"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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segunda-feira, 9 de abril de 2012

O caso Demóstenes Torres e as raposas no galinheiro

Por Maria Inês Nassif

O rumoroso caso Demóstenes Torres (DEM-GO) não é apenas mais um caso de corrupção denunciado pelo Ministério Público. É uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.
Teoricamente, todos os jornais e jornalistas sabiam quem foram os arautos da moralidade por eles eleitos nos últimos anos: representantes da política tradicional, que fizeram suas carreiras políticas à base de dominação da política local, que ocuparam cargos de governos passados sem nenhuma honra, que construíram seus impérios políticos e suas riquezas pessoais com favores de Estado, que estabeleceram relações profícuas e férteis com setores do empresariado com interesses diretos em assuntos de governo.
Foram políticos com esse perfil os escolhidos pelos meios de comunicação para vigiar a lisura de governos. Botaram raposas no galinheiro.
Nesse período, algumas denúncias eram verdadeiras, outras, não. Mas os mecanismos de produção de sensos comuns foram acionados independentemente da realidade dos fatos. Demóstenes Torres, o amigo íntimo do bicheiro, tornou-se autoridade máxima em assuntos éticos. Produziu os escândalos que quis, divulgou-os com estardalhaço. Sem ir muito longe, basta lembrar a “denúncia” de grampo supostamente feita pelo Poder Executivo no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, então presidente da mais alta Corte do país. Era inverossímil: jamais alguém ouviu a escuta supostamente feita de uma conversa telefônica entre Demóstenes, o amigo do bicheiro, e Mendes, o amigo de Demóstenes.
Os meios de comunicação receberam a suposta transcrição de um grampo, onde Demóstenes elogia o amigo Mendes, e Mendes elogia o amigo Demóstenes, e ambos se auto-elegem os guardiões da moralidade contra um governo ditatorial e corrupto. Contando a história depois de tanto tempo, e depois de tantos escândalos Demóstenes correndo por baixo da ponte, parece piada. Mas os meios de comunicação engoliram a estória sem precisar de água. O show midiático produzido em torno do episódio transformou uma ridícula encenação em verdade.
A estratégia do show midiático é conhecida desde os primórdios da imprensa. Joga-se uma notícia de forma sensacionalista (já dizia isso Antonio Gramsci, no início do século passado, atribuindo essa prática a uma “ imprensa marrom”), que é alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e lhes é conferida a credibilidade de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. No final de uma explosão de pânico como essa, o consumo de uma tapioca torna-se crime contra o Estado, e é colocado no mesmo nível do que uma licitação fraudulenta. A mentira torna-se verdade pela repetição. E a verdade é o segredo que Demóstenes – aquele que decide, com seus amigos, quem vai ser o alvo da vez – não revela.
Convenha-se que, nos últimos anos, no mínimo ficou confusa a medida de gravidade dos fatos; no outro limite, tornou-se duvidosa a veracidade das denúncias. A participação da mídia na construção e destruição de reputações foi imensa. Demóstenes não seria Demóstenes se não tivesse tanto espaço para divulgação de suas armações. Os jornais, tevês e revistas não teriam construído um Demóstenes se não tivessem caído em todas as armadilhas construídas por ele para destruir inimigos, favorecer amigos ou chantagear governos. Os interesses econômicos e ideológicos da mídia construíram relações de cumplicidade onde a última coisa que contou foi a verdade.
Ao final dos fatos, constata-se, ao longo de um mandato de oito anos, mais um ano do segundo mandato, uma sólida relação entre Demóstenes e a mídia que, com ou sem consciência dos profissionais de imprensa, conseguiu curvar um país inteiro aos interesses de uma quadrilha sediada em Goiás.
Interesses da máfia dos jogos transitaram por esse esquema de poder. E os interesses abarcavam os mais variados negócios que se possa fazer com governos, parlamentos e Justiça: aprovação de leis, regras de licitação, empregos públicos, acompanhamento de ações no Judiciário. Por conta de um interesse político da grande mídia, o Brasil tornou-se refém de Demóstenes, do bicheiro e dos amigos de ambos no poder.
Não foi a mídia que desmascarou Demóstenes: a investigação sobre ele acontece há um bom tempo no âmbito da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Nesse meio tempo, os meios de comunicação foram reféns de um desconhecido personagem de Goiás, que se tornou em pouco tempo o porta-voz da moralidade. A criatura depõe contra seus criadores.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Minissérie da Globo associa servidores e centrais sindicais à corrupção

E eis que a TV Globo volta à pauta, novamente por razões pouco nobres. As redes sociais já têm batido na tecla dos interesses escusos por trás da minissérie “O Brado Retumbante”, e aos poucos a própria emissora vai confirmando tais intenções. Em seu terceiro capítulo, o folhetim associa os trabalhadores do serviço público do país e as centrais sindicais à corrupção. Tudo muito sutil, com o cuidado necessário para evitar futuros problemas na Justiça.
Logo no começo do capítulo desta quinta-feira (20), Paulo Ventura, sósia de Aécio Neves que cai de paraquedas na cadeira de presidente da República, anuncia à nação o envio ao Congresso de um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que cria a Lei de Responsabilidade Pública, cujo texto prevê punição dobrada a qualquer tipo de delito cometido por agentes públicos, quer sejam servidores, parlamentares, ministros de estado ou juízes. Em seguida, durante o jantar, o mandatário reclama à primeira-dama: “Parece que a grita vai ser grande. As centrais sindicais já ameaçaram greve geral por tempo indeterminado se a lei da ‘responsa’ for aprovada”.
Corta a cena. As emissoras de TV repercutem o conteúdo da lei, otimistas por sua aprovação. Mais um corte, desta vez para um cenário tomado pela penumbra, no qual deputados e senadores corruptos articulam um meio de arquivar a referida PEC. Algumas cenas à frente, ao sair do teatro, o presidente é apupado por manifestantes, identificados como servidores, que seguram cartazes com os seguintes dizeres: “Funcionários públicos repudiam perseguição” e “abaixo o autoritarismo”.
Durante o discurso à nação, o presidente fictício avisa que “minorias organizadas” vão tentar derrubar a PEC e faz uma proposta: “Estou aqui para convidar a maioria desorganizada para defendê-lo”, referindo-se ao projeto. Qualquer semelhança com as convocações feitas por figuras como Reinaldo Azevedo para as “marchas contra a corrupção” ocorridas no ano passado são mera coincidência.
O ataque é bem articulado, mas está longe de ser uma novidade. Desde os tempos de Getúlio Vargas, os veículos de Roberto Marinho e a chamada “grande mídia” em geral associam o sindicalismo e qualquer forma de organização de trabalhadores à baderna, à mamata pública e à corrupção. Milhares de páginas de jornais e revistas já foram dedicadas a martelar nos cérebros da população as “verdades” do Partido da Imprensa Golpista (PIG), obviamente sem nunca exibir quem foram os corruptores da história. Muda-se a forma, mas o conteúdo está longe de ser original.

Descompasso
A eleição de Lula para a Presidência vai completar uma década em outubro deste ano, mas a mídia brasileira, com a TV Globo à frente, ainda está longe de se conformar com as mudanças pelas quais o Brasil vem passando – apesar de também se beneficiar delas. Se o Brasil caminha atualmente para um futuro com mais desenvolvimento e menos desigualdade, esse novo cenário se deve em grande parte às lutas travadas pela classe trabalhadora e suas diversas formas de organização, apesar de toda a gritaria antipopular orquestrada pelos meios de comunicação.
Felizmente, com a internet esse tipo de carimbo sobre movimentos populares aos poucos vai deixando de surtir o efeito de outrora. “O Brado Retumbante”, “Veja”, o “Jornal Nacional” ou a “Gazeta de Jequitinhonha” têm todo o direito de gerar um debate sobre corrupção – ou qualquer tema delicado – na sociedade, mas precisam fazê-lo com responsabilidade e, sobretudo, honestidade. Em tempos de agressões com bolinha de papel e crimes em reality shows, a Globo demonstra não ter assimilado qualquer lição desses recentes fatos – e tampouco compreender os anseios de sua audiência.
do Blog do Moacir Soares

Por Amigos do Jekiti
Sou funcionário público, como meu pai e minha mãe, como minhas tias, meu avô e minha esposa. Vivi no meio deles e com eles aprendi o significado da palavra servir (servidor). Por muitos anos acompanhei meu pai chegar tarde em casa por conta da extenuante tarefa de fechar o 'caixa' e ver minha mãe, até altas horas, corrigir provas porque tinha que cumprir com o seu calendário escolar. Foi assim com minhas tias professoras e meu avô "carvalhinho", que morreu pobre devido à sua aposentadoria minguada de servidor municipal.
Quando ingressei no serviço público, em 1980, levei comigo essas imagens e exemplos e, depois de alguns no serviço público, encontrei outra servidora, com a qual me casei. Durante os 32 anos como servidor público - que sentiu na pele a falta de um Plano de Cargos e Salários decente, que conviveu com o sucateamento dos serviços prestados à população e teve que fazer malabarismos financeiros devido à defasagem salarial - jamais me esqueci dos paradigmas que meus pais, tias, avô e esposa foram e são para mim.
Hoje, prestes a me aposentar, olho para TV e me sinto ofendido com a tentativa espúria da Rede Globo em querer desmoralizar a carreira do servidor público, como se nela houvesse uma gangue que só quer roubar o erário público.
Por meus pais, tias, avô, esposa e colegas, que exercem e exerceram com dignidade suas funções públicas, deixo aqui meu brado retumbante de repúdio à Rede Globo de Televisão, pelo conteúdo demagógico e ofensivo da sua minissérie aos servidores públicos deste país.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

RATATOUILLE TUCANA

O comentário do amigo Henrique obrigou-me a fazer essa postagem para que os leitores saibam o que a velha mídia, por convenviência, não comenta. É notório que há um plano de desestabelização do governo Dilma, com o único objetivo de botar no planalto a velha política neoliberal - privatista e colonizada - comandada pelos tucanos. Só os mais igênuos não são capazes de enxergar essa tentativa de golpe da velha mídia em querer minar ministro por ministro até atingir à presidenta Dilma.
As razões são muitas, mas as principais são os favores que a  velha mídia recebeu dos tucanos com a lei dos 20% do capital estrangeiro, concentração das verbas publicitárias para os grandes meios de comunicação e o por fim o financiamento a Globo, conhecida como Proer da mídia.
Fico por aqui, deixando o pertinente comentário do amigo Henrique:

Para aqueles que adoram ratos e tem saudades dos tempos do FHC, aqui vai uma resenha para brasileiro nenhum esquecer.
Os ratos das 100 CPIs engavetadas na Assembléia Legislativa de São Paulo, Estado governado pelo PSDB há quase 20 anos consecutivos.

O RANKING DOS RATOS NO BRASIL

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral – TSE – o ranking da corrupção no Brasil foi o seguinte, medido pela quantidade de políticos cassados por corrupção desde o ano de 2000:

Ordem – Partido – Nº de cassados

1º) DEM (69);

2º) PMDB (66);

3º) PSDB (58);

4º) PP (26)

5º) PTB (24);

6º) PDT (23);

7º) PR (17);

8º) PPS (14);

9º) PT (10);

10º) PV, PHS, PRONA, PRP (1).

Nem o mais revoltoso, faccioso, parcial, sectário, apaixonado oposicionista ao governo Lula conseguirá citar um décimo que seja destas ações republicanas que tenham sido feitas pelo gov/FHC/PSDB. Não saem de nossa memória, os RATOS e/ou escândalos no governo FHC:

- dos Anões do Orçamento,

- dos precatórios,

- do DNER,

- da compra de votos para a reeleição em 1998,a R$200.000,00 por cabeça votante,

- da Sudene,

- da Sudam,

- do Fat/Planfor,

- das Privatizações,

- do Proer,

- da pasta Rosa,

- do Banestado,

- dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, - etc, etc....

MAIS RATOS:

Mas o que mesmo foi feito de combate sistemático à corrupção pelo governo tucano ?

Quem não se lembra da figura do “engavetador-geral da República”?

Será que os brasileiros sabem dos RATOS dos escândalos:

- dos Sanguessugas,

- dos Vampiros,

- dos Gafanhotos,

- do Propinoduto da Receita,

- do Gabiru,

- da Confraria,

- da Navalha,

- do Valerioduto,

- etc, etc...

Será que os brasileiros sabem que estes RATOS e tantos outros foram revelados durante o governo Lula mas tinham origem em governos anteriores?

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento