"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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terça-feira, 27 de março de 2012

FACULDADE DE MÚSICA DE ANTONINA

Meu pai sempre fala nas reuniões de família que quando criança via os navios cheios de artistas aportarem na cidade para uma ou outra apresentação no Theatro Municipal. Essas companhias, que seguiam com destino a Argentina, paravam por aqui graças a pujante economia de Antonina, liderada pelo Porto, Matarazzo e empresas exportadoras de erva-mate. Os espetáculos eram financiados por essas empresas, mas apenas a elite tinha o direito de assisti-los. Com o passar dos anos e com a decadência econômica, popularizou-se os espetáculos e a elite foi obrigada a dividir os assentos com a plebe.
O acesso do povo a esses espetáculos ajudaram a criar nossa cultural artística, da qual surgiu, na Rádio Antoninense, artistas como Ivete Cecyn, Ivo Fonseca, Djalma Costa e Rachid; no carnaval, Relem Salemberg foi nossa maior expressão e nos festivais da canção Antônio Eugênio e Anselmo Scarante se destacaram. Tempos depois, Robertinho Plasmann e o mestre Severino idealizaram a Filarmônica Antoninense, a qual foi responsável pela formação de vários músicos de renomes.
Essa cultura forjada lá anos 20 ainda permanece forte hoje em dia e podemos constatá-la nas rodas de samba no Mercado Municipal, nas apresentações artísticas, aos sábados, no Baía de Antonina e pela Orquestra Show que se apresenta por todos os cantos país.
Como vimos, não precisamos de estudo antropológico, nem sociológico, para justificar a criação da Faculdade de Música de Antonina. Só precisamos de um olhar mais atento para as nossas potencialidades e fazer delas um meio para que o músico possa ter uma formação ampla e adequada para seu desenvolvimento artístico e cultural. Tal política ainda permitirá a ampliação da nossa economia, a inclusão social do jovem e o seu desenvolvimento como artista e cidadão. 

terça-feira, 20 de março de 2012

LÍDER DE MOVIMENTO GAY ESCULACHA DILMA

O vídeo acima mostra o depoimento de Luiz Mott, líder e fundador do grupo gay da Bahia, que acusa o governo Dilma de não se empenhar na distribuição dos kits anti-homofobia nas escolas públicas e em não apoiar o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional que equipara a homofobia ao crime de racismo.
No meu ponto de vista o líder do movimento tem toda razão, embora exagere em alguns aspectos contra a presidente Dilma. A homofobia precisa ser combatida, através de leis pesadas, bem como, levada às escolas com o intuito de ensinar às crianças e jovens que os homossexuais têm direito à cidadania plena.
O problema de Dilma está justamente na sua falta de coragem para enfrentar esses intolerantes líderes fundamentalistas evangélicos que a chantageiam com ameaças de abandono da base aliada.
Dilma precisa ter personalidade para encarar o problema de frente e, em primeiro lugar, deixar de afagar a cabeça desses seres das trevas que atrasam o avanço da nossa modernidade.
Embora concorde com muita coisa que está no vídeo é preciso que os movimentos dos homossexuais fiquem atentos com os desdobramentos das suas indignações, principalmente, com a possível ascensão da candidatura Serra, em 2014, que, em 2010, se aliou ao que há de mais atrasado neste país. Portanto, entre a falta de convicção da presidente Dilma e a homofobia serrista, ainda é melhor ficar com a primeira opção.

P.S. Está na hora de Antonina promover uma parada gay, não acham?

terça-feira, 13 de março de 2012

O ILUMINISMO NA ÓTICA DE UM BAGRINHO

Por: Fortunato Machado Filho

O Estado, que antes fora visto como uma aproximação terrena de uma ordem eterna, com a cidade do homem modelada na cidade de Deus, passou a ser considerado como um arranjo mutuamente benéfico entre os homens, voltado para a proteção dos direitos naturais e do interesse próprio de cada um. O Estado torna-se objeto de críticas por vários intelectuais que demonstravam forte anseio de liberdade e anunciavam um novo Estado, condizente com o progresso cultural e científico em andamento. O Iluminismo, portanto, se fez crítico, reformista e revolucionário contra o Estado autoritário. Mas, do Iluminismo nasce também a razão instrumental: quando o sujeito do conhecimento toma a decisão de que conhecer é dominar e controlar a Natureza e os seres humanos. Embora esse padrão de ação resulte em maior poder e domínio sobre a Natureza, também escraviza o Homem, reprimindo a sensibilidade, a afetividade, a emotividade e as demais formas sensíveis de conduta humana, gerando especialistas sem espírito e sensualistas sem coração, nulidades que imaginam ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado.
Se contrapondo a ela na Escola de Frankfurt surge a razão crítica: um dos principais filósofos desse grupo é Max Horkheimer. Ele pensou que as transformações na sociedade, na política e na cultura só podem se processar se tiverem como fim a emancipação do homem e não o domínio técnico e científico sobre a natureza e a sociedade.
Estamos assistindo hoje, em todo o mundo, a tendências que fazem prever o advento de um novo irracionalismo. Mas ele é mais perturbador que o antigo, porque não está mais associado a posições políticas de direita. A razão não é mais repudiada por negar realidades transcendentes — a pátria, a religião, a família, o Estado —, e sim por estar comprometida com o poder. O novo irracionalismo se considera crítico e denuncia um status quo visto como hostil à vida. A partir de uma certa leitura de Foucault, Deleuze e Lyotard, e sob a influência de um neonietzscheanismo que vê relações de poder em toda parte, ele considera a razão o principal agente da repressão, e não o órgão da liberdade, como afirmava a velha esquerda.
Sendo a razão crítica uma oposição a razão intrumental ela nos mostra que a unaminidade é burra, então surge os "porquês"? Trazendo estas premissas para a "Idade das Trevas" de Antonina, surgem as mais diversas perguntas(por qual razão).
Por que quando o padre pede um imóvel comercial da sua propriedade é escrachado, pois irá(sic) desempregar pessoas?
Por que quando o mesmo vai a CMA defender o emprego, também é escrachado?
Por que supostamente houve açodamento do poder público para a mudança do Plano Diretor?
Por que o elitismo antoninense sempre bloqueia ações públicas que vão beneficiar os excluídos da nossa sociedade?
Por que os organismos ambientais dificultam o desenvolvimento sustentável de Antonina?
Por que a rampa de pesca na Ponta da Pita esta embargada pelo IAP?
Por que o poder público tem que gastar milhões de reais do contribuinte/eleitor para fazer o carnaval?
Por que o povo de Morretes pratica o associativismo e o cooperatismo e nós não?
Por que a Prefeitura de Antonina é o maior empregador da cidade?
Por que é o mesmo reclamante que provoca o MP e o Judiciário para embargar obras públicas que beneficiarão todos?
Por que só se discute turismo gastrônomico, se também temos o contemplativo/religioso/social/cultural e o esportivo(pesca)?
Por que certos migrantes e até certos bagrinhos que estudaram, pensam que os bagrinhos que ficaram são incultos?
Por que os políticos de Antonina falam grosso com os seus eleitores e fino com os seus deputados?
Por que só podemos viver de turismo(qual deles?) e não se pode instalar nenhuma indústria em Antonina?
Por que até hoje o poder estadual não desapropriou o Complexo Matarazzo?
Por que não sai a ligação Antonina/Paranaguá pela BR 277 ou Antonina/São Paulo pela BR 116?
Por que...Por que...Por que?????
Então. Por Quem os Sinos Dobram em Antonina?(http://www.youtube.com/watch?v=27WHNX_kBXU)

terça-feira, 6 de março de 2012

EL CONDOR PASA

A abertura de vagas para o supermercado Condor não deixa de ser boa. Para um povo que chora há anos suas mágoas qualquer trabalho é um fio de esperança. O mais importante não é o salário de 700 reais e sim a perspectiva de melhora da auto-estima, provocada pelo esforço da administração em ampliar sua política de trabalho e emprego. Embora possa ser contraditório, o perfil profissional exigido pelo Condor prova o quanto nunca tivemos um projeto sério em educação, trabalho e emprego, mas reconheço que de alguma maneira amplia a classe de pequenos consumidores, juntamente com aqueles que ingressarão no serviço público municipal, via concurso. Mas o grande problema está justamente nessa dualidade que mostra o quanto Antonina continuará sendo uma cidade pequena, de profissionais pequenos e de economia pequena.
Para muitos posso parecer um megalomaníaco de ideias faraônicas ou um espartano que vê na dor e na dificuldade a oportunidade para crescermos como sociedade. Essa minha visão se configura pelo que vejo e sinto do Brasil, da sua economia, das políticas sociais, do aumento da classe consumidora e das grandes perspectivas que teremos em médio e longo prazo com o Pré-sal. Antonina precisa ter o seu projeto desenvolvimntista e deixar de ficar eternamente deitada à beira do mar, sobre a tutela do atraso político e religioso que moldam a personalidade do seu povo.
Lembro de ter escrito sobre os motivos que levaram muitos filhos de empregados do Porto e do Matarazzo buscarem novas perspectivas de vida em outras localidades, principalmente em Curitiba. Lá trabalharam, estudaram e constituíram famílias e os que ficaram tiveram que se sujeitar aos “milicianos da política”. Essa casta é fruto do nosso subdesenvolvimento, responsável direta por Antonina não ter um projeto de cidade para seu povo, mais precisamente para os seus jovens. Se analisarmos o perfil do nosso legislativo, veremos que muitos que estão lá há várias legislatura não passam de uma tropa de elite fisiológica que há anos vem forjando sua perpetuação no poder à custa de um assistencialismo danoso da compra do voto em troca de migalhas.
Não quero dizer com isso que abomino o assistencialismo e o avanço do pequeno emprego em Antonina, mas, a meu ver, prova o quão é - e sempre foi - atrofiada a capacidade administrativa, gerencial e legislativa dos nossos representantes. Investir em um projeto educacional é uma saída, mas não é tão somente dar ao jovem capacidade intelectual ou formá-lo técnico, via cursos profissionalizantes; é criar, na política de trabalho e emprego, perspectivas para que ele seja inserido no projeto desenvolvimentista da cidade.
Mas hoje essa perspectiva ainda é remota, haja vista a pouca qualificação exigida para ser um empregado do Supermercado Condor. Assim será com os galpões de entrepostos, que levarão riquezas para outros municípios de economia mais forte, com os empregos na prefeitura e com a abertura de um comércio e outro. Assim também caminhará nossa humanidade, cheia de preguiça e medo para idealizar um projeto sustentável para Antonina, como por exemplo, o turismo que reergueu tantas cidades históricas e hoje colhe seus frutos.
Mas, porém, todavia, contudo, não cabe apenas ao turismo essa solução desenvolvimentista, devido à pequena remuneração que ele oferta à maioria dos seus empregados, tais como garçons, guias, etc.. Uma cidade, como a nossa, precisa desenvolver-se, inclusive, por outras vias para que o jovem possa ascender socialmente, dando-lhe uma nova perspectiva que lhe garanta o pleno emprego e, consequentemente, melhores rendimentos.
A oportunidade está aí batendo à porta da nossa tradição portuária, das nossas potencialidades naturais e culturais. Mas, enquanto isso não acontece, ficamos assim: enquanto el condor pasa, Antonina fica...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O PLANO DIRETOR

O Plano Diretor de Antonina proposto pela prefeitura é objeto de conflito entre a administração e a Associação dos Moradores do Bairro Batel, no que se refere à mudança do uso e ocupação do solo. Pela proposta da prefeitura as regiões KM 4, Barigui e Malvivas seriam utilizadas para a instalação de “depósitos, armazéns gerais, entrepostos, cooperativas e silos”. Não conheço as alegações da prefeitura, mas posso deduzir que uma delas é para evitar o fluxo excessivo de veículos pesados pelas vias centrais da cidade, uma vez que a lei em vigor define a área industrial próximo ao Porto Barão de Tefé. Na outra ponta estão os moradores dos bairros afetados, onde o pólo, segundo a AMBB, traria problemas ambientais e sociais aos seus moradores e pede que a legislação sobre o uso e ocupação do solo não se altere.
No meu ponto de vista nenhuma das propostas dão plenas garantias sobre os possíveis impactos ambientais e sociais e muito menos traz soluções ao tráfego de veículos pesados pelos bairros que seriam afetados e pelas vias internas da cidade.
Antonina, como muitos sabem, só tem uma entrada e saída, além de ser um município de dimensões pequenas. Tudo isso, a meu ver, é resultado da falta de investimento em infra-estrutura e planejamento estratégico, embora considere que o dilema dos moradores dos bairros afetados e da administração, no momento, não seja esse.
É sabido que os custos sociais e ambientais são inerentes ao desenvolvimento devido ao seu caráter imediatista, isto é, muito mais político que estruturante. Não quero dizer com isso que a mudança do plano diretor não traga transtorno sociais e ambientais à população dos bairros Km 4, Barigui e Malvinas, conforme bem colocou a representante da AMBB. Quero sim afirmar que soluções imediatas e sem ônus, no momento, são impossíveis, mas o entrave pode ser revolvido ou amenizado através de estudos de impacto ambiental e propostas estruturantes de médio e longo prazo, previamente acordados entre o executivo, legislativo e os representantes das associações de bairros.
Através de uma visão democrática e republicana caberia a administração propor recursos para construção de novas vias, como por exemplo, a estrada Bairro Alto-BR116, cuja distância é de apenas 13 km, e ali criar seu pólo. Essa premissa se justifica pelo grande equívoco que seria a construção do pólo em área residencial, ocasionando não só transtornos aos moradores como também a inviabilidade de expansão do setor de negócios.
O que vejo de importante em tudo isso é a perspectiva, depois de 40 anos, que o povo de Antonina tem para melhor sua condição de vida e, embora o entrave exista, soluções negociáveis são bem possíveis para o futuro do povo antoninense. O que é preciso levar em consideração é a importância do pólo e as boas conseqüências à economia de Antonina, desde que o empreendimento leve em consideração à qualidade de vida dos moradores, a racionalidade do sistema viário, as condições ambientais e a possibilidade de expansão dos negócios.
Portanto, entre uma e outra proposta, não fico com nenhuma, pois acredito que a lei sobre o uso e ocupação do solo para fins industriais deva contemplar outra região que ainda não sentiu a presença do ‘estado’, como o Bairro Alto e ali criar outra alternativa viária pela BR 116. Quem sabe a CIA (Cidade Industrial de Antonina).

sábado, 4 de fevereiro de 2012

MOTIM NA BAHIA E O BRAÇO DO PSDB

Desde a terça-feira feira, que as ruas de Salvador e das principais cidades do interior da Bahia começaram a esvaziar, tomadas pelo medo que assusta a população por conta da greve de parte dos policiais militares do estado.
O motim é fruto da “revolta” de apenas uma associação de praças da PM, entre as quase 30 que existem no estado. Esta minoria foi às ruas e está acampada na Assembléia Legislativa da Bahia. O que chama a atenção é que em vez de faixas e gritos de ordem, eles usam armas, apontam-nas para cima, ameaçam e amedrontam a população, usam o seu “poder de armados” (porque isso não é polícia) para fechar avenidas e gerar pânico.
O que era para ser uma causa trabalhista, uma greve como acontece com médicos e qualquer outro funcionário público, tornou-se uma causa nacional. Por causa deste pequeno grupo que tenta aterrorizar Salvador, o Governo Federal agiu rapidamente. Preocupado em manter a ordem pública na Bahia, a presidenta Dilma Rousseff já enviou, até este sábado, mais de dois mil militares do exército, quase quinhentos homens da Guarda Nacional de Segurança Pública, além de solicitar apoio da Marinha, Força Aérea e Polícia Rodoviária Federal. O General Gonçalvez Dias, que comanda as ações no estado, disse que se for preciso, mais homens virão, para que a população não seja prejudicada.
O líder dos Policiais que estão em greve é o ex-soldado Marco Prisco, que foi exonerado da corporação em 2002 por causa da atuação abusiva na última greve da PM, em 2001. Sites da Bahia noticiam que ele é filiado ao PSDB e que foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições pelo PTC. Enquanto a população está com medo, a oposição ao governo de Jaques Wagner tentar ganhar espaço político, mas é abafada com as decisões rápidas do governo Dilma.
Hoje, chega a Salvador o Ministro da Justiçam José Eduardo Cardozo, que vai falar das ações das Forças Armadas para tranqüilizar as pessoas. Qualquer reivindicação salário é válida, ainda mais quando se trata da Polícia Militar, instituição fundamental para o crescimento da sociedade. O que não dá para suportar é um motim contra o governo, feito por uma minoria, assustando a população, levantando armas, cenas que vão ao encontro do processo de democracia e respeito à legislação.

Por Amigos do Jekiti
Pelo que andei lendo por aí os demagogos já usam os episódios da Bahia como uma forma de oportunizar seus caminhos para as próximas elições municipais. Convenientemente, agora era hora de bater no PT, mas não duvidem meu povo, que se o jogo mudar o oportunista muda de lado. Ser contraditório na política antoninense é ser 'esperto', é aliar-se ao inimigo para poder, polidamente, destruí-lo perante a opinião pública; mas se isso não ocorrer, pela polidez, garantir seu carguinho para 2013. 

O JOIO E O TRIGO

Por seis votos contra cinco o STJ derrubou a liminar que limita os poderes do Conselho Nacional de Justiça. Agora a Ministra Eliana Calmon tem respaldo para ir atrás dos "bandidos de toga".  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sou gay, e daí?

Faço esta breve postagem indignada por conta de um anônimo de bosta que entra aqui com comentários homofóbicos contra uma pessoa que estimo muito. Na certa este indivíduo é um pobre coitado, digno de pena, embora seja um cafajeste. Este mau caráter deve ser da turma que apoia a violência contra os homossexuais, é a favor do massacre dos pobres do Pinheirinho e acha que a “turma do litro” é um estorvo para a cidade. Esse tipo de gente – se é que pode chamar assim – é bem capaz de professar sua fé vociferando mantras de 'Deus é amor', mas quando está fora da igreja veste a carapuça do carrasco.
Como acho que todo homofóbico é um gay em potencial, mas é covarde e, para não perder mais tempo com este calhorda, digo, para ser solidário com esse amigo, que sou gay, e daí?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O fascismo social e o silêncio conivente da esquerda

Blog Viomundo
Brasil: inimigo meu
por Túlio Muniz

Em Agosto de 2011, o Observatório da Imprensa publicou artigo de minha autoria, Por novos discursos midiáticos, no qual abordei o conceito de “fascismo social”, de Boaventura Santos, e adiantei o que chamo de Dispositivo Pós-Colonial, ou DPC.
Relembrando: o “fascismo social” é “um tipo de regime no qual predomina a lógica dos mercados financeiros em detrimento de grandes setores das populações, gradativamente distanciados e excluídos do campo de direitos sociais adquiridos nas últimas décadas. O risco, alerta Santos, é o da ingovernabilidade”.
Presente no Forum Social de Porto Alegre quando da expulsão dos moradores do Pinheirinho, Santos, ainda que não referisse diretamente ao seu próprio conceito, demonstrou como o “fascismo social” é presente na sociedade brasileira, e reafirmou a necessidade de se contrapor a ações como aquela, que, com o aval do Estado, beneficiam setores dominantes e opressores em detrimento do bem público e social.
O caso do Pinheirinho é grave e preocupante, e alinha-se a outros acontecimentos recentes de violência estatal. Entre outros, estão a carga da polícia militar contra estudantes em São Paulo (USP) e contra professores cearenses, ambos em 2011. Vale lembrar que, já neste ano, a polícia militar foi autorizada pelos governos do Espirítio Santo, do Piauí e de Pernambuco a carregar contra estudantes, em protestos contra reajustes do transporte coletivo.
Aqui há perigo. SP está nas mãos dos debilitados tucanos, do PSDB que há quase duas décadas se aliou à direita financista, mas CE, PI, PE e ES são estados governador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), o que demonstra que as cessões ao “fascismo social” não são exclusivos da direita, extravasaram também para a centro-esquerda, e às vezes com o silêncio conivente de partidos de esquerda.
Nos meio de comunicação convencionais, as abordagens críticas ao “fascimo social”, permanecem restritas aos espaços já consolidados (revista Carta Capital, Rede Record), com raras e bravas exceções, como a do jornalista Ricardo Boechat em seus comentários na Rádio Bandeirantes.
E eis que em meio ao caos ressurge com força o que outrora chamei de DPC, discursos e estratégias que os governos exercem sobre suas próprias populações, “impondo normas que visam tanto a justificar ocupações e dominação de territórios estrangeiros, quanto à imposição de determinações internas. Tais normas são geradas por governantes que necessitam coagir as populações nacionais e são sustentadas e difundidas pela mídia”.
A Rede Globo (não por acaso) permanece sendo o campo privilegiado de propagação do DPC. Se na TV aberta se esboça um certo pudor e contenção, estes se desnudam nos canais fechados da Globo, o que ficou patente em entrevistas recentes conduzidas por Monica Waldvogel.
Para além do bem e do mal, o DPC resulta no que se pretende, ou seja, coagir populações com discurso institucional legalista e higienista, conforme diz a Folha de S.Paulo de domingo, 29 de Janeiro: “Polícia na cracolândia é aprovada por 82% em SP”.
O que fazer nesse campo confuso, onde tanto o “fascismo social” quanto o DPC são gerados à esquerda e à direita? Talvez, estar atentos para o que muitos vem chamando de período pós-institucionais, a eclosão de movimentos não necessariamente estruturados ou vinculados à organizações governamentais e não-governamentais (nesse sentido sugiro leitura de análise de [Emir] Sader, aqui).
Entretanto, permanece relevante o papel de pensadores que se inserem na mídia para tratar de casos que passam ao largo da “neutralidade” jornalística, e exemplo disso é o artigo “Razão, desrazão”, do sociólogo e filósofo Daniel Lins no jornal O POVO de 29 de Janeiro, acerca da violência estatal no Pinheirinho: “A exclusão da loucura emerge no domínio das instituições mediadas pelo enclausuramento psiquiátrico ou social. Exilado em sua diferença intratável, o destino do louco ou do pobre é o confinamento moral, social”.
No mesmo nível de importância no combate ao DPC, estão os sites e blogues no estilo do Observatório, e tantos outros (viomundo, conversaafiada, escrevinhador, luiznassif, cartamaior, etc). Estes, mais do que a mídia convencional, primam pela proximidade entre jornalismo e pensamento. Portanto, parece urgente e preciso, cada vez mais, reforçar e manter a aliança entre opinião e reflexão, esta arma poderosa que causa horror aos jornalões, às TVs e ao poder institucionalizado.
Pinheirinho, polícia contra estudantes e professores, magistrados nababos, prédios desabando, mídia sem regulação. O Brasil, definitivamente, não precisa de inimigos externos.

*Túlio Muniz é jornalista, historiador e doutor em Sociologia pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
PS do Viomundo: Não há combate possível ao fascismo social sem democratização da mídia; mídia concentrada, ascensão social despolitizada — calcada no consumismo — e governo por pesquisas de opinião são ingredientes essenciais para fomentar o “discurso da ordem”, que existe para bloquear a expansão dos direitos sociais.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"É pra botá os bonitão lá"

A frase do título da postagem foi dita por uma moradora e exprime o que há por trás do despejo das 9.000 pessoas do Pinheirinho. O vídeo, além de revelar a truculência da PM paulista, mostra que a ação violenta provém de uma ação entre amigo$ "pra botá os bonitão lá", ou seja, pura especulação financeira.
Não vou aqui chover no molhado em repudiar a truculência da polícia paulista e nem afirmar que o governo de São Paulo usou de má-fé no episódio da desapropriação, porque isso todo  mundo sabe. A minha indignação é para omissa Secretária de Direitos Humanos, que até o momento não se pronunciou e muito menos atuou para apurar os excessos cometidos pela "paulicéia desvairada".
Que a dona Maria do Rosário se esperte!

o vídeo foi "roubado" do Ornitorrinco

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O MASSACRE DO PINHEIRINHO E O NOVO PARADIGMA

Estive acompanhando os noticiários sobre a atuação do governo paulista e da sua PM na reintegração de posse de um terreno no Pinheirinho, bairro de São José dos Campos, no Estado de São Paulo. Na calada da madrugada deste domingo, em nome de um Estado de Direito ridículo e opressor, a PM paulista invadiu o lugar e lá promoveu, mais uma vez, um ato de covardia.
Como a PM fechou todas as entradas e saídas do lugar, não se sabe a quantidade de feridos e nem se há mortos. O que se sabe é que o governador Alkimin usou de má-fé ao quebrar um acordo prévio que fizera com alguns parlamentares do PT e do PSOL, para que houvesse uma solução pacífica para o entrave. O terreno é de propriedade de uma massa falida, cujos dos são Naji Nahas e Daniel Dantas, e lá moravam 1.600 famílias que esperavam, desde 2004, a promessa de regularização das terras pelo governo de São Paulo.
Minha colocação não significa que sou a favor do desrespeito à lei, no caso, à decisão a favor dos pretensos proprietários. Porém, como havia uma negociação em andamento - inclusive com a Secretaria da Presidência da República, Secretaria de Direitos Humanos e Ministério da Justiça -, a forma truculenta e covarde da PM de São Paulo só reforçou a ideia do quanto o governo tucano é reacionário e inepto, como nos casos da cracolâdia e nos episódios da USP.  
Para a sociologia moderna a violência e conflitos são provenientes de um controle social que legitima o Estado a agir justamente contra aqueles que não sentem a presença do próprio Estado. Em nome de um Estado de Direito e defesa do cidadão usa-se mecanismos de controle aos movimentos sociais, em nome de ordem constituída que tem como objetivo proteger justamente àqueles que gozam da cidadania plena. Essas ações são frutos de adaptações ou ajustamentos ao sistema e foram forjados para controlar, vigiar e punir aqueles que desrespeitam os valores legais e culturais constituídos. Essa postura é em nome de uma ordem manifesta e constituída, originárias de um conceito subjetivo que legaliza todo processo repressivo contra os movimentos sociais.
A subjetividade nada mais é que o contexto histórico social analisado pela conjuntura vigente e que dá caráter formal ao processo de violência e enquadramento legal àqueles que quebram as regras estabelecidas por essa ordem. É justamente a lei que defende os interesses do cidadão que violentam àqueles que querem ter sua cidadania respeitada, isto é, são regras provenientes de ideias abstratas que, depois de normalizadas, agem com intuito de subordinar àqueles que querem ver seus direitos reconhecidos pelo Estado.
O caso do massacre dos moradores do Pinheirinho configura-se como sendo o reconhecimento desses valores subjetivos, deletérios, os quais forjaram um paradigma funcional que dá ao Estado o direito legítimo de violentar aqueles que não seguem seu postulado.
No meu ponto de vista o processo que norteará a mudança desses paradigmas está no entendimento dessa realidade nefasta, a qual deve ser manifestada nas urnas o desejo de ter um novo modelo que legitime o direito de todos à cidadania plena. Porém, para isso acontecer é preciso que esses pobres que votam nos tucanos entendam que não querem mais ser massacrados por eles.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Caso BBB, o machismo triunfante e a regulação da mídia

Copiei do Blog Ornitorrinco, do amigo Paulo, o indispensável texto sobre o susposto estupro no BBB
A novela BBB chegou ao fim, ao menos para a minha pessoa. Monique alegou que não sofreu abuso ou estupro, que estava consciente. Fez isso após quatro horas de conversa com a produção e uma hora e meia de depoimento. Fez isso após ser jogada para lá e para cá sem saber direito o que se passava por dois longos dias em que a Globo fez contorcionismo para fingir que nada havia ocorrido, sem lembrar direito do que fez ou não fez, sem poder ver o que havia feito, ou não. Fez isso na companhia de advogados da Globo, e não dela. Que cada um tire suas próprias conclusões, eu tenho cá as minhas.
O caso agora está nas mãos da polícia civil e ministério público do Rio de Janeiro, além do Ministério Público Federal - SP que abriu procedimentos para apurar violação dos direitos da mulher no infeliz programa. Também o Ministério das Comunicações solicitou as gravações à emissora e a Secretaria de políticas para mulheres acompanha o caso.
Os argumentos com os quais tive que me deparar, para variar, transformaram Monique em, no mínimo, "provocadora" do ocorrido. É bastante comum que num circo destes a vítima de um abuso acabe por negar o acontecido por vergonha, medo, principalmente pela forma como foi exposta ao país inteiro como co-responsável pela estupidez que a rede Globo de Televisão deixou que passasse. Talvez tenha falado mais alto o desejo de fama e de dinheiro que afinal é o que leva as pessoas ao programa em questão.
O machismo impera, sorridente, olha pra mim e diz: "viu? Eu disse". É, disse. A TV diz todos os dias, implicita ou explicitamente que nós mulheres é que causamos esta violência toda. E dá-lhe bunda pra lá, silicone pra cá, rainha da beleza, corpo escultural, objeto de desejo. Lugar da violência, como já escrevi e não repetirei.
Então, no pano de fundo, além do machismo que impera e aponta Monique como "a piranha que sabia muito bem o que estava fazendo", mesmo com toda a confusão explícita por parte da moça, em suas manifestações a respeito do que rolou no quarto com Daniel; repousa a regulação da mídia, ou melhor, a falta dela. Não há limites para o desrespeito da Globo com os direitos das pessoas. E não há limite legal que possa ser acionado, porque não há regulação de mídia.
E regulação de mídia não é censura, assim como classificação etária também não é e já está na mira das emissoras para ser derrubada, mas cada vez que se tenta erguer a bandeira da regulação (prevista pela constituição) no Brasil, os justiceiros gritam "censura" e infelizmente não temos o mesmo espaço que eles para colocar nosso contraponto. Temos a rede, mas a rede alcança meros 25% da população, descontando aí a parcela que a utiliza apenas nos grandes portais, pertencentes à mesma mídia. Complicado.
Mas quem tiver acesso, quem está assistindo aos desnudamentos que as redes sociais tem causado à grande mídia, movimento crescente nos últimos anos e principalmente depois das eleições presidenciais de 2010, quem começa a perceber aqui e ali que a grande mídia só faz prejudicar pessoas e inteligências, seja com sua programação pífia, que despreza a riqueza de nossa cultura e decreta que rimas pobres e baixaria é do que gosta "o povo", seja no seu jornalismo parcial que acusa (gratuitamente ou não) a uns e esconde a sujeira de outros, quem percebe precisa tomar as rédeas deste bem precioso que é a comunicação e se unir aos que já batalham por pluralidade de informação e responsabilidade jornalística em nosso país.
Pequenas ações contribuem, desde produzir informação através de blogs, twitter até apenas compartilhar com quem não tem acesso um outro mundo além daquele editado pelas emissoras de televisão. Um mundo de artistas ricos, grandiosos, de músicos talentosos que, perdoem-me, fariam Michel Teló permanecer anônimo ou então o incentivariam a ir além do "ai, se eu te pego". Não, não sou intelectual e não exijo eruditismo em tempo integral. Mas há poesia na simplicidade, basta lembrar de Cartola, Gonzaguinha, Riachão, entre tantos outros que opa! Você sabe quem são? Conhece suas obras? Não. Mas você deve estar por dentro de todos os hits putanheiros da atualidade.
E se tivéssemos, neste país enorme e de grandes contrastes, mais de 5 emissoras de TV aberta (fora as 215165148 TV's religiosas a explorar a miséria humana), se tivéssemos programação regional, se tivéssemos acesso ao mundo real do povo, poderíamos escolher livremente entre uma bobajada e uma poesia, entre um jornalismo grotesco e sensacionalista e um jornalismo sério. Mas pense bem, não temos esta opção. Resta-nos desligar a TV, mas isso também não será a solução, o ser humano quer se ver, quer se refletir, que comunicar e ser comunicado.
E como só a baixaria e a degradação tem dado Ibope, é o que as pessoas (re) produzirão. A discussão vai fundo nas raízes da nossa sociedade doente, mas isto é conversa para uma outra ocasião. Por hoje, desligo a TV ofendida em minha condição de mulher numa sociedade machista e cínica, porém também me sinto orgulhosa. Não engulo mais isso, e sei que aos poucos, muita gente também não vai mais engolir. Talvez não leve tanto tempo assim quanto a gente imagine, já que as emissoras tem tido que rebolar para dar respostas aos questionamentos que nascem na rede. E enquanto isso, eu vou encher o seu saco.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A ORIGEM DA SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

Este texto não é um julgamento e nem uma condenação sumária aos que comentam aqui no anonimato. Os motivos pelos quais uma pessoa usa essa via para se expressar, no meu ponto de vista, não é um ato de covardia e sim de sobrevivência. Alguns anônimos, pelo que sinto, utilizam este espaço para promoverem a sua ordem política através de contundentes críticas aos seus antagonistas. Esses críticos geralmente preocupam-se com o varejo, embora eu não desmereça aqueles que gostam, por exemplo, da cidade limpa; mas essa visão, no meu ponto de vista, se configura como uma incapacidade de enxergar as coisas através de um pensamento crítico mais qualificado.
Parto dessa premissa para recorrer às minhas leituras que tanto me fazem entender algumas coisas sobre relações sociais e políticas. Não vou aqui fazer um tratado político-científico e nem filosófico, pela simples razão que conheço minhas limitações, mas neste caso Nietszche pode me ajudar. Em alguns dos seus escritos ele nos ensina que a política é usada como forma de coerção sobre as massas, através da crença em geral de que só o líder é capaz de dar ao povo o verdadeiro direito à existência. A justificativa para essa conclusão está na sujeição do indivíduo à massa e esta, pela sua postura de rebanho, ao líder político.
A questão que eu tentarei explicar está ligada às críticas anônimas e sua relação com a política. Para mim essas críticas têm um objetivo de promover o líder político para o qual o crítico serve. Como a política é muito dinâmica e segue uma moral própria, esses críticos precisam atuar no anonimato para que não se comprometam com as correntes antagonistas e percam, por suas contradições, a oportunidade de ascenderem socialmente. Geralmente essas pessoas são fisiologistas, isto é, só pensam em seus próprios interesses, pois são desprovidos de consciência coletiva, exceto nos casos em que são forçados a se apresentarem como servidores do povo e assim privilegiarem sua classe política.
O caráter demagógico dessas relações reflete o quanto nossa cultura política tradicional está vinculada apenas ao jogo do poder pelo poder e não na utilização deste para resgatar o seu valor gregário. Uma sociedade que se preze não vive do interesse egoísta de uma casta política e muito menos do fisiologismo dos seus líderes. Ela é o espaço de convivência, de continuação e conservação dos valores éticos e morais, cuja premissa é a valorização dos interesses comuns sobre os interesses individuais.
Como prometi em não fazer um tratado político-filosófico, concluo o assunto com a afirmativa de que as críticas de alguns anônimos originam-se no medo de serem pegos em suas contradições e, por conseguinte, não sobreviverem ao julgamento político e moral da sociedade. Em suma: toda esse disfarce, a meu ver, tanto serve para seus "inimigos", como também para os "amigos" que ele, pretensamente, defende... Eis a origem da sobrevivência.

domingo, 15 de janeiro de 2012

OS BICHOS QUE BROTAM DO CHÃO

Li no facebook do Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, um cometário que me deixou comovido:
“Caro Edú,
Entendo seu estado de espírito.
Passei a noite em claro, junto com minha filha caçula, tentando ajudá-la com as terríveis crises de abstinência e impotente, diante de sua paranóia: ela “via bichos” brotando do chão. Pedia minha ajuda e eu sem nada poder fazer.
O comentário refere-se à postagem do blogueiro que esteve na "cracolândia" em São Paulo e acompanhou de perto o drama vivido por aqueles farrapos humanos. Para piorar a situação deles, o Estado mandou baixar o cacete na "turma da pedra" com o objetivo de apanhar alguns traficantes, bem como forçar os dependentes ao tratamento. Logicamente nenhuma coisa nem outra aconteceu, pois esse problema não resume a um caso de pólícia.
Alguns traficantes foram presos, mas o quadro não só permaneceu o mesmo, como provocou a diáspora dos dependentes pelas ruas do centro da cidade e alguns bairros de São Paulo. O grande erro do governo de São Paulo é tratar o problema daquela gente como caso de polícia e não de saúde pública, direitos humanos e justiça social. A falta de estratégia e inteligência permitiu a proliferação da violência, por parte polícia, tanto que um dos frequentadores da cracolândia, ao ser perguntado sobre qual ajuda gostaria, respondeu que desejaria não apanhar mais.
Não vou aqui dar soluções para isso - porque elas não existem a curto e médio prazo -, mas posso provocar uma discussão sobre as formas de dirimir este problema a longo prazo.
Todos sabem que no Rio de Janeiro o sucesso das UPP's passou por um processo estratégico de longo prazo, depois de tantos anos de equívocos. Durante anos a polícia subiu o morro e lá tentou acabar com o tráfico na base da porrada e, depois que descia, tudo voltava ao normal, provancando não só a desconfiança da comunidade, como também o fortalecimento do tráfico. Claro que o problema das drogas e dos dependentes não foi resolvido, mas a atual política das UPP´s é o primeiro passo.
No meu ponto de vista, a primeira atitude a ser tomada é adotar uma nova consciência para se combater o tráfico e a dependência química. Primeiramente é preciso que o Estado encare a questão como um meio de diminuir a violência através da legalização da maconha e depois criar um controle social daqueles dependentes de drogas pesadas que não querem se tratar, cadastrando-os e os acompanhando psicossocialmente.
Esta política deverá ser adotada por aqueles que atuam na saúde, direitos humanos e justiça, cabendo a segurança pública atuar contra o tráfego. Outro fator relevante seria o Estado adotar uma estratégia junto ao judiciário para aqueles casos em que o dependente gera perigo para si e para a sociedade, adotando mecanismos jurídicos e de ações sociais para o internamento à revelia. Embora saiba que essa lei já exista desde 2002 e a presidente Dilma, neste ano, deu garantias de aplicabilidade, ainda é pouco para que atijanmos bons resultados. Mas para isso acontecer, o Estado deve ser capaz de agir de forma rápida e também assegurar que as clínicas conveniadas ao SUS não atuem como instituições totais, isolando os dependentes entre-muros e os tratando como um bando de deliquentes. Para que na prática esse intento possa surtir bons efeitos é preciso que o governo fiscalize de forma dura as clínicas conveniadas e cobrem resultados efetivos sobre o tratamento dos internos, avaliando não só atuação do corpo clínico e admisntrativo como a evolução ou não do tratamento ao dependente.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O que está acontecendo? (What's going on...)

Este vídeo eu roubei do blog do amigo Cequinel. Nele há um depoimento de um menino americano vítima do preconceito e da intolerância. Ele nos mostra - através de pequenos cartazes - sua tragetória na escola, onde, desde o primeiro grau, vem sofrendo humilações de colegas por ser gay. A pressão foi tanta que ele tentou o suicídio, cortanto os pulsos, quando estava no segundo grau. Mesmo com toda a pressão e sofrimento, ele nos ensina que precisamos ser fortes para vencermos o preconceito, o ódio e a intolerância e que jamais devemos perder a coragem de ser.
Assistam o vídeo e se comovam com a coragem do menino.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

AS BESTAS TRIUNFANTES

Inconformado ainda com o assassinato da indiazinha eu recorri aos meus alfarrábios morais para me ajudarem a entender o que leva o “ser humano” a cometer tamanha violência. Mas sei que não vou encontrar soluções, apenas alguns apócrifos, que talvez sirvam como alento de esperança no homem.
O assassinato dessa menina não é um fato isolado, infelizmente, e nem representa uma desesperança na humanidade; ele é sim a anatomia de um crime forjada por essa ideologia totalitária – política, religiosa e social – que inibe as pessoas de pensarem por si próprias e, consequentemente, avaliarem a imoralidade das suas ações.
Alguns podem discordar, mas a base da nossa civilização e todo contexto histórico e cultural das atrocidades humanas passam pelas lides da política e da religião. Não vou aqui fazer com que os leitores se enfastiem com os vilipêndios cometidos em nome de Deus e do Estado e nem dissecar os meandros da mente humana para encontrar a essência da sua bestialidade. Porém, não posso negar que tanto a essência como a miséria são fatores que podem levar a violência, mas ambas são efeitos e não a causa, isto é, são processos secundários da complexidade da mente humana que inibe a moral e a consciência e dá lugar à servidão cega, pois tudo deve ser feito em nome da ideologia.
Se analisarmos a fundo as últimas declarações de Bento 16 sobre ser contra o casamento homossexual e ainda afirmar que tal relação põe em risco o futuro da humanidade, concluiremos que muitos católicos concordarão com o papa, mas é bem possível que não avaliarão a provável imoralidade do discurso e muito menos o significado de direito á cidadania, pela simples razão que a ideologia o faz por eles.
Para quem leu a obra da socióloga Hannah Arent, As Origens do Totalitarismo, e ou Crime e Castigo, de Dostoievski e assistiu ao filme ou leu livro A Laranja Mecânica, concluirá que a coerção ideológica é um fator desencadeante da violência e, agregada à obscuridade da mente humana, podem se tornar um gatilho que disparará o tiro de misericórdia. Todas essas obras mostram que o indivíduo não só perde a condição de olhar as coisas pela perspectiva do outro, como também, pela mesma relação, apresenta muita indisposição em se comprometer com o pensamento moral, em suma: não se colocam no lugar do outro. 
Os assassinos da indiazinha são esse tipo de gente que seguem uma ideologia de forma cega e atuam conforme seus ditames. Aposto que esses assassinos têm família e aparentemente não devem ter no dia-a-dia uma atitude sádica e monstruosa e nem apresentam uma ameaça para a sociedade. Igual a eles foram os seguidores do nazismo, do fascismo e de tantas outras facções políticas e religiosas, responsáveis pela transformação de pacatos cidadãos numa espécie de subproduto ideológico, que os impedia de pensarem por si mesmos e, consequentemente, avaliarem moralmente os seus atos.
É de lamentar e muito a morte da pequena índia, mas também é de lamentar essa nossa sensação de desperdício que carregamos dentro dos nossos corações e mentes e que ainda nos faz crer no futuro da humanidade, mesmo vendo e sabendo que as bestas triunfantes continuarão nos vendendo pela banalidade do mal.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sobre a Ganância e a Bestialidade "humanas"

Um amigo internauta me enviou o texto abaixo, no qual mostra até que ponto vai a bestialidade do homem. O texto reporta ao assassinato de uma índia de oito anos, da etnia awa-guajá, por madeireiros da região de Arame, no Maranhão. O texto ainda mostra a foto da indazinha queimada, mas por ser uma imagem muito forte, resolvi não portá-la.

por Rogério Tomáz Jr.

Uma criança de oito anos foi queimada viva por madeireiros em Arame, cidade da região central do Maranhão. Enquanto a criança – da etnia awa-guajá – agonizava, os carrascos se divertiam com a cena.
O caso não vai ganhar capa da Veja ou da Folha de São Paulo. Não vai aparecer no Jornal Nacional e não vai merecer um “isso é uma vergonha” do Boris Casoy. Também não vai virar TT no Twitter ou viral no Facebook. Não vai ser um tema de rodas de boteco, como o cãozinho que foi morto por uma enfermeira.
E, obviamente, não vai gerar qualquer passeata da turma do Cansei ou do Cansei 2 (a turma criada no suco de caranguejo que diz combater a corrupção usando máscara do Guy Fawkes e fazendo carinha de indignada na Avenida Paulista ou na Esplanada dos Ministérios).
Entretanto, se amanhã ou depois um índio der um tapa na cara de um fazendeiro ou madeireiro, em Arame ou em qualquer lugar do Brasil, não faltarão editoriais – em jornais, revistas, rádios, TVs e portais – para falar da “selvageria” e das tribos “não civilizadas” e da ameaça que elas representam para as pessoas de bem e para a democracia. Mas isso não vai ocorrer.
E as “pessoas de bem” e bem informadas vão continuar achando que existe “muita terra para pouco índio” e, principalmente, que o progresso no campo é o agronegócio. Que modernos são a CNA e a Kátia Abreu.
A área dos awa-guajá em Arame já está demarcada, mas os latifundiários da região não se importam com a lei. A lei, aliás, são eles que fazem. E ai de quem achar ruim.
Os ruralistas brasileiros – aqueles que dizem que o atual Código Florestal representa uma ameaça à “classe produtora” brasileira – matam dois (sem terra ou quilombola ou sindicalista ou indígena ou pequeno pescador) por semana. E o MST (ou os índios ou os quilombolas) é violento. Ou os sindicatos são radicais.
Os madeireiros que cobiçam o território dos awa-guajá em Arame não cessam um dia de ameaçar, intimidade e agredir os índios.
E a situação é a mesma em todos os rincões do Brasil onde há um povo indígena lutando pela demarcação da sua área. Ou onde existe uma comunidade quilombola reivindicando a posse do seu território ou mesmo resistindo ao assédio de latifundiários que não aceitam as decisões do poder público. E o cenário se repete em acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais.
Até quando?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

OS ESTERIÓTIPOS ANTAGÔNICOS

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO CURADO

É de estarrecer a nota da Agência Estado, dizendo – é literal – que a prefeitura e o Governo de S. Paulo estão buscando usar “dor e sofrimento” como estratégia de combate ao uso de crack.
Seria, em resumo, ir enxotando os usuários e traficantes dos pontos onde se fixam, para forçar os primeiros a buscarem ajuda e os segundos a desistirem do negócio.
Diz o o coordenador anti-drogas da Governo do Estado, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, conhecido como Dr. Laco (sem cedilha, por favor):
- A falta da droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue levar o usuário a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais aquela situação. Dor e o sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda.
E a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antonio, promete até março – até março – que haverá 1.200 vagas para tratamento de dependentes.
O resultado deste genial terapêutica está retratado no portal R7: expulsos da Cracolândia original, proximo à Praça Julio Prestes, na capital paulista, viciados já montaram outra na Zona Sul Paulista e se espalham em pequenos núcleos próximos á região da Luz.
Ora, ninguém pode ser contra ações repressivas que impeçam a formação de “bairros do crack”, nem desconsiderar o direito dos cidadão que moram e trabalham nestas áreas. Nem compreender que, em alguns casos, tenha de ser contida com mais que um “por favor” a agressividade de pessoas fortemente drogadas e nas condições deploráveis que o crack produz.
Mas um profissional e um chefe de um serviço de saúde pública dizer que causar “dor e sofrimento” seja uma ação terapêutica, pelo amor de Deus! Seria voltar aos primórdios da ciência médica, ou dar razão aos inquisidores da Idade Média que pensavam ser a masmorra e a tortura instrumentos de conversão à fé.
Mas aqueles pobres sujeitos, degradados e abandonados, merecem, não é?Certamente o Dr. Laco (sem cedilha, por favor), acompanha a polícia às festas chiques dos Jardins para provocar “dor e sofrimento” para fazer os consumidores de drogas “pedirem ajuda” para se tratar, segundo o mesmo critério terapêutico.
Blog Tijolaço - Brizola Neto

por Amigos do Jekiti

As famílias que enfrentam o problema das drogas adoecem junto com o ente dependente, e os que vivem de perto o problema, sabem que a droga - principalmente o crack - afeta o caráter do indivíduo, tornando-o um delinqüente contumaz, por força da sua necessidade química. A delinquência começa com pequenos furtos e depois passa para os grandes delitos, obrigando o indivíduo a viver em função da sua dependência e das necessidades financeiras do traficante.
Para ampliar o quadro danoso, clínicas “especializadas” no tratamento ao dependente químico não estão preparadas ou interessadas no problema. Muitas delas, que recebem dinheiro do SUS, são instituições totais, isto é, espaços regidos por regras opressoras com o intuito de vigiar e punir, quando deveriam tratar o indivíduo para incluí-lo socialmente.
Como muitos internos estão sujeitos aos sintomas da ansiedade, muitos delitos são cometidos, forçando o corpo administrativo e médico adotar medidas punitivas, as quais vão desde pequenas advertências até a exclusão do interno da clínica e, consequentemente, do tratamento.
Outro fator relevante para agravar o quadro trágico daqueles que convivem com o mundo das drogas é a corrupção policial. Muitos policiais que trabalham diretamente com a repressão às drogas achacam traficantes e dependentes e muitos deles tornam-se usuários. Esta relação entre os estereótipos antagônicos cria uma sensação de impotência e nos leva a crer que o problema das drogas é de impossível solução, por que ela não só corrói as relações afetivas, como também o espírito das instituições.
Em relação a atuação da Prefeitura de São Paulo e do governo do Estado na cracolândia nos leva a crer que o objetivo da operação nada mais é que "limpar" a região daquelas centenas de pessoas para que prevaleça os interesses de uma elite especulativa. O pior é saber que nenhuma autoridade está interessada em aplicar uma política que permita tratar o dependente e prender o traficante, mas sim, favorecer àqueles que hoje combram suas gordas contribuições de campanhas.
O que é preciso não esquecer que a cidade é um espaço de todos - inclusive dos que frequentam a cracolândia -, embora reconheça que para eles banir aquelas pessoas de lá é mais fácil que aplicar políticas públicas.
Mas uma pergunta fica no ar: Onde vão colocar essas pessoas, já que não basta tirá-las de lá? 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ANTONINA PRECISA ENXERGAR O BRASIL

A construção de uma sociedade se dá através dos fenômenos sociais e culturais que atuam direta ou indiretamente em seu povo. A relação causa e efeito é o primeiro parâmetro que devemos estabelecer para que possamos compreender esses fenômenos e, consequentemente, buscar as soluções que originaram o problema.
Problemas sociais de uma sociedade não podem ser compreendidos sem que haja uma profunda análise do seu contexto e para isso deve-se estabelecer um relacionamento entre as suas causas e efeitos para que possamos, não só compreender, como atuar em todas as suas dimensões.
Violência, desemprego, educação, turismo, religião, etc. são fatores sociais que fazem parte do nosso dia-a-dia e servem como ponto de partida para que possamos estabelecer relações uns com os outros, através de discussões sobre as causas e efeitos oriundas desses problemas.
Se olharmos para Antonina, veremos que o Jekiti, o samba no mercado são espaços de sociabilidade e neles as pessoas podem interagir e, consequentemente, discutirem os problemas da cidade. Naturalmente nada tem de científico, mas serve como ponto de partida para que tenhamos um panorama dos problemas que nos aflige.
É evidente que as soluções são mais complexas e muitas vezes são insolúveis, mas a percepção por parte da autoridade já serve para que ele monte um panorama dos problemas.
Uma maneira de compreender esses fatores é saber os motivos que levaram a população de Antonina diminuir de tamanho. O êxodo de famílias à busca de melhores perspectivas de vida foi o fator principal, isto é, o efeito do fenômeno. A causa, a priori, foi a decadência econômica do município desencadeada pela quase paralisação do Porto e o fechamento das Indústrias Matarazzo. Ambas acarretaram uma reação em cadeia, que dizimou o comércio e demais serviços por conta da aniquilação do sindicado dos trabalhadores portuários, no caso.
Logicamente isso carece de um estudo mais sistemático, devido à sua complexidade, mas não impede que compreendamos o problema. Esse fenômeno não revelará apenas as conseqüências dos problemas econômicos da população e sim irá identificar tantos outros, tais como, a má qualidade do ensino, o péssimo atendimento na saúde, o aumento da ociosidade do jovem e do consumo das drogas, por exemplo. De certa maneira uma coisa está ligada a outra e para que Antonina possa dar seu salto para o futuro é imperativo que enxerguemos o Brasil e a sua capacidade de prover ao seu povo o direito de sonhar com seus objetos de desejos. Essa mudança permitiu a ascensão de milhões à classe média e consequentemente ao consumo. A classe C hoje pode sonhar e mais, ir além da sua quimera de anos atrás, quando não lhe era permitido ter acesso aos bens de consumo e possibilitar que um filho seu tivesse uma educação universitária.
Hoje a classe C é fundamental para a economia brasileira e seu consumo é responsável pela criação de muitos empregos, através da abertura de nosvos estabelecimentos que oferecem serviços e, principalmente, alavancar a produção industrial. A solução brasileira serve para Antonina e dá perspectivas amplas para o futuro do seu povo, resgatando não só o seu passado de puljança econômica, como também, prover seu povo de sua ampla cidadania.
Se houver um esforço da sociedade, Antonina poderá se tornar esse Brasil que cresce a olhos vistos. O Pré-sal deve ser a sua redenção e Antonina, pela sua cultura portuária, poderá ser inserido neste contexto, primeiramente formar mão-de-obra especializada para atender a logistica do Pré-sal.
O futuro está aí batendo às portas de Antonina, querendo oportunizar essa extraordinária tendência nacional, representada por essa nova classe popular que aprendeu a sonhar e materializar seus sonhos. Que este ano seja o primeiro ano daqueles que ainda sonham em um dia poder viajar de avião, ter um computador com internet, um carro e uma casa nova e, por fim, vestir um traje de gala e se emocionar com a formatura dos seus filhos na universidade.
Vale a pena lembrar aos pessimistas que olham para Antonina como a terra do já era - e ainda o é - que o governo Dilma, disponibilizou 24 bilhões, em três anos, para formar mão-de-obra através das diversas escolas técnicas espalhadas pelo Brasil. É por essas e outras que Antonina precisa enxergar o Brasil.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento