Como de costume posto alguns comentários que considero pertinentes para um bom debate sobre as causas de Antonina. Abaixo coloco as justificativas do padre Marcos sobre a locação do imóvel ao restaurante Bunganvill, cujo contrato foi feito pela Mitra Diocesana. Logo após as colocações do padre Marcos, exponho as minhas sobre o caso.
por padre Marcos
Considerando tantos comentários infundados, sem conhecimento de causa, resolvi s. esclarecer algumas coisas. Não sou muito de escrever em blog, gosto de olho-no-olho, mas como quem aqui escreve não se identifica, esclareço:
Quem pediu o prédio não foi a Igreja católica de Antonina, mas sim, a Mitra Diocesana. Foi feito o pedido em janeiro de 2011 para ser entregue em março de 2011 (conforme manda a lei, 3 meses de antecedência), mas como houve muita reclamação por parte do locatário, resolveu-se dar um ano de prazo para que o mesmo fosse entregue. Tudo dentro da lei.
Desde que aqui cheguei, em abril de 2008, senti a necessidade de providenciar um Centro de Catequese para as Crianças e depois de dois anos, iria comprar um terreno para construir, porém, ao falar com o Bispo, ele disse que a Mitra pediria a devolução do prédio onde está o Restaurante, portanto, que não era necessário comprar terreno e nem construir.
Em relação a alguns comentários digo, estão no direito de vocês, pois vivemos em uma democracia, vocês podem falar e pensar o que quiser, porém, como não tenho sangue de barata digo: quando aqui cheguei a Paróquia tinha menos de cem dizimistas hoje são quase quatrocentos, não sou unanimidade graças a Deus, pois toda unanimidade é burra.
Para o governo de quem escreveu sem se identificar, que eu expulsei pessoas da igreja, entenda, em toda Paróquia tem um Conselho que deve ser renovado a cada dois anos, e simplesmente, se renovou aquele conselho, bem como, o conselho que entrou em 2009 e já foi renovado em 2011.
Em nenhum momento eu participei de alguma negociação em relação ao locatário, o que me cabe é obedecer unicamente ao meu Bispo.
Desde que aqui cheguei tenho trabalho incansavelmente por esta cidade e o que a gente recebe de recompensa são esses comentários de pessoas que nem a coragem de se identificar tem. Mas como já disse, nós vivemos em uma democracia, portanto, fale o que quiser. Como sempre falo, sou só o Padre, que tenta fazer a sua parte de cristão e cidadão. Se o restaurante é tão bom como estão falando, se abrir em outro lugar, vai fazer o mesmo sucesso, o que eu acredito que sim. O fato é que naquele lugar será o Centro de Catequese da Paróquia, pois as crianças também merecem um local adequado para aprenderem as coisas de Deus.
Muitas dessas pessoas que aqui escrevem sem se identificar um dia vão precisar da igreja, como todo mundo um dia precisa, e eu estarei lá, pronto para atender com muita educação e respeito como sempre faço com todos que me procuram.
Concluo, respeito a opinião de todos, amo o lugar que moro, faço o possível e o impossível para melhorar o que está ao alcance das minhas mãos e em assuntos da Igreja tento ser o mais imparcial possível, tomando as decisões sempre em conselho, nunca sozinho, não me deixo ser manipulado, tenho opinião própria, porém tenho a humildade de voltar atrás quando alguém me prova que estou errado.
Não vou mais escrever ou responder coisas de pessoas que não tem a coragem de se identificar. Para ser bem sincero nem gosto de blog, mas respeito quem gosta. Para mim o assunto esta encerrado.
Deus os abençoe e proteja!
Padre Marcos
por Amigos do Jekiti
Primeiramente, padre Marcos, digo-lhe que este espaço foi criado com o objetivo de colocar minhas opiniões e fazer dele um lugar de debate sério sobre as causas antoninenses. Respeito intransigentemente todas as opiniões, inclusive as anônimas, muitas contrárias as minhas, e só censuro algumas quando atingem a honra de alguém - caso muito raro neste blog.
Embora não comungue da forma pela qual a igreja atuou e atua no mundo, não devo e não posso desconsiderá-la, caso contrário estaria desrespeitando meus próprios valores e princípios, os quais são pelas liberdades individuais, inclusive a religiosa, no caso. Não sigo seus símbolos, signos e ritos religiosos, mas aprendi a respeitá-los, devido o respeito que tenho por alguns religiosos que usaram de suas profissões de fé uma ponte para criar laços onde havia intolerância e ódio. Portanto, padre Marcos, a meu ver, a genuína missão da igreja é lutar em prol da igualdade e da dignidade humana e não como vimos recentemente alguns religiosos se tornarem um instrumento segregador contra as minorias e aos que não comungam dos seus dogmas.
Iniciando a questão do restaurante Buganvill, minha intenção foi apenas lamentar seu fechamento e pelo desemprego que iria causar, pois, como diz a máxima popular: a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Disse e repito: respeito o direito da congregação em querer utilizar o imóvel para as suas finalidades pastorais, mas devo, como um cidadão, olhar por outro prisma e não concordar com os rumos dados pela congregação católica, pelas razões expostas acima e no tópico. Minha discordância não é apenas pela falta de compromisso social da igreja, no que tange ao número de empregos diretos e inderetos que deixarão de existir em breve, mas sim pela forma simplista de que o Buganvill pode arranjar outro local e lá instalar o restaurante. Não vejo nada de impossível, é claro, mas se considerarmos as variantes desse novo empreendimento, devemos levar em conta não só o investimento, mas toda a problemática financeira e o custo social durante o longo período em que o restaurante não estiver operando. Portanto, na minha concepção, como um restaurante em Antonina não tem um retorno financeiro significativo para se investir em outro empreendimento, posso concluir que a mudança do Buganvill seria totalmente inviável.
Padre Marcos, eu não duvido do seu interesse pelas causas capelistas e pelo que fui informado você está à frente desse empreendimento de nome Antonina Weekend, o qual eu considero de grande importância para alavancar o turismo em nossa cidade, principalmente depois que a autoestima de seu povo foi abalada pela calamidade das chuvas. Não nego sua importância e influência junto a comunidade católica de Antonina e pelo que li e pude entender, você foi o responsável pelo aumentou em 400% dos rendimentos da igreja e, não querendo ser leviano, espero que todo esse sucesso junto aos dizimistas seja destinado exclusivamente às causas sociais, já que a igreja é isenta de impostos. Embora reconheça que o patrimônio da igreja é inalienável, pois muitos templos são patrimônios da humanidade, devo considerar que as doações dos dizimistas têm como objetivo o custeio desses imóveis, portanto, a igreja deve levar em consideração as necessidades da comunidade e não apenas dos seus interesses pastorais. Nesse aspecto devo lmbrar ao padre que se analisarmos as formas pelas quais a igreja construiu seu patrimônio no decorrer da história, concluiremos que muitos deles foram apropriações de bens contra os que ousaram lutar contra o poder papal.
Por fim, toda a celeuma foi explicada pelo padre ao dizer, em “claro e bom som”, adque o objetivo da Mitra é criar um centro de catequese, com o intuito de ensinar às coisas de deus para nossas crianças. Como disse, respeito sua posição, pois a igreja é a dona do local e lá deve fazer o que bem entender. Embora eu não concorde – mas ao mesmo tempo não tenho que concordar ou não, pois não sou locador e locatário – no meu ponto de vista uma negociação poderia ser iniciada através do entendimento da Mitra em relação aos transtornos para locatário e empregados, com a tentativa de encontrar outro espaço adequado para a catequese, visto o grande número de imóveis que a igreja utiliza. Mas, se por ventura, a Mitra achar inviável essa alternativa, só me resta dizer que se eu tivesse um único imóvel, eu o utilizaria com o objetivo de gerar emprego e renda, jamais para minha família rezar.
Eis nossa diferença, padre Marcos.
Luiz Henrique