora, se não havia superfaturamento, não havia ganho ilegal e; se não havia ganho ilegal, todo o resto deixava de fazer sentido.
Em março, a dúvida dos investigadores deu lugar a uma explicação cristalina. Depois de dois anos de análise minuciosa de contratos públicos, levantamento de notas fiscais, checagem de custos de 554 compras empreendidas em obras do governo e visitas in loco de algumas dezenas de canteiros de obras, peritos da PF descobriram o “pulo do gato” – ou, mais apropriadamente neste caso, do rato. O truque pode ser chamado de “superfaturamento oculto”.
Para entender essa criação genuinamente brasileira, é preciso fazer um rápido mergulho no mundo das licitações. Há muito tempo, o governo federal é cobrado a estancar o desperdício que mina dos contratos de obras públicas e corrói seus cofres. Para dar uma resposta a isso, desde 2003 a Lei de Diretrizes Orçamentárias passou a exigir que os órgãos públicos, antes de fazer qualquer pagamento, observem as tabelas oficiais de referência de preços. Essas tabelas, formuladas em conjunto por diversos órgãos do governo, contêm os valores médios dos principais materiais de construção e insumos usados em obras de engenharia civil. A primeira delas chama-se Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi). A segunda, Sistema de Custos Rodoviários (Sicro). Há oito anos, seu uso é obrigatório. Muito bem. Para órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, um preço só é classificado como “superfaturado” se estiver acima dos valores constantes do Sinapi e do Sicro. Tudo o que estiver dentro do limite das tabelas é considerado legal.
O que a PF descobriu, e que causa espanto, é que as duas tabelas oficiais já trazem preços muito superiores aos praticados pelo mercado. Uma rápida pesquisa realizada pelos peritos policiais no comércio revelou que os preços dos produtos mais usados em obras de engenharia estão, em média, 20% mais altos do que deveriam.
Se o leitor, por exemplo, for a um depósito para comprar um tijolo cerâmico do tipo “oito furos”, pagará 44 centavos a unidade. O mesmo tijolo, adquirido pelo governo. sairá por 56 centavos. A diferença, de 27%, é carregada para o ninho dos ratos da corrupção. Em produtos como a tinta látex acrílica, ela chega a 128%. No forro para teto, do tipo bandeja, as tabelas trazem valores até 145% mais altos que o usual. Ou seja, basta as empresas seguirem a tabela ao pé da letra para obter uma espécie de “superfaturamento legal”.
Os peritos da PF que descobriram o golpe fizeram registrar em seus relatórios um outro alerta: dado que o governo nunca compra só um tijolo – suas encomendas começam invariavelmente na casa do milhar – e quem compra em grande quantidade sempre tem direito a desconto, seria de esperar que nas obras públicas de grande porte os valores unitários acabassem ainda mais em conta. Ocorre que os valores registrados no Sinapi e no Sicro não levam em consideração a escala. Com isso, o governo dá de bandeja mais um motivo para as empreiteiras deitarem e rolarem. Elas cobram preços muito acima dos de mercado, fazem isso à sombra de regras estipuladas pelo próprio governo e, assim, ficam inalcançáveis pela lei – e pelas auditorias do TCU.
Os três órgãos responsáveis por elaborar as tabelas de referência – o IBGE, a Caixa Econômica Federal e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) – alegam que elas representam o teto do que o governo pode pagar, e não a média dos preços do mercado. Ocorre que, obviamente, as empreiteiras sempre preferirão – e darão um jeito de fazer valer seu desejo – receber pelos valores de “tabela cheia”.
Há diversos formas de conseguir isso. A primeira é contar com a conivência de quem organiza a licitação. Segundo o Ministério Público Federal, foi o que aconteceu na licitação para a construção do trecho da Ferrovia Norte-Sul que corta o estado de Goiás. O trabalho foi dividido em sete lotes. Havia diversas empreiteiras interessadas em participar da concorrência, mas a Valec, a estatal que cuida da construção de ferrovias, habilitou apenas sete empresas, uma para cada lote. Ou seja, não houve disputa alguma. Todos os que entraram no certame sabiam que iriam ganhar um lote. Com isso, jogaram o preço lá no alto, cientes de que não seria preciso superar nenhum concorrente. Quando os envelopes da licitação foram abertos, os preços oferecidos pelas empreiteiras para cada um dos lotes eram apenas 0,5% mais baixos do que o teto previsto no edital, com valores baseados no Sinapi e no Sicro. O governo pagou 245 milhões de reais apenas pela construção de um dos sete trechos. Desse valor, concluíram os peritos da PF, 50 milhões de reais foram superfaturados.
A outra forma de conseguir cobrar o preço cheio é adotar o acerto direto entre as empresas – o que se chama, no jargão dos investigadores, de conluio. Os empresários que vivem de obras públicas se reúnem e acertam quem ficará com cada uma das obras tocadas pelo governo. Um não invade o território do outro e todos ficam satisfeitos. Nesse tipo de acordo, várias empresas entram em uma licitação para “fazer número”. Mas apenas uma oferece um preço um pouco abaixo do teto das tabelas. Todas as demais extrapolam os valores. Na contabilidade dos ratos da corrupção, mais vale tocar uma única obra com “tabela cheia” do que conseguir vários contratos com margem de lucro apertada. Os peritos enfileiram uma relação de mais de uma dezena de obras públicas em que, teoricamente, houve licitação, mas as propostas vencedoras, como no caso da Norte-Sul, ofereciam menos de 1% de desconto em relação ao teto das tabelas. “Quando não existe competitividade no certame licitatório e o vendedor oferece desconto irrisório em relação ao orçamento de referência, há uma considerável margem ‘legalizada’ para superfaturamento”, diz o relatório da PF.
Para os investigadores, é dessa margem que as empreiteiras retiram os milhões de reais que doam aos partidos políticos a cada eleição. Não era fácil entender como as empresas desses ramos conseguiam operar com boa margem de lucro, dentro do limite legal, e ainda despejar milhões de reais nas mãos dos políticos. “A margem oculta de negociação muitas vezes é utilizada para manter organizações criminosas”, crava o relatório dos peritos.
Falar em organização criminosa aqui não é força de expressão. Depois de ler os relatórios da PF, o Ministério Público Federal abriu um novo inquérito por suspeita de que as empresas teriam cooptado pessoas das equipes que formulam as tabelas oficiais de preços para inflar as cotações. Nos últimos meses, as descobertas da PF foram compartilhadas com o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas, a Controladoria-Geral da União e a Secretaria de Direito Econômico, ligada ao Ministério da Justiça. O governo já foi informado do descalabro, mas, até agora, não esboçou reação. Já as empreiteiras se mexeram rápido: antes que o trabalho da PF e a investigação do MP resultem em qualquer medida que venha a ferir seus interesses, elas deram início a um lobby frenético para reajustar os valores do Sinapi e do Sicro. Sim, querem subir ainda mais os já inflados valores de referência.
Uma montanha de verbas públicas está prestes a ser despejada nas obras destinadas à Copa do Mundo de 2014. Pelos cálculos da PF, dos 24 bilhões de reais que serão gastos no Mundial, 5 bilhões ao menos podem ir pelo ralo da corrupção com a providencial ajuda das tabelas de referência. O objetivo dos ratos da corrupção é roer o dinheiro público sem deixar rastros. O do governo deve ser exterminá-los - e acabar de uma vez por todas com essa farra.

terça-feira, 7 de junho de 2011

PALOCCI SAI, ENTRA GLEISI

É, senhoras e senhores, Antônio Palocci só esperou a decisão do Procurador Geral da República para sair "por cima". Gleisi Hoffmann deve entrar em seu lugar, pois demonstrou na crise que é independente e segura.
O PT de Antonina está com a faca na mão e o queijo sobre a tábua. É só saber cortar!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para pensar sobre o caso Palocci

Andei dando uma olhada nos vários blogs sérios que acompanho e li, estarrecido, que a bancada governista deu uma cochilada e votou a favor da ida de Palocci à Câmara dos Deputados para explicar sua evolução patrimonial. O requerimento foi aprovado durante a reunião da comissão da agricultura e a bancada governista confundiu-se e permaneceu sentada quando a presidente da comissão Lira Maia disse: “Os que concordam permaneçam como estão”. A bancada governista tenta reverter à ida do ministro à Câmara dos Deputados, mas pelo andar da carruagem Palocci não escapa dessa.
Para que todos possam pensar e tirar conclusões, antes de qualquer coisa é preciso entender que a oposição nada mais é que o ‘braço armado’ da velha mídia, cuja prioridade é propagar o pânico, objetivando enfraquecer o governo Dilma, embora isso não a exclua da responsabilidade de trazer Palocci de volta aos holofotes.
Para quem não se lembra, Palocci foi o protagonista daquele episódio de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo durante os episódios da CPI dos Bingos. Descoberta a farsa, Palocci foi demitido por Lula e ficou no “ostracismo” durante anos, retornando agora com seu patrimônio muito maior por conta, segundo ele, dos trabalhos de consultoria da sua empresa Projeto.
Parto princípio que se a intenção é apurar os fatos, a primeira medida a ser tomada seria a divulgação da lista de empresa que contrataram os serviços de Palocci. Outro ponto importante a ser pensado, e que pode até isentar Palocci de qualquer medida punitiva, é a intenção da mídia em não revelar o nome das empresas envolvidas, fato este que só confirma que a velha mídia é golpista, interesseira e desinformante.
Mas como eu disse que andei dando uma olhada nos blogs, descobri a lista das empresas que contrataram a consultoria de Palocci e a exponho abaixo:
Itaú Unibanco
Pão de Açúcar
Íbis
LG
Samsung
Claro-Embratel
TIM
Oi
Sadia Holding
Embraer Holding
Dafra
Hyundai Naval
Halliburton
Volkswagen
Gol
Toyota
Azul
Vinícola Aurora
Siemens
Royal Transatlântico.
Para finalizar, pergunto: Será que a velha mídia vai publicar quais foram os negócios que essas empresas fizeram com Antônio Palocci?
Quanto ao governo Dilma, vejo que ele enfrenta um grande dilema, cuja decisão cai na máxima do "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", isto é, se fica a mídia vai explorar a questão e passar para a opinião publicar que Dilma é tolerante com as falcatruas de Palocci, e se correr com o ministro, provará que errou ao trazê-lo de volta.

domingo, 1 de maio de 2011

O ERRO DO PT COM DELÚBIO

Lê-se muito sobre o mensalão do PT e quase nada sobre o mensalão do PSDB, ambos denunciados, em 2006, pelo antoninense Antonio Fernando de Souza, então procurador-geral da república.
Tanto o mensalão do PT como o do PSDB são casos que ainda não foram julgados pelo STF, portanto, tanto Delúbio como Eduardo Azevedo são inocentes. Por que considero que o PT errou em relação a Delúbio? Quando o ex-tesoureiro foi expulso do partido – na certa para satisfazer a mídia –, o partido não levou em consideração a presunção da sua inocência, diferente de Azevedo que apenas foi destituído do cargo de presidente do PSDB.
Se analisarmos ambas as situações, concluiremos que o PSDB acertou em não expulsar Azevedo, porque seu processo não foi tramitado em julgado, diferente do PT que expulsou Delúbio e depois o aceitou de volta, alegando que ele já cumprira sua pena, mesmo sem saber se será inocentado.
O que é preciso entender em ambos os casos é que a mídia dá grande ênfase ao caso Delúbio e nenhum ao mensalão do PSDB. O que configura essa parcialidade é a velha estratégia de sempre, isto é, jogar a opinião pública contra o governo Dilma, como fez com o de Lula.
O pior é que tem gente que, por má fé ou interesse próprio, vira papagaio de colunista tucano, por pura falta de senso crítico e comprometimento com a verdade.

terça-feira, 26 de abril de 2011

NOSSO CONTEXTO HISTÓRICO

O povo de Antonina evoluiu em uma base diferente de outras comarcas de províncias, como por exemplo, Santa Catarina que foi colonizada por agricultores vindo da Ilha dos Açores. Antonina, como todo mundo sabe, era conhecida como Capela, daí seus habitantes serem chamados de capelistas. Em agosto de 1797, foi elevada à categoria de Vila, com a denominação de Antonina, em homenagem ao D. Príncipe D. Antônio. Em 06 de novembro de 1797, sua sede foi elevada à categoria de Comarca da Província de São Paulo. Isto se deu em função de vários pedidos da população que não se conformava com a existência de muitos malfeitores e desordeiros que vieram, para cá atraídos pela cobiça do ouro. Posteriormente com a descoberta das Minas Gerais, esse problema amainou um pouco. Dos índios Carijós que habitavam esta região, não vale a pena nem citar, coitados. Depois vieram os árabes, como todos sabem, a despeito de suas virtudes, ser um povo meramente negociante, assim como os portugueses. Os poucos japoneses que chegaram foram alocados no Cacatu, quando nem existia estrada. Poucos ficaram os demais foram para Curitiba e Norte do Paraná. O ciclo portuário arrefeceu com queda da exportação de madeira e erva mate.
O comportamento, a cultura e costumes do Capelista não podem ser diferentes em função de suas raízes. Cabe as novas gerações mudar e isto se dará com boa educação e boa saúde para a população. Um dia chegaremos lá.
Entretanto não devemos culpar somente os políticos, pois o caldo cultural resultantes dos fatos históricos é muito forte. Não devemos esquecer também na nobre raça negra. Que tem pouca ou quase nenhuma representatividade nos fatos. Observe-se que o poder aquisitivo das famílias capelistas era pequeno em relação a outras Comarcas. Em Paranaguá, por exemplo, existem fortes indícios que se vendiam e compravam escravos até o início do século XX. Agora, imaginem a Baia de Antonina nessa época, além da beleza, existia a fartura e riqueza de peixes e crustáceos.
Dizimava-se os varões índios, mas mantinham-se as suas mulheres. Formando-se nova etnia (SIC) a dos caiçaras. Tudo isto me leva a recordar a música do Chico Buarque; "o tempo passou na janela e só Antonina não viu".
Ainda é tempo, vamos trazer faculdades e escolas técnicas para Antonina, vamos achar maneiras de atrair investimentos privados para gerar mais empregos e riquezas. Antonina pelo seu passado merece.
postagem anônima

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O CAVEIRÃO VIRTUAL

Estava cá com meus botões querendo entender o porquê os seguidores anônimos dos blogs antoninenses comportam-se agressivamente contra uma idéia ou opinião alheia. Muitos desses comentários nem sequer tem a ver com o conteúdo editado e muito menos servem para garantir um debate mais adequado. O festival de delírios é tão escabroso que inibe qualquer debate sobre as coisas de Antonina, além de servir de instrumento da proliferação do ódio, do rancor e da alienação. Naturalmente este estilo autofágico antoninense de discutir e fazer política provém da falta de perspectiva do povo, desencadeada pela decadência do porto e o fechamento do Matarazzo. Se uma cidade não oportuniza ao seu povo uma perspectiva de futuro, certamente ela se tornará um lugar de disputas truculentas entre grupos políticos antagônicos, cujos colaboradores servem como uma espécie de “caveirão” para abrir espaço à força para que seu líder tenha uma posição de destaque na política capelista.
Reputo como perigosa essa guerra virtual feita nas sombras dos blogs, pois ela pode desencadear um vício, uma doença coletiva, que degenera valores sociais e políticos e cria um instrumento de sujeição do povo à “autoridade moral” constituída nas urnas. Não obstante, a coerção física e mental, além de escravizar, afasta o povo dos seus verdadeiros valores e transforma a autoridade constituída numa espécie de dono do destino daqueles que se sujeitam a segui-lo em troca de pequenos favores.
Essa sujeição voluntária legitima a autoridade a agir de acordo com as necessidades dos seus seguidores e estes determinarem, indiretamente, como a autoridade deve agir. Em suma: a autoridade nada mais é que o espelho do seu povo, porque este não tem um ideário maior e aquele legisla dentro dessa conveniência. Com essa prática cria-se um vínculo e ambos acabam sendo reféns de promessas, as quais muitas vezes não são cumpridas, tornando as relações entre colaboradores e políticos uma sucessão de conveniências, isto é, aquele que defendia de repente passa a atacar.
Em regra geral tanto a autoridade como os seus seguidores justificam essa relação na autodefesa, isto é, na garantia das suas posições sociais, e quando se sentem ameaçados reagem de maneira truculenta contra aqueles que também buscam sua ascensão através das mesmas regras. O laço que os liga é frágil, não ideológico, exclusivamente de caráter material, e a idéia nada mais é que a de conservá-la, até que um não tenha mais interesse no outro ou o outro lado ofereça mais.
Assim, portanto, caminha a humanidade e me parece que esse quadro ainda se manterá por muito tempo até Antonina despertar para uma nova era. Seu povo é o condutor maior dessa mudança, desde que impeça oportunistas ascenderem ao poder, votando, conscientemente, em quem realmente têm compromissos com políticas desenvolvimentistas e sociais.

domingo, 17 de abril de 2011

Exclusivo: 'O DIA QUE DUROU 21 ANOS' - Documentário sobre a participação dos Estados Unidos no golpe de 64

Episódio 1
O início da conspiração no governo Kennedy. A propina americana aos políticos brasileiros de oposição a Jango.


Episódio 2
Lyndon Johnson continua os planos de Kennedy. O golpe de Estado.


Episódio 3
Os anos mais violentos, ainda sob a tutela americana. A supressão dos direitos individuais.


por Amigos do Jekiti
Este documentário deveria passar nas escolas brasileiras para que as crianças e jovens de hoje não fossem enganados como a minha geração foi através das matérias OSPB (Organização Social e Política do Brasil) e EMC (Educação Moral e Cívica), ambas obrigatórias nos anos 60 e 70.
A revolução atrasou o país pelo menos 40 anos. Se a reformas de base de Jango fossem implantadas naqueles anos, o Brasil seria um país mais justo socialmente.
Este documentário também tem a ver com Antonina, pois teve "capitalista" preso acusado de comunista.
Se você acha que as conspirações acabaram? Então leiam e assistam como funciona a velha mídia brasileira. Muitas ajudaram no golpe e continuam...
(vídeos copiados do Blog do Mello)  

domingo, 27 de março de 2011

OS VALORES CONTRADITÓRIOS DO CARNAVAL DE ANTONINA

Tempos atrás, falando da cultura do nosso povo, escrevi sobre a necessidade de mudar o atual modelo do carnaval de Antonina. Sem dúvida alguma nosso carnaval é reconhecidamente um dos melhores do Paraná, devido ao seu caráter lúdico. Essa ludicidade está diretamente ligada à tradição, cujas características principais são a espontaneidade do povo e a luta da comunidade em manter viva sua cultura carnavalesca. Nossos blocos tradicionais são a essência da nossa cultura, porque muitos deles ainda mantêm as mesmas raízes dos seus fundadores, como no caso do Apinagés e Boi do Norte. Esses dois blocos, em conjunto com as “escandalosas” e outros blocos de sujos que saem na segunda-feira, a meu ver, são os símbolos da nossa cultura carnavalesca. Embora migrada, isto é, trazida de outras regiões por pessoas motivadas pelo desenvolvimento econômico, não a descaracteriza, pois essas pessoas criaram raízes em nossa cidade e muitos dos seus descendentes são os responsáveis em manter a tradição. Outro fator que incentivou nossa manifestação artística foi a passagem das várias companhias de teatro que, a caminho da Argentina, atracaram em nosso porto para apresentações no teatro municipal. Se refletirmos sobre essas referências, concluiremos que nossa cultural carnavalesca está diretamente ligada ao desenvolvimento da cidade, época em que o porto, o Matarazzo e as empresas de exportação alavancavam nossa economia. Esse fator, embora tenha fortalecido o carnaval, desencadeou praticamente o desaparecimento da nossa cultura artística mais genuína: o fandango. As consequências do êxodo rural, a meu ver, foram a razão principal do esquecimento do fandango, pois as gerações seguintes daqueles que mantinham viva essa cultural a substituíram por outra, no caso, pelo carnaval.
Com o aparecimento das rádios e seus programas de auditório, outro fenômeno ganhou força no carnaval de Antonina. Coincidência ou não a mídia de então influenciou diretamente a transformação de muitos blocos em Escolas de Samba, nos anos 40, seguindo o mesmo modelo de desfile dos blocos, isto é, desfilando pelas ruas sem o rigor dos dias atuais. Com o advento da organização dos concursos de escolas de samba carioca, primeiro na Avenida Getúlio Vargas, depois na Sapucaí, as escolas antoninenses aderiram ao mesmo modelo e o povo que era parte integrante da festa passou a ser mero espectador.
Mas a tradição genuína ainda se mantém viva na segunda-feira, dia em que os blocos de sujos e “escandalosas” seguem os mesmos rituais de outrora, dia em que todos se tornam parte integrante da festa. Se analisarmos a fundo essa questão, veremos que alguns personagens, blocos e outras formas de manifestação ainda seguem suas culturas carnavalescas e, queiram ou não, para mim são os verdadeiros representantes do nosso carnaval. Vocês talvez me questionem sobre o sábado, dia em que alguns blocos, como o Apinagés e Boi do Norte, saem, e eu vos digo: Embora esses blocos mantenham o nome e algumas peculiaridades tradicionais, a meu ver, descaracterizaram-se dos seus padrões culturais, tanto nos rituais, como no aspecto estético.
Outro fator que prova a importância do carnaval da segunda-feira é a quantidade de pessoas que comparecem na “avenida”. Sem precisar de um meio sofisticado de aferição, identificamos que em comparação ao sábado e domingo, o público praticamente dobra na segunda-feira e essa razão tem tudo a ver com o interesse que o povo tem de ser peça integrante da festa. Se analisarmos o sucesso do carnaval da Bahia e Recife, o renascimento dos blocos de rua no carnaval do Rio de janeiro, cuja tradição voltou neste ano, na certa nós sentiremos essa relevância, pois, como no caso das festas religiosas, o povo, além de querer ser participante, quer que seu contexto histórico-cultural seja respeitado.
Mas em seu contexto há questões que precisam ser revistas. O espaço, por exemplo, já não comporta o número de pessoas que vão assistir às escolas e muito menos para os tradicionais blocos que saem na segunda-feira. Neste carnaval muitos blocos tiveram que buscar outros lugares, pois a “avenida”, em boa parte, estava tomada pelo concurso das “escandalosas”.
Em relação ao pequeno espaço que se tornou a Carlos Gomes, sei que não estou contando novidades, pois há anos já existe essa discussão para ampliar o espaço do carnaval, inclusive mudá-lo de lugar. Essa questão só será possível se o município tiver capacidade de investimento e isso nós sabemos que Antonina não tem. Outra possibilidade é via orçamento federal ou parceria com a iniciativa privada, sendo a primeira mais viável. A segunda opção é a mais difícil devido à exigência de mercado, isto é, do retorno financeiro sobre o que fora investido.
Como vimos há possibilidades, mas caso não seja possível nenhuma das opções acima, cabe à administração atual rever os critérios de acomodação do público assistente e dos blocos que saem na segunda-feira. Embora saibamos das dificuldades de logística é possível criar espaços adequados para aqueles que desejam assistir ao desfile de domingo de maneira mais confortável. Arquibancadas com ingresso pago e banheiro exclusivo são possibilidades não só de acomodação do turista como também de geração de receita. Outra possibilidade, nesse caso para a segunda-feira, é utilizar outro espaço para o concurso das escandalosas, com o intuito de liberar a “avenida” para os blocos de sujos tradicionais, bem como promover e explorar os outros espaços comerciais. Outra questão a ser revista é a falta de uma programação mais ampla, isto é, utilizar horários alternativos para as manifestações populares. O período da tarde pode ser utilizado por bandas carnavalescas, como acontece no Rio de Janeiro com a Banda de Ipanema. Aposto que essa medida além de ampliar a festa permitirá que o comércio tenha outro meio de arrecadação, bem como dar ao turista mais opção para se divertir.
Provavelmente haja outras saídas e este espaço está aberto para sugestões. Embora saiba que tudo depende de dotação orçamentária, acredito que algumas melhorias podem ser implantadas com poucos recursos. O que não se pode é continuar com esse modelo anacrônico, inflexível e que não oferece conforto ao público, nem condições para as manifestações populares. As alternativas estão aí e acredito outras surgirão, é só uma questão de visão e espírito público daqueles que tem a incumbência de gerir nossa maior festa popular.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento