"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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sábado, 31 de março de 2012

ANTONINA, A CAPITAL DA MÚSICA

Uma discussão leva a outra e esta acaba desenvolvendo uma ideia, um projeto. A história da Faculdade de Musica de Antonina está fazendo esse papel e pode trazer nova perspectiva para o turismo da nossa cidade. Transformar Antonina na capital música é uma grande ideia, mas requer planejamento, empenho das entidades ligadas ao assunto e, principalmente, vontade política.
Se hoje nós temos uma cultura musical é por conta de uma conjuntura histórica, cujo contexto nos remete a acreditar que Antonina realmente é a capital da música. Embora a decadência econômica nos trouxesse a baixa autoestima, por outro lado nos oferece uma oportunidade de crescimento, através do resgate da nossa tradição cultural, desde que superemos nosso autofagismo e preguiça.
Mas para isso é preciso que entendamos que na outra ponta está a Antonina daqueles que se utilizam da falta de perspectiva de um povo e fazem dele um trampolim, uma escada para ascenderem socialmente. Não é à toa que em uma cidade pequena, cujo povo tem muitas carências, esses falsos profetas, pseudos messias, mães e pais de podres mais se proliferam. São pragas e parasitas que olham para o bem próprio, que sofrem de incapacidade inventiva, mas que são virtuosos quando olham para o povo e através dele oportunizam seus projetos pessoais e políticos.
No mote dessas duas inflexões, vos digo que para Antonina se transformar na capital da música, em primeiro lugar, é preciso que revejamos nossa configuração política e, se for o caso, transformá-la em algo que atenda às oportunidades da nossa expressão cultural. Não se enganem quanto a isso, pois só a política é capaz dessa transformação.
Enquanto isso não acontece, não vejo nada demais que alguns empresários se reúnam para aumentar o fluxo de clientes em seus estabelecimentos comerciais e com isso terem um melhor rendimento. Tudo isso é possível e louvável – haja vista o Antonina Weekend -, mas os resultados, ainda que melhores, serão pequenos, sem o viés político.
A Faculdade de Música, Antonina, Capital da Música, o turismo forte, dependerão, em sua maior parte, da atitude política, e tais intentos só serão possíveis se o antoninense entender que é preciso revitalizar o legislativo, principalmente, e colocar lá pessoas que tenham compromisso com um projeto de cidade, e não pessoal.
O PT seria um bom caminho, porque nunca foi testado em Antonina e já provou, em outras cidades e no país, que sabe como fazer. Mas para isso será preciso ter competência eleitoral, isto é, fazer coligações com grupos que assumam o compromisso com um projeto de cidade e, principalmente, fazer com que o povo o entenda seu discurso. Agora, se isso não acontecer, Canduca tem tudo para continuar, porque tem a máquina na mão, fez uma razoável administração e, em Antonina, até agora, não apareceu uma liderança para mudar esse quadro.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fotografia como instrumento de ação social



Exposição Fotográfica: "FOTOGRAFIA EM TRANSE" - ANTONINA 2011
A cidade de Antonina, fortemente castigada pelas chuvas em março deste ano, recebe durante sábado, dia 25 de junho, a exposição "Fotografia em Transe". As imagens de 15 fotógrafos chamam a atenção pela destruição de casas e o impacto causado sobre a população. Mas também explora o sentimento de esperança e renovação. “Para que a tragédia da cidade não seja esquecida, decidimos fazer a diferença por meio da arte e da fotografia”, explica Nilo Biazzetto Neto, diretor da Escola Portfolio.
"Vamos fazer a diferença através da Arte e da Fotografia"A comemoração começa às 11 hrs da manhã com um almoço na Cantina Casa Verde. Porém, a festa não para por aí. À noite (20hrs) faremos uma projeção de imagens na Igreja da Matriz de Antonina, seguida de mais festa na Cantina Casa Verde!
Participam da exposição os seguintes fotógrafos: Ana Carolina dos Santos Marques, Eduardo Macarios, Francisco Santos, Gus Benke, Irene Schiller, Jeffrey Shimizu, Kris Foltran, Lucas Pontes, Melanie d'Haese, Melissa Andreata, Nilo Biazzetto Neto, Orlando Azevedo, Rodrigo Janasievicz, Sergio Vanalli.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

OLHO NO OLHO

Como de costume posto alguns comentários que considero pertinentes para um bom debate sobre as causas de Antonina. Abaixo coloco as justificativas do padre Marcos sobre a locação do imóvel ao restaurante Bunganvill, cujo contrato foi feito pela Mitra Diocesana. Logo após as colocações do padre Marcos, exponho as minhas sobre o caso.

por padre Marcos
Considerando tantos comentários infundados, sem conhecimento de causa, resolvi s. esclarecer algumas coisas. Não sou muito de escrever em blog, gosto de olho-no-olho, mas como quem aqui escreve não se identifica, esclareço:
Quem pediu o prédio não foi a Igreja católica de Antonina, mas sim, a Mitra Diocesana. Foi feito o pedido em janeiro de 2011 para ser entregue em março de 2011 (conforme manda a lei, 3 meses de antecedência), mas como houve muita reclamação por parte do locatário, resolveu-se dar um ano de prazo para que o mesmo fosse entregue. Tudo dentro da lei.
Desde que aqui cheguei, em abril de 2008, senti a necessidade de providenciar um Centro de Catequese para as Crianças e depois de dois anos, iria comprar um terreno para construir, porém, ao falar com o Bispo, ele disse que a Mitra pediria a devolução do prédio onde está o Restaurante, portanto, que não era necessário comprar terreno e nem construir.
Em relação a alguns comentários digo, estão no direito de vocês, pois vivemos em uma democracia, vocês podem falar e pensar o que quiser, porém, como não tenho sangue de barata digo: quando aqui cheguei a Paróquia tinha menos de cem dizimistas hoje são quase quatrocentos, não sou unanimidade graças a Deus, pois toda unanimidade é burra.
Para o governo de quem escreveu sem se identificar, que eu expulsei pessoas da igreja, entenda, em toda Paróquia tem um Conselho que deve ser renovado a cada dois anos, e simplesmente, se renovou aquele conselho, bem como, o conselho que entrou em 2009 e já foi renovado em 2011.
Em nenhum momento eu participei de alguma negociação em relação ao locatário, o que me cabe é obedecer unicamente ao meu Bispo.
Desde que aqui cheguei tenho trabalho incansavelmente por esta cidade e o que a gente recebe de recompensa são esses comentários de pessoas que nem a coragem de se identificar tem. Mas como já disse, nós vivemos em uma democracia, portanto, fale o que quiser. Como sempre falo, sou só o Padre, que tenta fazer a sua parte de cristão e cidadão. Se o restaurante é tão bom como estão falando, se abrir em outro lugar, vai fazer o mesmo sucesso, o que eu acredito que sim. O fato é que naquele lugar será o Centro de Catequese da Paróquia, pois as crianças também merecem um local adequado para aprenderem as coisas de Deus.
Muitas dessas pessoas que aqui escrevem sem se identificar um dia vão precisar da igreja, como todo mundo um dia precisa, e eu estarei lá, pronto para atender com muita educação e respeito como sempre faço com todos que me procuram.
Concluo, respeito a opinião de todos, amo o lugar que moro, faço o possível e o impossível para melhorar o que está ao alcance das minhas mãos e em assuntos da Igreja tento ser o mais imparcial possível, tomando as decisões sempre em conselho, nunca sozinho, não me deixo ser manipulado, tenho opinião própria, porém tenho a humildade de voltar atrás quando alguém me prova que estou errado.
Não vou mais escrever ou responder coisas de pessoas que não tem a coragem de se identificar. Para ser bem sincero nem gosto de blog, mas respeito quem gosta. Para mim o assunto esta encerrado.
Deus os abençoe e proteja!
Padre Marcos

por Amigos do Jekiti

Primeiramente, padre Marcos, digo-lhe que este espaço foi criado com o objetivo de colocar minhas opiniões e fazer dele um lugar de debate sério sobre as causas antoninenses. Respeito intransigentemente todas as opiniões, inclusive as anônimas, muitas contrárias as minhas, e só censuro algumas quando atingem a honra de alguém - caso muito raro neste blog.
Embora não comungue da forma pela qual a igreja atuou e atua no mundo, não devo e não posso desconsiderá-la, caso contrário estaria desrespeitando meus próprios valores e princípios, os quais são pelas liberdades individuais, inclusive a religiosa, no caso. Não sigo seus símbolos, signos e ritos religiosos, mas aprendi a respeitá-los, devido o respeito que tenho por alguns religiosos que usaram de suas profissões de fé uma ponte para criar laços onde havia intolerância e ódio. Portanto, padre Marcos, a meu ver, a genuína missão da igreja é lutar em prol da igualdade e da dignidade humana e não como vimos recentemente alguns religiosos se tornarem um instrumento segregador contra as minorias e aos que não comungam dos seus dogmas.
Iniciando a questão do restaurante Buganvill, minha intenção foi apenas lamentar seu fechamento e pelo desemprego que iria causar, pois, como diz a máxima popular: a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Disse e repito: respeito o direito da congregação em querer utilizar o imóvel para as suas finalidades pastorais, mas devo, como um cidadão, olhar por outro prisma e não concordar com os rumos dados pela congregação católica, pelas razões expostas acima e no tópico. Minha discordância não é apenas pela falta de compromisso social da igreja, no que tange ao número de empregos diretos e inderetos que deixarão de existir em breve, mas sim pela forma simplista de que o Buganvill pode arranjar outro local e lá instalar o restaurante. Não vejo nada de impossível, é claro, mas se considerarmos as variantes desse novo empreendimento, devemos levar em conta não só o investimento, mas toda a problemática financeira e o custo social durante o longo período em que o restaurante não estiver operando. Portanto, na minha concepção, como um restaurante em Antonina não tem um retorno financeiro significativo para se investir em outro empreendimento, posso concluir que a mudança do Buganvill seria totalmente inviável.
Padre Marcos, eu não duvido do seu interesse pelas causas capelistas e pelo que fui informado você está à frente desse empreendimento de nome Antonina Weekend, o qual eu considero de grande importância para alavancar o turismo em nossa cidade, principalmente depois que a autoestima de seu povo foi abalada pela calamidade das chuvas. Não nego sua importância e influência junto a comunidade católica de Antonina e pelo que li e pude entender, você foi o responsável pelo aumentou em 400% dos rendimentos da igreja e, não querendo ser leviano, espero que todo esse sucesso junto aos dizimistas seja destinado exclusivamente às causas sociais, já que a igreja é isenta de impostos. Embora reconheça que o patrimônio da igreja é inalienável, pois muitos templos são patrimônios da humanidade, devo considerar que as doações dos dizimistas têm como objetivo o custeio desses imóveis, portanto, a igreja deve levar em consideração as necessidades da comunidade e não apenas dos seus interesses pastorais. Nesse aspecto devo lmbrar ao padre que se analisarmos as formas pelas quais a igreja construiu seu patrimônio no decorrer da história, concluiremos que muitos deles foram apropriações de bens contra os que ousaram lutar contra o poder papal.
Por fim, toda a celeuma foi explicada pelo padre ao dizer, em “claro e bom som”, adque o objetivo da Mitra é criar um centro de catequese, com o intuito de ensinar às coisas de deus para nossas crianças. Como disse, respeito sua posição, pois a igreja é a dona do local e lá deve fazer o que bem entender. Embora eu não concorde – mas ao mesmo tempo não tenho que concordar ou não, pois não sou locador e locatário – no meu ponto de vista uma negociação poderia ser iniciada através do entendimento da Mitra em relação aos transtornos para locatário e empregados, com a tentativa de encontrar outro espaço adequado para a catequese, visto o grande número de imóveis que a igreja utiliza. Mas, se por ventura, a Mitra achar inviável essa alternativa, só me resta dizer que se eu tivesse um único imóvel, eu o utilizaria com o objetivo de gerar emprego e renda, jamais para minha família rezar.
Eis nossa diferença, padre Marcos.
Luiz Henrique

domingo, 5 de junho de 2011

ANTONINA PODE PERDER UM IMPORTANTE RESTAURANTE

Neste final de semana estive em Antonina. Fiz ponto no Jekiti e ali soube que o restaurante Buganvill, de propriedade de dona Any, pode fechar as portas. Realmente eu não sei os motivos, só soube que a intenção é fechar em março de 2012, mas desde já lamento, se por ventura isso ocorrer, pois o Buganvill além do seu excelente atendimento tem uma culinária de alto padrão. Num tempo em que Antonina inicia sua recuperação turística, depois de passar por uma calamidade, saber que um importante e tradicional restaurante vai encerrar suas atividades é, no mínimo, lamentável. Não lamento apenas por dona Any, mas por Antonina e, principalmente, pelo desemprego de uma dezena de funcionários.
Se os problemas são de ordem administrativa, financeiras ou pessoais, realmente eu não sei. Só sei que o espaço é de propriedade de uma congregação católica e esta, a meu ver, antes de qualquer interesse, deve levar em consideração os problemas sociais que o fechamento do Buganvill vai trazer a Antonina.
Um entedimento desses problemas é considerar que Antonina tem um bom potencial turístico e a sua culinária é referência, pois seus pratos típicos são de alta qualidade, devido ao seu caráter artesanal. Outro entendimento é que ninguém, nem mesmo a concorrência, terá vantagens com o fechamento do Buganvill, pois nenhum restaurante tem estrutura para absorver toda a demanda. Vejo também que o problema não é só o econômico e social, mas sim o da autoestima de um povo que mais uma vez verá um importante estabelecimento comercial encerrar suas atividades, como tantos outros.
Além de todas as situações expostas, teremos em Antonina um importante calendário turístico, nos dias 18 e 19/06, quando sete restaurantes irão promover o festival gastronômico "Antonina Weekend". Nesses dois dias sete chefs de cozinha de Curitiba irão desenvolver receitas especiais e prepará-las nos restaurantes de Antonina, inclusive no Buganvill, durante o evento. Esses pratos serão feitos com base nos produtos típicos de Antonina e após o festival a intenção é incluí-los definitivamente nos cardápios dos estabelecimentos locais.
Sem dúvida alguma esse festival será um sucesso, mas o contraditório de tudo isso é a notícia do fechamento do excelente Buganvill, em meio à revitalização do turísmo de Antonina.
Vá entender!

domingo, 15 de maio de 2011

PERCEPÇÕES

Mais de cem profissionais da Rede Globo estiveram em Antonina gravando a série de tv o Astro.  
A comunidade foi receptiva, embora alguns, como sempre, reclamaram pelo desconforto de ruas fechadas e pelo burburinho, mas acredito que o saldo foi positivo.
Aproximadamente cem antoninenses receberam por suas figurações, e restaurantes, hotéis, bares e comércio, segundo informações, tiveram sua economia aquecida.
As razões pelas quais a Globo foi parar em Antonina, não importa, o que vale a pena comentar é que a cidade certamente será mostrada nacionalmente e nada melhor, nos dias de hoje, que um marketing positivo.
Depois da calamidade das chuvas, momentaneamente, a dor foi transformada em oportunidade e tal chance deve ser o primeiro passo da recuperação da autoestima antoninense.
Não se preocupem, caros leitores, para por aqui, pois não vou enchê-los com esse papo de canibalismo provinciano e tampouco ser pretensioso com soluções mirabolantes. Apenas deixo aqui essa ponta para que possamos refletir e discutir nossas percepções sobre conquistas e fracassos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O NOVO MESSIAS

Vivemos em uma república democrática, cujos princípios são marcados pela contradição, em sua essência, conflituosa e não harmônica. Mas, a priori, este comportamento deve ser analisado mais a fundo, pois a lógica política também requer uma postura de persuasão, de manipulação para que um se sobreponha ao outro. Partindo desse princípio, políticos de lados opostos atuam, dentro de uma moral própria, com a intenção de atingirem interesses próprios. Esses interesses, proveniente de uma dialética que supera o postulado da vitória, a qualquer preço, de um sobre o outro, é a práxis política tanto de quem governa, quanto de quem quer governar.
Esse postulado é assegurado pela vaidade de poder, necessária para que os líderes possam atingir seus interesses pessoais. É esse choque ontológico, entre situação e oposição, que forma o espírito político e isso é preciso compreender, embora seja difícil de engolir, pois os interesses pessoais sempre se sobrepôem ao bem comum.
Tudo isso é abstrato para os olhos do povo, como se tudo estivesse distante do real, mas não está para quem vive na política e da política, pois na verdade cada qual trabalha, em primeiro lugar, para si, depois para o outro. Essa postura particular do político, de certa forma, desvirtua a consciência cívica da igualdade e do bem comum que Montesquieu denominou de virtude, sobre a qual se funde o regime republicano. Essa prática desencadeia um descrédito na classe política e faz com que a população perca seu sentindo social e cívico e dê lugar à crítica e ao individualismo.
Transferindo tudo isso para a esfera local, percebo que os problemas causados pelas chuvas de 11/03 geraram perdas não só para centenas de pessoas, como para atual administração. Mas não é difícil de analisar e nem entender os seus motivos, pois a insegurança dos carentes, em decorrência da apreensão e medo, gerou uma instabilidade emocional, a qual possivelmente será cooptada por aqueles que têm interesses nas próximas eleições. Como disse acima: “(...) cada qual trabalha, em primeiro lugar, para si, depois para o outro”. Essa máxima sempre surge nos momentos difíceis, dando aos oportunistas os meios de se apresentarem ao povo como os únicos capazes de tirá-los da crise.
Quem quiser com isenção de espírito entender as grandes dificuldades para se lidar com o inusitado da crise, deve, em primeiro lugar, ter senso crítico e aceitar que essa calamidade foi uma contingência. Não quero com isso isentar a administração de qualquer responsabilidade a posteriori, nem tampouco colocá-la como a única capaz de resolver o problema, pois da mesma forma que essa calamidade deixou perplexo o cidadão comum, também deixou a administração. Só que há uma moral que precisa ser discutida e abordada com extrema seriedade e esta passa por aqueles que têm o direito legítimo da crítica, mas não têm a responsabilidade dos atos e, consequentemente, dos resultados, mas que precisam da visibilidade. Estes também deveriam pensar no povo e ao povo darem alternativas, através de um comportamento ético que inspire um entendimento sobre o acaso que foi essa calamidade. A postura seria, independente de antagonismos políticos, apresentarem-se, não como o mais capaz e sim como um empreendedor que sentará à mesa para aconselhar, atuar e ajudar a definir as diretrizes com as quais a administração atuará para sair da crise.
Para concluir, temo - não querendo cometer o erro do falso julgamento -, que a audiência pública marcada para 20/04, na Câmara Municipal, não seja um postulado para sair da crise e sim um meio para algum apóstolo descer as escadarias, com os mandamentos nas mãos, para se apresentar ao povo como o novo Messias.

terça-feira, 12 de abril de 2011

AUDIÊNCIA PÚBLICA

O vereador Márcio Balera mandou-me no comentário uma informação de que haverá uma audiência pública na Câmara Municipal, no dia 20/04, às 18:00 horas, para discutir o pós "tragédia". Como é de interesse do povo de Antonina, não me custa nada divulgar e agradecer o convite.
Em primeiro lugar vamos tratar a situação de outra maneira, sem esse superlativo trágico. Este termo, imposto pelas consequências das chuvas de 11/03, me parece uma expressão inadequada, um hiperbolismo semântico que inspira medo, perplexidade, imobilismo e tensão. Portanto, vamos tratar as coisas dentro de uma realidade adequada, sem exageros, para que não criemos um monstro maior do que ele é e com isso percamos o bonde da história.
Antes de tudo, é importante lembrar que pouquíssimas coisas serão solucionadas dentro das fronteiras guarapirocabanas, devido a falta de recursos próprios, mas isso pode ser superado e arranjado com organização e método, embora entenda o impacto do inusitado.
A primeira questão a ser discutida é a necessidade de criar um "gabinete da crise", o qual deverá ser presidido pelo prefeito ou pessoa designada por ele. Este, por ato legal, deverá constituir o "gabinete" com a nomeação de pessoas que tenham perfis para atender as diversas necessidades. Os membros dessa comissão terão atribuições especificas e poderão convidar pessoas da sociedade civil, por exemplo, que possam ajudar com propostas e ações resolutivas. Para isso, subcomissões poderão ser criadas com o intuito de identificar e selecionar as ocorrências dentro de cada área de atuação, bem como diagnosticar e justificar ao "gabinete" a maneira pela qual elas serão operacionalizadas. Em posse dessas informações, se aceitas, o gabinete adotará as estratégias pertinentes e delineará as ações dentro dos recursos previstos pela esfera estadual e federal.
É bom lembrar que nem todas as necessidades serão atendidas, devido a exiguidade de recursos, e para que os objetivos específicos sejam atendidos, eles deverão ser expressamente ordenados de acordo com o grau (maior ou menor) de relevância. Toda a metodologia seguirá um rigoroso controle com base no que foi estabelecido, bem como realizar avaliações periódicas, com o intuito de identificar as ocorrências e propor novos indicadores, se for o caso. Essas avaliações são importantes para mensurar os referenciais e assegurar as tarefas a serem realizadas, objetivando alcançar o que fora estabelecido. Caberá também ao "gabinete" fornecer informações às entidades interessadas, bem como à população, através de audiência pública, no caso. 
Logicamente o que foi colocado é uma ideia macro, um objetivo geral dentro do que está ou será, inicialmente, disponibilizado pelo governo estadual e federal. Todo o detalhamento dessas ações deve ser realiazado e especificado por aqueles que têm o conhecimento do problema e sabem quais são as suas reais necessidades. Entretanto, não podemos esquecer que vivemos numa república representativa e a estratégia a ser adotada deve levar em conta não só a via legal e burocrática, como também a política.

domingo, 10 de abril de 2011

ANTONINA ESPERA POR VOCÊ


A foto acima mostra que Antonina quer reagir à crise. Além dos problemas do desabrigados há também a questão da economia da cidade. Muitos estabelecimentos comerciais dependem do turismo e a calamidade das chuvas se encarregou de piorar o que já não estava bom. Não estou narrando uma novidade, mas não custa insistir e relembrar postagens passadas, nas quais opinei sobre a necessidade de se criar medidas para que o turista retorne a Antonina. Para as pessoas que não conhecem o sistema antoninense de turismo, informo que antes da crise a política turística da cidade estava voltada para algumas festividades, entre as quais o carnaval, festa da padroeira e festival de inverno. Para uma cidade que depende do turismo a calamidade só veio agravar um quadro que nunca foi promissor e se o turista prefere não descer a Serra, mesmo sabendo que as estradas apresentam condições de tráfego, é melhor pensarmos em novas saídas para que eles retornem.
A crise se torna ainda maior porque a população de Antonina não costuma frequentar os restaurantes locais, por conta do seu baixo poder aquisitivo,  e agora mais ainda, devido a preocupação do povo em querer reconstruir suas casas e readquirir objetos perdidos na calamidade.
Não sou o dono da verdade e nem quero ser a única voz dos blogs antoninenses em insistir na necessidade de se criar um plano turístico emergencial para a cidade. Não falo de um plano amplo para o qual é preciso grande dotação orçamentária, embora acredite que passada a crise, isso seja necessário. Minha sugestão baseia-se apenas em ideias simples, objetivando atrair os que habitualmente visitavam Antonina antes das chuvas. O plano consiste em criar um pacote turístico, no qual se estabelecerá um valor único para hospedagem e refeição, incluindo também o acesso às festividades artísticas e exposições. Logicamente esse programa deverá ter ampla divulgação pela mídia e para viabilizar o dito projeto pode-se utilizar os recursos do Banco Social, destinados às cidades que sofreram com as chuvas.
Para concluir, insisto que a crise provocada pela calamidade deve ser encarada como uma oportunidade de superação e crescimento, devendo as entidades responsáveis arquitetarem um plano, não só para o povo desabrigado, como também, para aqueles que dependem do turismo para sobreviver. Agora, se o choramingo continuar, se as propostas resumirem-se em críticas sobre quem deveria fazer o quê, de pouco adiantará essa súplica de que Antonina espera por você ou qualquer outro rogo a deus por nossa cidade. Lembrem-se, ninguém vai descer a Serra por súplicas, por pena ou porque deus pediu e sim pelo que Antonina tem a oferecer aos visitantes.  

sábado, 26 de março de 2011

A DOR E A OPORTUNIDADE

Parte 3

O AMOR POR ANTONINA

O que me levou a escrever este texto foi o meu cansaço de tanto ler e ouvir essa falácia de amor por Antonina. Sei que muitos vão discordar e até me colocar na parede por conta do que está no epígrafe do blog. Quero deixar bem claro que é uma licença poética, uma homenagem ao meu amigo Edson. O que sinto por minha cidade é fruto de uma série de circunstâncias que precede a infância, porque nela nasci e vivi parte de minha vida. O pior é que usam essa calamidade como uma forma de exteriorizar sentimentos vagos, propagados por essa invenção canônica de amor ao próximo. Essas juras não passam de um artifício, de uma vaidade, um engodo para receber voto, admiração e apoio, uma promoção pessoal, como se cada um participasse de uma licitação para ganhar uma concorrência. Pergunte a qualquer vereador, ao prefeito, aos secretários, aos líderes de associação, se eles estão onde estão por amor a Antonina? Duvideodó ! E mais, pergunte a si próprio se o amor por Antonina inclui a antropofagia aos homossexuais e à "turma do litro"?
Cada um faz o que faz não por amor a Antonina e sim porque ama a si próprio e o que a cidade e seu povo pode lhes dar. Essa relação é fácil de concluir, pois se analisarmos o que se propaga pelas esquinas, no jekiti, nos quatro cantos das cidades é uma proliferação de desafetos pessoais e políticos, os quais provam que esse amor não passa de uma condicionante.
Quero separar dessa discussão a questão do povo solidário e também separá-la desse outro amor, que muitos chamam de amor ao próximo. Embora respeite qualquer valor cristão isso não me impede de opinar e dizer que tudo isso não é um monopólio do cristianismo. Somos solidários não por conta de escrituras, pois conheço muita gente que não tem religião, que são não-cristãos e ateus que estão preocupados em ajudar os que sofreram com a calamidade (ponto).
Essa inconsciência coletiva de amor ao próximo para mim chama-se atitude e esta eu vi através das muitas fotos que expressaram a calamidade. Nelas estavam dezenas de trabalhadores e voluntários lutando noite e dia para restabelecer a água, para tirar pessoas das zonas de riscos e em levar mantimentos aos necessitados, etc. Justifico essa minha indagação pela máxima de que não preciso amar ninguém para ajudá-la, caso o fizesse estaria impondo condições, regras e tudo isso não passa de um valor deletério.
Portanto, espero que me compreendam, mas se assim não quiserem, paciência, pois não vou aqui perder meu tempo em escrever sobre as coisas que sinto e penso para melhorar minha autoestima. Torço, sinceramente, que esse valor contraditório de amor por Antonina seja repensado e que toda a dor dessa calamidade seja o primeiro passo para uma nova era, caso não sirva, que pelo menos relaxem e gozem.

domingo, 20 de março de 2011

A DOR E A OPORTUNIDADE

Parte 2

AÇÕES COORDENADAS

Olhamos para nossa dor como se ela fosse a única. Nossa visão para dentro da nossa bolha reflete o quanto estamos despreparados, com razão, para enfrentar problemas mais sérios. Não estou aqui culpando administrações, pois ninguém seria capaz de imaginar que tal calamidade poderia acontecer em nosso litoral. Quando pedimos ajuda para Antonina, pedimos porque é a nossa cidade, porque a nossa gente está sofrendo, mas esse pedido carece de uma analise mais profunda e realista da situação das cidades atingidas.
As propostas que li no blog do Bó (clique para ler) é um caminho e elas, naturalmente, seguirão um trâmite para chegar às mãos de quem tem a capacidade e poder de decisão. Porém, para qualquer medida, antes é preciso um conjunto de ações coordenadas com o intuito de captar recursos para as devidas necessidades e estudos. Toda ajuda e propostas passam por certas regras e estas devem seguir não só o critério solidário, como também o político, sendo este o mais importante. Digo ser o mais importante porque cada cidade atingida pela calamidade tem suas lideranças e estas são os instrumentos de aquisição de recursos. Mas para isso deve haver uma estratégia e esta deve passar, em primeiro lugar, pela união das forças políticas locais. Como cada cidade atingida tem problemas em comum, a maneira mais eficaz de captar os recursos é através da criação de um consórcio, cuja atribuição é coordenar as ações necessárias, devido aos trâmites burocráticos e às determinantes legais.
Não afirmo que o viés político é o único caminho, embora considere o principal. A sociedade civil organizada tem um papel fundamental subsidiando o consórcio com informações, propostas e levantamentos, principalmente aqueles que sofreram e sofrem com a calamidade. A situação dos desabrigados, infelizmente não é o único problema a ser pensado e resolvido. Há também o impacto social e econômico - este pela demora do escoamento da safra de soja, aquele pela crise do turismo. Como a economia do litoral depende das estradas é imperativo que se priorize a reparação das vias de acesso e depois se estude outras alternativas mais seguras (Interportos e uma nova ligação com a BR 116).
Em relação a crise do turismo, imediatamente as entidades responsáveis devem elaborar ações, promoções e subsidiar as autoridades com o intuito de adotarem medidas emergências para a sobrevivência dos seus negócios e, consequentemente, a garantia de trabalho dos seus empregados. É obvio que as propostas devem partir da administração local em conjunto com a Aestur, com o intuito de levá-las ao Governo do Estado e, através da secretaria de turismo, desencadear ações pertinentes para sobreviver a crise.  
Portanto, a situação é grave, pois cada ação está condicionada a outra e levará tempo para as coisas entrarem nos eixos. Mas esse tempo exige algumas condicionantes e a principal delas é a estratégia a ser adotada para a chegada desses recursos, cuja premissa está nas ações coordenadas das lideranças políticas da região.

sábado, 19 de março de 2011

A DOR E A OPORTUNIDADE

PARTE 1

A vida nos ensina o significado da dor e o dinamismo dessa verdade pode nos trazer uma nova vida. Sofrer é inerente ao ser humano e esta constatação muitas vezes é deixada de lado porque nós, seres humanos, estamos muito mais preocupados com a efêmera felicidade. Esta verdade sempre vagou sobre nossas cabeças esperando o momento propício para ser revelada e através dela oportunizada.
Os tristes acontecimentos em Antonina e nas demais localidades do litoral podem ser a chave para abrir a porta da nova era, desde que saibamos aprender a lição que só o sofrimento pode nos dar. É obvio que para alguém que gozava da suprema tranqüilidade esse duro golpe fará do antoninense um povo mais preocupado, tomado pelo medo, inseguro em relação ao futuro. Mas isso faz parte do processo e nos remonta, tempo depois, para algo maior, porque a vontade e desejo de sobrevivência é tão inerente ao ser humano quanto o sofrimento.
Essa perplexidade, aposto, não foi "privilégio" do povo comum. É bem provável que o executivo e legislativo sentiram o golpe e ambos ficaram perdidos no meio de tanto de caos. A falta de experiência em tragédias como essa leva à perplexidade, à impotência, embora não as considere uma justificativa para a falta de ação das lideranças em lidar com a crise. Neste aspecto, para não ser vago, considero como falta de preparo a inexistência de meios adequados que possam subsidiar a necessidade de recursos para, inicialmente, amenizar a crise e depois, com base em levatamentos, reinvindicar os recursos necessários.
Logicamente deve haver uma estratégia e essa passa, de imediato, por duas situações reparatórias. Em conjunto com a construção das casas, reconstrução das pontes, reparação de estradas e serviços, deve a administração adotar medidas para ajudar àqueles que vivem essencialmente do turismo, como nos casos de bares, restaurantes e rede de hotelaria. Essas medidas reparadoras devem ser sustentadas enquanto durar o período de reconstrução das casas, da assistência aos que sofreram com as chuvas e de reparação das vias de acesso à Antonina.
Mas essas medidas reparadoras devem seguir outra diretriz, a qual é fundamentada numa política desenvolvimentista baseada na criação de um mecanismo que permita a valorização do trabalho e emprego. A concepção básica e fundamental reside não só na implantação de uma política voltada para o turismo do centro da cidade e sua já conhecida gastronomia e prédios históricos. Essa política deve se estender para outras regiões, potencialmente capazes de atender àqueles que preferem o turismo ecológico. O recanto do Rio do Nunes, o Rio Cachoeira, o Cacatu e o Bairro Alto, são lugares ideais para a implantação do turismo ecológico. Mas esta política deve seguir alguns ditames, cujas diretrizes estão alicerçadas em planos de infraestrutura de estradas e de espaços naturais, projeto estético e paisagístico, pessoal treinado para orientar e atender a necessidade dos visitantes e locais adequados para hospedagem, etc.. Com essas medidas a região se desenvolve e através do turismo sustentável a população tem a oportunidade, inclusive, de gerir seus próprios recursos.
Eu sei que a tecla do turismo foi incessantemente batida e até certo ponto tornou-se uma espécie de óbvio ululante capelista, mas não há como negar esse potencial e muito menos descartar qualquer política desenvolvimentista que não passe pelo turismo. Ela, como todos sabem, é uma fonte de divisas para o município e entendê-la como pequena é no mínimo uma irresponsabilidade ou falta de visão.
As ideais são muitas, a Aestur e Secretaria de Turismo, mal ou bem, são os órgãos a serem ouvidos e chaves principais para a eleboração do projeto turístico para Antonina. Essa é uma verdade inexorável e ela paira sobre nossas cabeças, esperando pelo momento propício de transformar a dor de nossa tragédia em uma grande oportunidade para melhorar nossa autoestima e abraçarmos o novo tempo.
Cabe ressaltar que a política desenvolvimentista proposta não passa apenas pelo turismo e sim pela criação de mão-de-obra capacitada para atender outras áreas, cuja cultura e experiência Antonina tem. Refiro-me ao Porto, ao terminal do Felix e algumas alternativas, via incentivo fiscal, para atrair novas empresas, porém desde que se tenha uma política de trabalho e emprego, baseada na formação de mão-de-obra local para este fim... Mas isso é outra história e fica para depois.
Para concluir gostaria de lembrar aos leitores que a história nos prova e nos ensina que muitos países que passaram por tragédias, tornaram-se grandes potências, porque souberam fazer da dor suas grandes oportunidades.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento