"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ô CANDIDATO LINDO

Republico postagem de 28/09/2010, para homenagear o "abestado" que deu um sapeca-iaiá na elite quatrocentona... Ô candidato lindo!




O EFEITO TIRIRICA

Há uma onda de indignação sobre a possível eleição de Tiririca para o Congresso Nacional. Com uma estimativa de um milhão de votos o “palhaço” cearense além de ocupar uma cadeira no Congresso Nacional levará consigo dois ou três candidatos de sua legenda. Essa indignação, naturalmente, vem de uma casta que enxergou o Brasil de acordo com a sua hereditariedade cultural colonizadora, que disseminou o escravismo e criou oligopólios em nome da Revolução Industrial.
Essa mentalidade ainda perdura no país e tem uma nova roupagem, chamada neoliberalismo, e que é proveniente de uma ação política e econômica desencadeada nos países desenvolvidos economicamente e incorporada pela velha elite brasileira, que acredita na competitividade de mercado e na máxima de que o mais forte se sobrepõe ao mais fraco.
Mas para essa elite Tiririca não é um incapaz, é um petulante, um personagem audacioso, cheio de embustes e sem consciência tradicional. Mas para muitos ele nada mais é que um Macunaíma sem o caráter daqueles que ainda repudiam essa multiplicidade cultural que foi criada dentro das senzalas, cortiços, morros e guetos.
Logicamente não podemos cobrar desse petulante "palhaço" um entendimento sobre o funcionamento das várias comissões que há no Congresso Nacional e nem indagá-lo como fora feito o processo de capitalização da Petrobras. Tudo isso deve ficar para aqueles de punho de seda, de colarinho branco, que legislam em causa própria e que têm o aval da elite conservadora e da burguesia, os quais só pensam em manter seus status quo. Essa elite ainda é a mesma que atura seus filhos queimarem indigentes nas madrugadas, baterem em prostitutas nas esquinas, matarem homossexuais e índios, por estes não pertencerem a mesma classe social e por serem culturalmente inferiores.
Provavelmente Tiririca não terá uma participação atuante e talvez seja engolido pelas velhas raposas do Congresso Nacional. Mas, com certeza, ele deixará um grande legado para aqueles que têm a mesma origem social da dele, ensinando-os que neste país a oportunidade é para todos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DILMA A PRIMEIRA PRESIDENTA DO BRASIL

Acabei de chegar de Antonina e lá vi Dilma vencer a eleição. Foi um alívio, não nego, pois mesmo, em meu íntimo, tendo a certeza da vitória, minha esperança mórbida ainda temia alguma reviravolta. Tive certeza da vitória logo no primeiro boletim, quando Dilma surgiu com 53% contra 47% de Serra, por saber que ainda faltavam um grande percentual de votos do nordeste. Por volta das 20 horas veio a confirmação do que praticamente eu já sabia: a vitória da esperança contra o medo, da verdade contra mentira. De canal em canal acompanhei tudo de perto e, com meu batimento já regulado, como se estivesse naquele dezembro de 2001, quando meu Atlético foi campeão brasileiro, pude enfim relaxar.
Vi e ouvi com atenção o discurso da nova presidente e ali pude constatar que se tratava de uma verdadeira estadista, quando ela enfatizou que é contra qualquer revanchismo e que governará para todos. Depois Serra falou e, com seu velho ranço de derrotado, com a empáfia de sempre, veio culpar os outros pelos seus fracassos.
No domingo, perderam Serra e Fernando Henrique, como também as forças mais reacionárias e retrógadas desse país e aqueles que, por falta de humildade e espírito democrático, insistiam em desqualificar o desejo popular com relações equivocadas de valores percentuais, como se a relação que serviu para o Estado não servisse para o Brasil.
Nas ruas de Antonina vi uma comemoração tímida, exceto pelo meu primo Gibe (araponga) que saiu com uma bandeira do PT cobrindo o corpo, três carros fazendo buzinaço e alguns foguetes que quebraram o silêncio da noite natural antoninense. Os 66% que votaram em Serra não esboçaram tristeza, nem indignação ou medo pela vitória da "terrorista". A Antonina tucana não lamentou a derrota de Serra, nem nas conversas no Jekiti tiveram maiores destaques, talvez por acharem que Antonina não seja inserida no contexto do novo governo petista, preferindo dar ênfase à política estadual e municipal.
Pela minha ótica, Antonina votou em peso em Serra, muito mais pela falta de empatia em Dilma, que pela percepção de que o tucano era o melhor. Essa constatação foi fácil de identificar em muitas conversas, nas quais reforçavam sobre ela o estigma de guerrilheira, terrorista, e outras coisas do gênero.
A minha visão sobre a vitória de Dilma é mais ampla e atinge Antonina de maneira extremamente positiva. Antonina, no decorrer do governo Dilma, pode ser muito beneficiada, pois as forças políticas ligadas à nova administração podem trazer muitos recursos, principalmente no que concerne ao Pré-Sal. Essa visão não é utópica e pode dar a Antonina uma condição que permita desenvolver políticas voltadas ao trabalho e ao emprego, por conta da posição estratégica do Porto e do Matarazzo.
Para melhor esclarecer, Dilma encara o Pré-Sal através do contrato de partilha, isto é, a União contrata as empresas e as remunera com parte da produção, pois é o governo que tem o controle estrito sobre as reservas. Esta visão é totalmente diferente do regime de concessão, através da qual as empresas exploram a riqueza e se tornam donos dela, em troca pagam royalties à União, Estados e Município.
Este modelo não garante uma ampla aplicação de recursos em políticas públicas, pois os royalties, como no caso do ecológico, não dão essa garantia de investimento, simplesmente porque não se configuram como investimentos transparentes. Com o sistema de partilha, o Porto e o Matarazzo podem ser utilizados como uma espécie de apoio logístico aos trabalhos de exploração, mas para isso a administração municipal deve atuar junto às forças políticas que o apoiam a inserção de Antonina no projeto do Pré-Sal... Por que não?

domingo, 31 de outubro de 2010

PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO

Quando um candidato representa um partido em uma eleição, obrigatoriamente precisa fazer coligações, mesmo que estas apontem alguns antagonismos. A democracia nos ensina que as convergências servem como chave da aliança e que as divergências devem ser negociadas dentro de certos princípios que regem um governo republicano, como o nosso. PT e PMDB são aliados políticos desde 2002 e essa aliança permitiu alguma sustentabilidade para que o governo Lula pudesse governar e, consequentemente, resgatasse, em boa parte, a divida social brasileira. Claro que há muitos desafios pela frente, principalmente na área de segurança, saúde e educação, mas é inegável que houve grandes avanços nessas e em outras áreas, sobrepujando praticamente todos os governos anteriores.
Muitos hão de dizer que PT e PSDB têm muitas coisas em comum e que, na essência, suas políticas seguem a propositura neoliberal. A meu ver isso é uma falácia, pois se analisarmos esses últimos 20 anos de governo desses dois partidos, encontraremos profundas divergências ideológicas, as quais se configuram em suas políticas sociais, econômicas e internacionais.
Quanto ao PSDB vejo-o como um partido, em sua essência, neoliberal, principalmente pelo seu perfil privatista, fundamentado numa propositura de dar ao Estado uma melhor mobilidade para cuidar das necessidades básicas do cidadão e que os ajustes da economia ficariam nas mãos do mercado financeiro. Mas, devido às sucessivas crises mundiais e com o Estado mais fraco, a renda concentrada e, consequentemente, com o aumento do desemprego e da fome, o modelo neoliberal foi posto em xeque.
Aqui no Brasil, Collor pegou o governo com uma inflação galopante, confiscou a poupança, abriu as importações e fez sucessivos planos econômicos. Em seguida veio FHC com o Plano Real, alinhavado pelo governo Itamar Franco, e seu modelo privatista. O Brasil controlou a inflação, privatizou a rodo empresas públicas, mas, como todos sabem, o crédito dessas privatizações não resultou em investimentos em políticas públicas. Essa falta de investimento aumentou a inflação, o desemprego, a pobreza, sucateou os serviços à população em todos os seus níveis e a divida atingiu seu recorde histórico em 500 anos, por conta da subserviência com Washington e o FMI.
O Brasil, endividado e sem capacidade de investimento, praticamente paralisou e FHC saiu do governo com sua popularidade muito baixa, tanto que nas eleições de 2002 foi impedido de aparecer para não atrapalhar a candidatura Serra.
Lula assumiu em janeiro de 2003 e no decorrer desse ano teve que enfrentar uma grande crise, mas conseguiu vencê-la dando ao Banco Central maior autonomia e desonerando as exportações para aumentar o superávit da balança comercial. A partir de 2004, com o Brasil mais equilibrado, Lula pode, enfim, aplicar sua política, conjugando crescimento econômico com justiça social. Os fatores dessas operações estão no crescimento histórico da economia, na redução significativa da pobreza, na ascensão social, na perspectiva de futuro para milhares e milhares de jovens de famílias pobres, através do Prouni e no menor índice de desemprego da história. Para concluir com chave de ouro o governo Lula, sua política de investimento possibilitou que a Petrobrás descobrisse, em águas profundas, o cartão premiado, chamado Pré-Sal. Essa descoberta possibilitará ao Brasil ser um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e, consequentemente, investir ainda mais em políticas públicas, com o intuito de erradicar a pobreza do nosso país e investir em novas tecnologias.
Como tenho certeza que essa eleição tem como objetivo principal o interesse pelo Pré-Sal, ponho como ponto chave a grande diferença entre o que seria o governo do PT e do PSDB. Para este, como já foi dito por dois tucanos ligados a Serra, Veloso e Zylberstajn, o Pré-Sal deveria seguir o mesmo modelo de FHC, ou seja, partilhar os blocos exploradores da riqueza, através da concessão dada às empresas estrangeiras, com o intuito de antecipar receita. Logicamente por trás dessa proposta está o encolhimento da Petrobrás, cuja idéia foi quase viabilizada no governo FHC com a mudança do nome para Petrobrax, com o intuito de atrair o capital estrangeiro para facilitar sua venda. A lógica tucana para viabilizar a privatização do Pré-Sal está na afirmação de FHC de que estatal não serve para comprar e vender petróleo, afirmação esta que deixa bem claro que toda essa sórdida campanha tucana e de seus aliados midiáticos têm um único propósito: entregar a riqueza de nosso país para o capital estrangeiro.
Para sentirem a diferença entre os governo do PT e do PSDB, informo que o governo Lula quer um modelo para o Pré-Sal através de "contratos de partilha", isto é, a União contrata empresas para explorar o petróleo e as remunera com parte da produção, o que faz com que o governo tenha um controle estrito das reservas. Com o modelo do governo Lula para o Pré-Sal o Brasil terá maiores condições de investir cada vez mais em políticas sociais e em novas tecnologias, e foi pensando dessa forma que o governo ampliou sua participação na Petrobrás para 48%, através do processo de capitalização.
Como vimos as diferenças entre PT e PSDB, entre Lula e FHC, entre Dilma e Serra, são estratosféricas e, para facilitar a decisão, deixo minha certeza de que este país só seguirá mudando, para melhor, se Dilma estiver na Presidência da República.

PENSEM NISSO E BOM VOTO A TODOS!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

TERRORISMO ELEITORAL

Quando você imagina que tudo de pior já foi mostrado nesta eleição, chega a turminha do Serra e nos surpreende. Nenhuma campanha anterior foi tão suja, subterrânea, nunca na história recente deste país se conspirou, com tamanha canalhice, contra ética, contra a fé religiosa, contra a opção sexual das pessoas. A proliferação da intolerância, do ódio, do medo, por grupos sexistas e homofóbicos, representados por fundamentalistas religiosos, políticos oportunistas blindados pela mídia golpista, configura-se na maior tentativa de estelionato eleitoral que este país já viu.

Serra e sua turma não medem esforços para conseguir o poder e utilizam como pano de fundo essa “velhacaria” religiosa para que o povo não veja que suas reais pretensões é vender o Pré-Sal, como fez com as dezenas e dezenas de estatais brasileiras, época em que era Ministro do Planejamento de FHC.

Enganam-se aqueles que imaginam ser Serra o defensor da moral e dos bons costumes, o exterminador dos não-cristãos, ateus e os que não têm religião. Serra, para quem o conhece nada mais é que um oportunista, um blasfemador da democracia, um estereótipo do liberalismo canibal, um esquerdista fujão, político de quinta categoria que é capaz de vender a alma ao diabo ou passar com um trator sobre a cabeça da mãe simplesmente porque tem a ambição cega de subir a rampa do planalto.

Serra é um político desagregador, um déspota, um camarada que assumiu o ranço da burguesia reacionária e da velha elite acostumada, desde os tempos da velha república, a golpear pelas costas as instituições democráticas deste país.

Serra é tipo de estadista que no poder vai se curvar aos Estados Unidos e usar o Brasil e suas riquezas para servir aos interesses americanos, porque, para ele, essa “pobretada” sul americana não passa de um bando de comunistas e comedores de criancinhas.

Mas de tudo que já foi dito e provado sobre Serra, o que mais importa é que se FHC e Serra tivessem vendido a Petrobrax, esses 15 milhões de barris de petróleo do Pré-Sal, descorbertos hoje, estariam nas mãos do capital estrangeiro.

Isso nunca pode acontecer.


Adágio, de Albinoni, não merece servir de fundo musical desta canalhice.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

SERRA, O GENÉRICO DE GEORGE BUSH

Uma coisa estranha aconteceu na noite passada em Natal

Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.
Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista. Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.
Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.
Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente. De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.
Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana. Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.
Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano. Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.
Para quem, como eu, vive há 22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos. Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam. O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.
Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos. Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.
Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo. Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.
Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional. Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.
Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista. Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.
Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais. Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.
George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática. Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.
Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.
Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem). No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa. Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.
Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação. Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel. Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadeira enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma .
Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano. Nós merecemos algo muito melhor. Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas, conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.
Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.
Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.
Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos pro mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical. Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!
Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel. Parece inofensivo. Motivo de pilhéria. Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda. Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações aqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.
Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho. Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa, em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.
Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:
Candidato, será que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula. Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!

* Miguel Nicolelis é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. É professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN). Em 2008, foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Denúncia gravíssima de reunião, ontem, de FHC com investidores estrangeiros interessados em privatizações

Copiado do Blog da Hildegard Angel

Recebi hoje este e-mail impressionante. Uma denúncia gravíssima, que já repercute na internet, e que merece ser apurada pela grande imprensa e deve ser sabida por todos os brasileiros, para tirarem dela suas próprias conclusões.
Trata-se do encontro-jantar que houve ontem, em Foz de Iguaçu, reunindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falando em inglês para 150 investidores estrangeiros no Hotel das Cataratas. Exatamente às 21h30m, enquanto os candidatos Dilma Rousseff e José Serra debatiam na RedeTV, e este se esquivava de dar respostas concretas sobre possíveis intenções tucanas de privatizar ainda mais o Brasil, pois bem, naquele exato momento, naquele evento fechado, FHC teria feito uma palestra sobre a privatização da Petrobras, de Itaipu e do Banco do Brasil, além de outras “oportunidades” de negócios no Brasil.
Segundo o jornalista mineiro Laerte Braga, a idéia inicial dos organizadores de realizar o evento no Hotel Internacional foi afastada para evitar presença de jornalistas. Laerte, que acompanhou o evento do lado de fora, recebendo as informações em conta-gotas, afirma em seu texto que FHC assumiu com os empresários o compromisso de venda dessas empresas em nome de José Serra.
Vou transcrever o texto, que está claro, muito bem explicado e no tempo presente de verbo, pois ele postou a matéria enquanto o evento acontecia, suprimindo algumas partes:
"Cada um dos investidores recebeu uma pasta com dados sobre o Brasil, artigos de jornais nacionais e internacionais e descrição detalhada do que José FHC Serra vai vender se for eleito. E além disso os investidores estão sendo concitados a contribuir para a campanha de José FHC Serra, além de instados a pressionar seus parceiros brasileiros e a mídia privada a aumentar o tom da campanha contra Dilma Roussef. Segundo FHC disse a esses empresários logo após ser apresentado pelo organizador do evento, “se deixarmos passar a oportunidade agora jamais conseguiremos vender essas empresas”.
Para o ex-presidente, é fundamental a participação desses grupo na reta final de campanha. A avaliação de FHC é que a campanha de Dilma sofreu um golpe com a introdução do tema religioso (o que foi deliberado pelos tucanos para desviar a atenção das pessoas dos reais objetivos do candidato José FHC Serra). É preciso, na concepção do ex-presidente arrematar o processo derrotando a candidata e impedindo-a de respirar nessa reta final.
O acordo com empresários internacionais em Foz do Iguaçu envolve a instalação de uma base militar norte-americana na região, desejo antigo dos governos dos Estados Unidos.
Para o ex-presidente também não há grandes problemas com a mídia privada “sob nosso controle”, mas é preciso evitar a divulgação de notícias mesmo que sejam pequenas ou de pequenos fatos e que possam prejudicar o projeto de venda do Brasil (...)".
Laerte informa que o evento "foi organizado por Raphael Ekman - Investor Relations at Tarpon Investment Group São Paulo e região, Brasil - que no momento ocupa cargo de Commercial Manager da Globosat (Setor Serviços financeiros)”.
O jornalista conseguiu apurar a participação, no evento, dos senhores Alice Handy, Keith Johnson e Anjum Hussain, CFA, CAIA...
O fato é realmente grave e pode ser visto como um ato contra a soberania brasileira e seria importante tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o candidato José Serra virem a público esclarecer essa denúncia, que foi postada ontem, em texto assinado por Laerte, e pode ser lida no:
http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/10/fhc-esta-acertando-venda-do-brasil-em.html

Nascido em Juiz de Fora, Laerte Braga é jornalista, já tendo trabalhado no mais importante veículo de seu estado, o jornal Estado de Minas, e, no Rio de Janeiro, no Diário Mercantil.

domingo, 17 de outubro de 2010

OS ASPECTOS EXCLUDENTES DE SERRA

Causa-me preocupação a forma pela qual se explora o fator religioso nestas eleições. Os dois segmentos cristãos – Evangélicos e Católicos – usam de subterfúgios para tentarem manipular seus seguidores em relação a temas que nada acrescentam para enriquecer processo democrático, como no caso do aborto. Na internet há vários vídeos desses pregadores com informações distorcidas de que o PT e Dilma querem legalizar o aborto e convocam seus fiéis a uma espécie de guerra santa contra a candidata da situação. Para mim isso se caracteriza uma desinformação e maledicência, pois nunca houve um posicionamento por parte da candidatura Dilma sobre a legalização do aborto e sim uma posição de estadista em tratá-lo como um caso de saúde pública. Mas, devido à proporção que o assunto tomou, ela, numa tentativa de evitar que isso descambasse para o ódio e a intolerância religiosa, posicionou-se de que não levaria ao Congresso nenhum projeto que envolva a questão aborto.
Nossa Constituição define o Brasil como sendo um Estado laico, isto é, um Estado que não seja regido com base em dogmas religiosos. O laicismo nada mais é que a separação ou neutralidade do Estado em relação às questões religiosas, deixando que o cidadão possa se expressar religiosamente com liberdade, em suma: o Estado cuida das questões administrativas e as instituições religiosas cuidam da fé. No meu ponto de vista em relação à questão do aborto deve a igreja cuidar do assunto de acordo com seus dogmas e ao Estado cuidar das questões administrativas concernentes à saúde da mulher. Se conseguirmos entender os papéis de cada instituição, estas definições permitirão que o aborto seja tratado em todos os seus aspectos e deixe de ser instrumento de oportunismo eleitoreiro.
Como a Constituição define o Brasil como Estado laico, cabe Serra, principalmente, entender que seu posicionamento religioso como cristão é, no mínimo, excludente, ao afirmar em panfletos que “só Jesus é a verdade e a justiça” e isso para mim deixa bem claro que os milhões de não cristãos, os que não têm religião e os ateus, para ele, devem ser extirpados da sociedade brasileira. Além de se caracterizar excludente, cria um aspecto de falsidade e hipocrisia, quando ele afirmar que vai governar para todos.
A meu ver, o grande risco que Serra representa é o fim dos princípios democráticos, da liberdade religiosa, de imprensa e expressão e isso se configura nas planfetagens, nos discursos desses velhacos da fé que querem transformar o Brasil num Estado teocrático e dele excluir milhões e milhões que não seguem o cristianismo, os milhões de homossexuais, as milhões de mulheres que por várias razões fizeram o aborto, em síntese: Serra quer governar apenas para 20 milhões de pessoas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

OPORTUNISMO E PEQUENEZ

Há um vídeo no youtube do programa Saia Justa, na GNT, em que mostra Soninha, coordenadora de campanha do Serra, afirmar, constrangida, que fez um aborto, embora fosse contra... e como ainda deve ser. Na certa Soninha, em meio aos seus conflitos, viveu muitos momentos de culpa e medo. Não a julgo pelo que fez, muito menos acho que ela deva ser queimada na fogueira da inquisição ou mereça ser taxada de matadora de criancinha. Soninha deve ter passado por muitas dúvidas e só a mulher que passou por isso sabe o quanto essa decisão é difícil, portanto julgá-la, no mínimo, é um ato de oportunismo e pequenez.
Cá com meus botões, fico aqui imaginando Mônica Serra, numa mesa de reunião de campanha, murmurando no ouvido da Soninha as palavras: assassina, assassina! Claro que não o fez e sou capaz de apostar que se pudesse, confortaria a coordenadora de campanha do marido.
Portanto, de uma vez por todas, é preciso descer do andor da hipocrisia nessas eleições, pois se a gravidez é um estado extremamente delicado para a mulher, imagina para aquela, que por razões diversas, fez o aborto?

SEM BLABLABLÁ LULÍSTICO

O fato de votar em Dilma não me caracteriza como tendencioso. Todas as postagens deste blog são fundamentadas na verdade, no jogo limpo e na formação do senso crítico de quem as lêem - descupem a pretensão.
O mais interessante em nós que votamos em Dilma é que sabemos exatamente as razões pelas quais fizemos nossa escolha, diferente da grande maioria dos eleitores da candidatura tucana, que votam muito mais pelo ódio que sentem pelo PT que pelas qualidades de São José “puxadinho” Serra, o padroeiro das “virgens abortivas”.
Falando sério - embora sem mentir -, essa realidade mostra que o segundo turno se revela como um plebiscito em que há uma polarização dos que são a favor e contra os oitos anos do governo Lula. Logicamente essa visão não é tão simples assim, pois requer uma análise franca e mais detalhada sobre o que aconteceu neste país nos últimos 20 anos. Mas vou poupá-los dos detalhes e dos meandros que diferenciam PT e PSDB, apenas vou colocar suas diferenças básicas e estas têm origem na queda do socialismo e na ascensão do capitalismo.
A ideologia neoliberal tomou conta do mundo nos anos 80. O neoliberalismo tinha, em sua essência, uma propositura privatista, com o intuito de dar ao Estado uma melhor mobilidade para cuidar apenas das necessidades básicas do cidadão e que os ajustes da economia ficariam nas mãos do mercado financeiro. Com as sucessivas crises mundiais, com o Estado mais fraco, a renda concentrada e, conseqüentemente, o com o aumento do desemprego e da fome, o modelo neoliberal foi posto em xeque.
Aqui no Brasil, Collor pegou o governo com uma inflação galopante, confiscou a poupança, abriu as importações e fez sucessivos planos econômicos, todos sem sucesso. Veio FHC com o Plano Real e com seu modelo privatista. O Brasil controlou a inflação, privatizou empresas públicas a rodo, mas o crédito dessas privatizações não resultou em investimentos em políticas públicas. Essa falta de investimento aumentou o desemprego, a pobreza, sucatearam os serviços à população em todos os seus níveis e a dívida do país atingiu seu recorde em 500 anos de história, acarretando quase a quebra do Brasil, em 2003, logo nos primeiros meses do Governo Lula.
Para não ser tendencioso, não vou aqui cometer o delito de encher o saco dos senhores tucanos com os detalhes do que foi feito de bom nesse país, nem como os adeptos da privataria jogaram o Brasil na vala. Paro por aqui e que cada um encontre em suas cacholas tucanas uma razão, mínima sequer, para votar em Serra no dia 31/10. Mas sem aquele blábláblá de guerrilheira, de Erenice, de as Farcs, da mídia latrinoza, do aborto, da homilia do padre raivoso, da serenidade hipócrita do pastor e outros blábláblás pertinentes... Enfim, um paga o dízimo, outro fatura a fé!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DILMA E A AMIGA DA MINHA ESPOSA

Minha esposa me disse esses dias que sua amiga da comunidade anos 70, lhe mandou um email em que narrava seu trabalho pelo TCU junto com Dilma Rousseff. Esse email contava com detalhes como foi a experiência de ter trabalhado com Dilma na época do primeiro mandato do Presidente Lula. No email a amiga contava que ficou impressionada com a seriedade e com o esforço de Dilma em querer resolver os problemas de maneira correta, sempre se fundamentando na Lei. Trabalhou dia e noite, sempre mirando Dilma, vendo-a chegar cedo e sair tarde e mais, tudo que chegava na mão dela tinha solução rápida. Ela ainda disse que Dilma não era carismática, mas era extremamente séria e preocupada com as causas sociais. Para concluir disse à minha esposa que jamais esqueceu aqueles dias no TCU por conta da experiência vivida com Dilma e desde então jamais esqueceu aqueles olhos duros que só os hipócritas não têm.
Passeando pelos blogs comecei a formar melhor minha opinião sobre Dilma. Todos os blogs e páginas sérias de alguma forma confirmaram o que essa amiga da minha esposa pontuou sobre Dilma: pode não ter carisma, mas tem seriedade e é correta. Essa visão aparente se confirma ao analisar sua história, sua luta contra a ditadura, sua coragem em enfrentar os anos de chumbo sem delatar um companheiro, enquanto Serra, com os rabinhos entre as pernas, gozava das benesses de sua pensão como exilado.
Para mim Dilma tem uma missão e essa tem relação com seu passado remoto, época em que lutou e viveu por anos e anos em porões e prisões. Na presidência, com certeza, ela quer remir esse passado de luta, seu projeto de Brasil e, principalmente, seus companheiros mortos e desaparecidos, para depois, quando deixar a Presidência, poder deitar a cabeça no travesseiro e dizer para si: valeu à pena.

domingo, 10 de outubro de 2010

A MÍDIA É UM PARTIDO POLÍTICO?

Hoje li no portal UOL Roberto Civita declarar seu apoio a José Serra, seguindo a mesma premissa do Estado de São Paulo. Segundo o mandatário do Grupo Abril, José Serra tem mais preparo para exercer o cargo maior do país que Dilma Roussef. O fato de Civita apoiar Serra não é o problema e sim a forma pela qual ele vem atuando como instrumento da desinformação. Outro fator é como Civita atuará em relação aos que trabalham em suas empresas e que votam em Dilma. Como ele declarou seu apoio à candidatura de Serra, provavelmente deverá atuar sobre seus comandados através da reportagem do cabresto.
Como a Constituição Federal garante a liberdade de imprensa, Civita está exercendo seu direito legítimo e assim deve ser. Acontece que este direito tem características dualistas, pois ao mesmo tempo em que ele exerce seu direito legítimo, nega a liberdade expressão se algum dos seus jornalistas cometerem algum "delito" de opinião. Uma imprensa que é parcial, não é livre, pois se fundamenta apenas pela unilateralidade, impedindo que o leitor contextualize os fatos e tire conclusões erradas pelo que fora propagado pelo meio de comunicação.
Como exemplo, a colunista do jornal o Estado de São Paulo, Maria Rita Kehl, foi demitida da empresa por escrever em sua coluna um artigo, em que defende o Bolsa Família e aponta, entre outras coisas, que a elite desqualifica o voto do pobre. Neste artigo, publicado em 02/10, Maria Rita, ainda enfatiza a honestidade do jornal em declarar seu apoio a Serra por achar que a discussão fica mais honesta. Mas, a meu ver, essa honestidade colocada por Maria Rita, não qualifica a atitude do jornal como digna, pois as matérias editadas pelo veículo não garantem sua veracidade. Isso seria a mesma coisa que o delito em si deva ser desconsiderado, pelo simples fato de o deliquente tê-lo declarado.
Vejam um fato. Globo e Record fizeram uma reportagem em que Serra vistoriava um trecho de rodovia. A Globo não mostrou a manifestação de moradores que cobrava providências sobre problemas num trecho da estrada, enquanto a Record, na mesma reportagem, mostrou o protesto e foi mais além, permitiu que os telespectadores tivessem acesso a todas informações sobre a obra. (vide postagem Protesto na Record... e na Globo?)
Outra situação foi a divulgação pela Folha de São Paulo, no editorial “A Mesma Síndrome” e na análise "Texto da Casa Civil já é peça simbólica da radicalização do final da campanha" (Eleições 2010, 15/9), de que José Dirceu, numa palestra a petroleiros da Bahia, declarou que no Brasil há “excesso de liberdade de imprensa”. Pelo equívoco a Folha, quinze dias depois, obrigou-se a publicar uma errata reformulando o publicado no Editorial OPINIÂO e no Caderno Eleições 2010, de 15/09 (vide abaixo da postagem).
Portanto, na minha ótica a escolha de Civita e Estadão, por mais que legitima, é um retrocesso, pois presta um desserviço à democracia, pois impedem que todos os leitores tenham acesso à informação e isso, para mim, se configura pela manipulação da notícia. Os princípios democráticos são caracterizados, entre outras coisas, pelo amplo direito do cidadão de ter acesso irrestrito à informação e, com base nela, desenvolver seu senso crítico. Esse posicionamento de Veja e Estado de São Paulo, dão à sociedade uma condição de incerteza, por conta da manipulação da notícia e pela falta de compromisso, em tese, com a verdade, e isso, para mim, se caracteriza como a precariedade da informação, motivada pelos interesses pessoais, econômicos e político dos líderes de cada grupo.

"OPINIÃO (19.SET, PÁG. A2) Diferentemente do publicado no editorial "A mesma síndrome" e na análise "Texto da Casa Civil já é peça simbólica da radicalização do final da campanha" (Eleições 2010, 15/9), José Dirceu não disse, durante encontro com petroleiros na Bahia, que há "excesso de liberdade de imprensa" no país. A frase incorreta constava de relatório sobre o encontro distribuído à imprensa pelo PT da Bahia."

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

OS EXTERMINADORES DO FUTURO

Meu interesse até dia 31/10 é combater a sordidez da direita raivosa que dissemina o medo e a intolerância política e religiosa. Minha humilde contribuição é mostrar na íntegra os acontecimentos para que cada um reflita sobre elas e tire suas conclusões. Não posto nada com meias verdades, trechos cirurgicamente cortados para esconderem o contexto para favorecer a candidata Dilma, simplesmente porque voto nela. Não sou ligado a partido político, não ganho dinheiro de político, nem prolifero inverdades contra a candidatura tucana. Não abro mão de minha independência, pois meu pagamento são os apoios e críticas que recebo e que me fazem amadurecer. 
O que me incitou a esquecer momentaneamente as coisas de Antonina, primeiramente foram os inúmeros emails escabrosos, nos quais proliferaram as mais inapropriadas calúnias sobre uma mulher que aprendi a respeitar pelo seu passado de luta contra a ditadura. Depois foi o vídeo de um padreco raivoso que vomitou ódio e proliferou o medo pela internet, numa tentativa covarde de espalhar um fundamentalismo dogmático, repleto de ódio e ameaças. Também me enojou um vídeo de um pastor tendencioso que, na mais nefasta das manifestações, usou de subterfúgios baratos para induzir seus fiéis a não votarem no PT, alegando que no conteúdo programático consta que o partido é a favor do aborto e do casamento gay, entre outras coisas. Mas até aí tudo bem, pois o pastor tem todo o direito de manifestar seu voto e até mesmo pedir para que seus fiéis votem em A e não em B. Mas o que me indignou foi a maneira descara e mansa - que só os hipócritas tem - de distorcer o que está escrito no PNDH III, dando a entender que parlamentar petista é matador de crianças e quem não seguir esse plano será expulso do partido. (vídeo abaixo)
Essa sordidez que anda pela internet já fez a primeira vítima. Num Colégio de classe média alta de São Paulo, uma menina de nove anos teve a ousadia de falar aos seus coleguinhas que os pais haviam votado na Dilma. Imediatamente seus colegas, entre xingamentos e ameaças, vociferaram para a menina que Dilma era uma assassina de crianças, guerrilheira e ladra. A menina, assustada, correu, mas foi seguida pelos colegas que insistiam em aterrorizá-la com os mesmos impropérios. (link abaixo)
Naturalmente essas crianças que praticaram essa espécie de bullyin eleitoral, não formaram essa opinião através da mídia e da internet, e sim junto ao seio de suas famílias, cuja moral é repleta de preconceito e intolerância. Só torço que essas crianças quando chegarem a juventude não saiam pela madrugada queimando mendigos, surrando travestis, prostitutas e atropelando indígenas em nome do lazer, da moral e dos bons costumes.
Portanto, essas são as consequências desses proliferadores do ódio, terroristas dogmáticos e velhacos da fé, que incutem na mente das pessoas temerem um deus aniquilador, que, para eles, é apenas onipresente dentro das igrejas e que fora dela a lei segue o "evangelho do vale tudo".

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS e o ABORTO

O Brasil é um Estado laico, como confere a Constituição Brasileira, portanto não são as questões religiosas que definem os caminhos do país e dos seus cidadãos.
Em relação ao tema, tenho a dizer que, de acordo com levantamentos, mais de 300 mil brasileiras pobres morrem anualmente em consequência de aborto mal feito. As classes A e B fazem esta prática em clínicas clandestinas aparelhadas e correm pouquíssimos riscos, enquanto as pobres morrem como num açougue, em mãos de leigos, sendo a agulha de tricô e abortivos os instrumentos mais presentes neste ginecídio.
O que o PNDH defende não é a prática do aborto e sim a permissão para que o SUS possa ser aparelhado para socorrer as mulheres pobres, em síntese, incluir o aborto num problema de saúde pública. Esse plano foi discutido com milhares de pessoas ligadas aos movimentos sociais e foi tema discutido na Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que deu forma, feitio ao Projeto de Lei que ainda vai ser votado pelo Congresso Nacional.
Em suma, o que há de verídico em tudo isso é que o PNDH III considera o aborto como tema de saúde pública, mas as penalidades previstas em lei, para quem o pratica, devem continuar vigorando.
Mas a discussão importante não é ser a favor ou contra e sim analisar a realidade do aborto e suas consequências principalmente na camada mais pobre da populção. O aborto é um fato social e este fato não pode ser tratado como se ele fosse apenas uma questão de cunho moral, ético, religioso. Ser contra o aborto por essas questões é uma coisa, mas ser contra ao tratamento em consequência de um aborto mal feito é outra. Particularmente posso ser contra o aborto e considerá-lo como uma prática que interrompe a vida, mas não posso deixar de considerar e ser a favor que os hospitais ofereçam condições para que não haja mais mortes por conta de abortos mal sucedidos.
O que muitas entidades religiosas pregam sobre o aborto estão de acordo com seus dogmas, mas o que elas apregoam sobre o PNDH - guardando as devidas proporções-, é a mesma coisa que ser contra que dependentes químicos sejam tratados porque usam drogas ilícitas, é a mesma coisa que impedir que um portador do HIV seja tratado porque a igreja condena o homosexualismo, é a mesma coisa que não permitir que uma pessoa tenha um julgamento justo por ter cometido um crime de morte. Não quero com isso prevaricar e nem desrespeitar o que os religiosos apregoam sobre a iniquidade, simplesmente porque os danos causados pela prática abortiva possam ser garantidos pela assistência médica. O que proponho é uma reflexão sobre o tema para que a família possa discutir esse assunto pela via moral, religiosa e ética, mas que agregue a essa discussão os danos sociais, psiquicos e físicos causados pelas pressões familiares que levam as jovens a abortos mal sucedidos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Resultado das eleições

O resultado das urnas em Antonina apontou que a atual administração foi a maior beneficiada, pois alguns eleitos que tiveram grande votação são da coligação PT/PMDB, ligada à candidatura Dilma. Com a possível vitória de Dilma a base aliada será naturalmente a coligação vencedora, na qual fazem parte, na esfera federal, André Zacharow, pelo PMDB, Vanhoni, Vargas e Gleisi, pelo PT, todos com grande votação em Antonina. Esse quadro demonstra que a atual administração tem condições de ampliar sua base aliada, desde que saiba lidar com o fisiologismo pmdbista e com os interesses do PT de Vanhoni, Vargas e Gleisi. No âmbito nacional o resultado das urnas deferiu o segundo turno, mas Dilma ainda tem grandes chances de se eleger presidente. Isso não ocorreu no primeiro turno por conta da proliferação de escândalos sem a mínima sustentação de prova, como o da Casa Civil, e por fim a manipulação do segmento religioso com a informação de que Dilma é a favor do aborto. Mas no frigir dos ovos o segundo turno ainda dará maior legitimidade à vitória de Dilma, permitindo que o povo compare a política desenvolvimentista do presidente Lula com os oitos anos de retrocesso do governo FHC. Quanto ao apoio ou não de Marina Silva isso tem pouca relevância, pois o fenômeno Marina foi circunstancial, pois o PV não tem grande representação e seu conteúdo programático fica apenas no discurso de desenvolvimento sustentável, e isso é superficial demais para um Brasil que ainda tem sérios problemas sociais. O desenvolvimento sustentável, proposto pelo PV, não é plano de governo e sim um espécie de manisfesto verde sem amplo conteúde programático. Dilma, se preferir, pode engajar a proposta verde em seu programa de governo, como o fez o Presidente Lula com Marina Silva e tentar resolver o entrave da Usina de Belo Monte, que FHC não teve coragem de tirar do papel.
Outro fator é o grande número de votos nulos, brancos e abstenções que chegaram a quase 30%. Esse grande percentual indica que há uma grande camada da população que está insatisfeita com a política nacional e quer mudanças significativas no processo eleitoral. Há também um grande número de pessoas que não se interessa pelo processo eleitoral e se aliena da política, por achar que esta não o satisfaz. Tudo isso prova que a reforma política deve ser feita e nela discutida a questão do voto distrital e a obrigatoriedade ou não do voto.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

EIS PORQUE VOTO EM DILMA

Colado do Blog O Ornitorrinco

Empresto do Blog de Maria Frô algumas das razões pelas quais voto em Dilma e, ao final, acrescento mais um pouco.

"Diego Casaes é só um exemplo do Brasil de hoje: um jovem negro que saiu da periferia de Salvador, falando inglês com fluência foi para Copenhague cobrir a COP15. Diego além de trabalhar com cultura digital é colaborador do Global Voices e toca um projeto com as dimensões do Eleitor 2010. Ele é só um dos meninos que conheço que não teve seu talento e todas as suas potencialidades assassinadas pela falta de oportunidade de um Brasil que, anterior ao governo Lula, era só exclusão. Diego Casaes foi aluno do Prouni, o mesmo programa que o DEM, partido da coligação do PSDB, quer acabar e para isso entrou com ação de inconstitucionalidade no STF.
O Brasil de hoje do PROUNI está formando mais de 400 médicos filhos de faxineira, empregadas domésticas e uma infinidade de outros trabalhadores braçais que nunca sonharam em ter seus filhos na universidade.
O Brasil de hoje é um Brasil que nos faz ter orgulho de ser brasileiros, apesar de toda a tentativa perversa de uma mídia monopolizada e partidária desmoralizar o presidente mais popular da história do país.
O Brasil de hoje fez a maior capitalização da história mundial de uma empresa, a Petrobras, que cada dia é mais brasileira e que garantiu as riquezas do pré-sal para o povo brasileiro.
O Brasil de hoje tem a chance de eleger em primeiro turno uma mulher com uma história de vida e uma história pública de decência, voltada para a luta contra a ditadura militar e que foi presa e torturada por isso.
Por isso e por todas as realizações do governo Lula – as quais Dilma representa a manutenção e a ampliação dos avanços deste governo transformador – que a cada e-mail perverso que recebo contra Dilma, a cada manchete vergonhosa que leio na mídia que vota em Serra, a cada site fascista, proselitista, reacionário onde leio postagens mentirosas, a cada mensagem estúpida e detratora que leio no twitter, apesar de fazer o meu estômago revirar (nem nos meus piores pesadelos acharia que os adversários pudessem fazer uma campanha tão baixa), aumenta a minha gana para sair às ruas, conversar com as pessoas, discutir política, ouvi-las e dizer porque minha candidata é Dilma Rousseff".

Eu, além das razões que Maria Frô nos aponta aqui, e que belas e emocionantes razões, voto em Dilma Rousseff para honrar a memória e a luta de todos os homens e mulheres assassinados pela ditadura apoiada pela Folha de São Paulo, pelas Organizações Globo, pela Gazeta do Povo, pelo Estado de São Paulo, pela Veja; voto para honrar Carlos Lamarca e Mariguela, por Brizola e por Jango, por Chico Mendes, Margarida Alves, Nativo da Natividade, Wilson Pinheiro, pelos sem-terra assassinados e pelos sem-terra que permanecem intensamente vivos e não se entregam, pelos jovens que nos anos de chumbo lutaram e morreram generosamente e foram ousadamente sonhadores; voto para honrar companheiros e companheiros sindicalistas que construiram a Central Única dos Trabalhadores e, se me permitem, voto por mim e para meus filhos e netos. Bem, eu sei porque voto em Dilma. E você, sabe porque vota em Serra ou em Marina?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O EFEITO TIRIRICA


Por Luiz Henrique Ribeiro da Fonseca

Há uma onda de indignação sobre a possível eleição de Tiririca para o Congresso Nacional. Com uma estimativa de um milhão de votos o “palhaço” cearense além de ocupar uma cadeira no Congresso Nacional levará consigo dois ou três candidatos de sua legenda. Essa indignação, naturalmente, vem de uma casta que enxergou o Brasil de acordo com a sua hereditariedade cultural colonizadora, que disseminou o escravismo e criou oligopólios em nome da Revolução Industrial.
Essa mentalidade ainda perdura no país e tem uma nova roupagem, chamada neoliberalismo, e que é proveniente de uma ação política e econômica desencadeada nos países desenvolvidos economicamente e incorporada pela velha elite brasileira, que acredita na competitividade de mercado e na máxima de que o mais forte se sobrepõe ao mais fraco.
Mas para essa elite Tiririca não é um incapaz, é um petulante, um personagem audacioso, cheio de embustes e sem consciência tradicional. Mas para muitos ele nada mais é que um Macunaíma sem o caráter daqueles que ainda repudiam essa multiplicidade cultural que foi criada dentro das senzalas, cortiços, morros e guetos.
Logicamente não podemos cobrar desse petulante "palhaço" um entendimento sobre o funcionamento das várias comissões que há no Congresso Nacional e nem indagá-lo como fora feito o processo de capitalização da Petrobras. Tudo isso deve ficar para aqueles de punho de seda, de colarinho branco, que legislam em causa própria e que têm o aval da elite conservadora e da burguesia, os quais só pensam em manter seus status quo. Essa elite ainda é a mesma que atura seus filhos queimarem indigentes nas madrugadas, baterem em prostitutas nas esquinas, matarem homossexuais e índios, por estes não pertencerem a mesma classe social e por serem culturalmente inferiores.  
Provavelmente Tiririca não terá uma participação atuante e talvez seja engolido pelas velhas raposas do Congresso Nacional. Mas, com certeza, ele deixará um grande legado para aqueles que têm a mesma origem social da dele, ensinando-os que neste país a oportunidade é para todos.

domingo, 26 de setembro de 2010

A TEORIA DO MEDO


Por Luiz Henrique Ribeiro da Fonseca

O ódio tornou-se um remédio genérico do candidato Serra. Esse ódio tem uma relação direta com o medo pela provável derrota em 03 de Outubro, fato este que o levou a utilizar a mídia como instrumento de ataque contra a candidata Dilma. O ódio de Serra, e também da mídia, ganha um outro ingrediente e este é revestido pelo preconceito da burguesia que sempre estereotipou e estigmatizou o presidente Lula, elegendo-o como seu estereótipo antagônico, por conta da sua origem humilde e baixa escolaridade, numa nítida reação de quem pensa que lugar de peão é na fábrica.
Outro aspecto a ser analisado é a tentativa da mídia de manipular as massas, no sentindo de se impor como o agente da consciência coletiva. Por essa ótica o povo é o objeto do desejo e é para ele que toda ação do ataque é ofertada, utilizando o medo, o ódio e o preco preconceito como arma de campanha contra a candidata Dilma. Mas essa campanha difamatória pela imprensa não se configura como verdade, pois ela se fragmenta na própria trama oposicionista e mostra, pelo resultado das pesquisa, que o povo não aceita mais ser manipulado pelos pretensiosos agentes da consciência nacional.
A meu ver essa consciência popular é um indício da sua maturidade social e política e deixa bem claro que o povo não está mais disposto a servir de massa de manobra daqueles que utilizam o medo, o ódio e o preconceito para conseguir seus intentos.
A razão para essa maturidade está diretamente ligada, pela essência, pela origem social e cultural, que fez com que o povo se identificasse com seu governante e este, pela mesma razão, entendesse e realizasse as necessidades dos seus governados. Portanto, povo e governo, não são antagonistas, pois um se vê no outro, e neste caso o medo, o ódio e o preconceito ficam com aqueles que, equivocadamente, se intitularam os agentes do saber.
É por essa razão que Regina Duarte sente medo, que Arnaldo Jabour e Diego Mainardi sentem ódio e a velha elite continua com seu preconceito. Nisso tudo há uma única verdade e esta está na descoberta de que o povo, sem eles, aprendeu a saber e não sente mais medo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A LIBERTINAGEM DA IMPRENSA

Nos últimos dias presenciamos uma saraivada de denúncias com o intuito de desestabilizar a candidata Dilma, encabeçadas por alguns setores da mídia. Ontem li sobre uma manifestação de intelectuais, apoiando a liberdade de imprensa e expressão, talvez provocada pelas críticas do Presidente Lula que afirmou, em comício, que era a favor da liberdade de imprensa, desde que esta publique a verdade.
É óbvio que o Presidente Lula se sente atingido pelas reportagens e tenta argumentar, com declarações indignadas, toda a sua revolta com a mídia, mas isso não configura censura e sim a opinião de alguém que a todo instante é esculhambado pela imprensa. Tranquilizo os que temem a tesoura do Lula, pois a Constituição Federal proíbe qualquer tipo de censura política, ideológica e artística, e assim deve continuar, pois foram conquistas de anos e anos de luta contra o regime de exceção.
É claro que essa tentativa de desmoralização do Presidente Lula é eleitoreira, vinda de uma mídia que se apropria da onipotência que a legislação lhe dá e se esconde sob o manto da democracia quando critica e quando é criticada berra, esperneia que está sendo vítima da censura.
A liberdade de expressão permite que qualquer meio de comunicação exerça o direito legítimo de fazer oposição ao governo, inclusive permite atuar como se fosse um partido de político. Mas há uma vantagem em tudo isso: alerta o governo para que não incorra no delito da corrupção, nepotismo e tráfico de influência.
Não vejo golpe na velha mídia e sim um anacronismo de quem a dirige dentro de certas ideologias e que estas, muitas vezes, tem preferências por determinada facção política com o intuito de se beneficiar política e financeiramente. Muitas vezes, em nome da liberdade de expressão, usam subterfúgios nefastos para alcançarem seus objetivos e geralmente não pagam o preço porque acham que estão acima do bem e do mal.
Obviamente o que a mídia está fazendo nada mais é que proliferar a porralouquice e dela beneficiar seu candidato tucano, usando todo tipo de acusação contra o governo numa tentativa evidente de implantar o medo na população, como acontecera nos anos sessenta e setenta com as ditaduras na América do Sul. Os que viveram essas décadas sentiram o quanto a mídia serviu de base de sustentação desses golpes, apoiada pelo capital estrangeiro, pelo imperialismo americano, que não só financiou a direita golpista, como também a mídia oportunista.
Logicamente essa mídia não é golpista, repito, é um instrumento que atua como leões de chácara para a elite reacionária, no caso, para a candidatura tucana, que em oito anos de governo a privilegiou com dotação orçamentária da publicidade oficial, diferentemente do governo Lula que a socializou. Isso, na certa, gerou ódio por parte da mídia paulista e carioca, as quais sempre canalizaram todos os recursos da publicidade oficial para seus cofres.
Para finalizar, acredito que a liberdade de imprensa tem um preço e este pode ser a difamação e a mentira, mas como acredito nas instituições, estas serão as chaves julgadoras que iram proteger a democracia e condenar os golpistas, nas urnas e na justiça.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eu não matei Joana D’Arc... Foi a Dilma!

Em entrevista ao radialista João Alberto “araponga”, nos estúdios da então ZYX-6, Rádio Antoninense Ltda., afirmei que a candidata Dilma matou Joana D’arc. O ocorrido foi defronte ao Bar da Abelha, de propriedade de Erasmo, também “araponga”, motivado por uma discussão em que a donzela guerreira afirmou que o goleiro Barbosa falhou no gol do Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1950. Dilma irritada com a afirmação peremptória da Virgem de Órleans, sacou de um charuto cubano, que ganhara de Fidel, e bateu na cabeça da vítima, esfacelando o cerebelo da pobre virgem. Foram testemunhas do ocorrido Antoninho “esmaga pinto”, Vitor “pinto de vela” e o estagiário da IAM (Imprensa Alcione, a Marrom) e futuro cineasta fracassado, Arnaldo Rumor, que imediatamente tentou vender a história ao Jornal de Antonina, mas não obteve êxito porque a proprietária, como membro da Liga das Senhoras Católicas de Antonina, preferiu abafar o caso por conta do processo de canonização da Virgem de Loraine
Contei ainda a João Alberto, que fora pego como bode expiatório e que só não cumpri pena pesada em Guantanamo porque o psiquiatra disse em seu depoimento que eu não estava no meu juízo perfeito, devido ao excesso de golfadas do absinto guarapirocabano e acabei parando no Juquiri. João Alberto, como um jornalista atendo, perguntou se eu tinha provas sobre o crime, no ato me espantei com a pergunta, como se para acusar alguém neste país precisasse de provas concretas e disse também que a Imprensa Alcione, a Marron me procurou para uma matéria de capa, na qual um dragão vermelho solta baforadas pelas ventosas em nome da moral e dos bons costumes da candidatura que se "enserra".
João Alberto, antes do encerramento, me disse que o microfone da "Sentinela Democrática do Ar" estava à minha disposição e me pediu que fisesse uma breve consideração sobre o ocorrido. Agradeci a oportunidade e encerrei, afirmando:
“Ontem eu nem a vi, sei que eu não tenho álibi, mas eu não matei Joana D’arc... Foi a Dilma”!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A HIPOCRISIA E O PRECONCEITO DA ELITE REACIONÁRIA


Por Luiz Henrique Ribeiro da Fonseca

Permitam-me postar uma opinião sobre a qual não se refere diretamente a Antonina. É que eu não aguento mais receber emails nos quais a candidata Dilma, do PT, é achincalhada em sua moral, postura e estética. Esses emails mostram uma Dilma medonha, horrorosa, guerrilheira e ladra, como se as barbaridades do período da ditadura fossem esquecidas, como se os bandidos fossem aqueles que lutaram contra o regime militar. Outro que sofre preconceito é o presidente Lula simplesmente porque não teve estudo e como se não bastasse ainda é chamado de beberrão e caipira por gostar de futebol e por não abrir o palácio para dar de comer a elite reacionária desse país. Essa caipirisse do Lula ofende, agride aqueles de roupa de seda, aqueles culturalmente superiores que tentam influenciar uma burguesia que tem como maior desejo ascender socialmente e esquecer suas origens.
Isso nada mais é que um preconceito de uma “elite” conservadora e burra, tradicional e pouco produtiva, um preconceito de classe que ainda perpetua em nosso país. No Brasil fomos habituados com certos princípios de que é na alta sociedade que estão os verdadeiros cavalheiros e damas, os verdadeiros donos do saber e os únicos capazes de modificar os rumos de uma sociedade. Mas na verdade essa elite que ainda convive com a hipocrisia dos salões soçaites não suporta ver a ascensão de uma nova classe que abriu caminhos a cotoveladas, que soube o significado do trabalho, da perseverança e que ainda cultiva suas origens.
Essa nova elite prefere gerar riqueza, dar empregos, descentralizar a renda, cuidar para que as diferenças sociais não sejam tão significativas, ao contrário daqueles que optam pela especulação, que concentram riqueza e compram obras de arte apenas como investimento. Essa elite retrógada abomina a política social, pois não suporta ver os mais humildes dividir a sala de aula com seus filhos, não suporta vê-los comer a mesma carne, ver as ruas cheias de carros populares e dividir espaços em aviões comerciais.
Há também uma elite que nasceu pobre e ainda mantém o ranço da pobreza, que por conveniência assumiu o código das elites e se transformou num insensível tecnocrata, pois como veio de baixo abomina aqueles que ainda dependem de programas sociais para ascenderem profissionalmente.
O que essa elite reacionária não quer é uma política social que oportunize educação e emprego, subsistência e consumo, ascensão social e independência, simplesmente porque ela acredita na caridade dos salões de chá, do patronato hospitalar, da esmola no sinal de trânsito, pois essas ações, além de manterem a distância, mantêm a subserviência.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento