"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



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sexta-feira, 9 de março de 2012

SINUCA DE BICO

Não gosto de ilações, mas uma questão precisa ser levantada sobre o Plano Diretor. O questionamento que faço (com base numa reunião entre representantes do legislativo e excecutivo antoninense, Fiesp e Techint), é sobre a possível instalação da Techint na região portuária e a necessidade logística de se construir a estrada Paranaguá - Antonina.
Se isso se concretizar, como ficaria a mudança do Plano Diretor para o bairro Barigui?
Detalhe: não esqueçam que a Techint pode gerar 500 empregos diretos em Antonina!

sexta-feira, 2 de março de 2012

CEM ANOS DE SOLIDÃO

Às vezes a literatura de ficção nos faz enxergar melhor a realidade. Quando estava pensando no que escrever a respeito da “provocação” do anônimo Zé Ninguém sobre a elite de Antonina, me veio à mente o livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques. Logicamente não vou fazer uma resenha do livro, para não me tornar prolixo e me perder em detalhes triviais, mas algumas analogias entre Macondo (a cidade fictícia) e Antonina são reveladoras, principalmente sobre a ascensão e queda da sua elite e as pragas que assolaram seus moradores.
Mas antes de entrar nas revelações análogas, gostaria de explicar que para entendermos nosso presente é preciso recorrer ao passado e dele procurar o contexto sob o qual a sociedade foi formada. Se analisarmos a história antoninense concluiremos que nosso espírito é secessionário. Nossa colonização é muito mais paulista que portuguesa e se pensarmos bem chegaremos à conclusão que a elite reacionária daqui seguiu os mesmo ditames da elite paulista. A paulista sempre foi arrogante, acostumada a ditar regras e comportamentos, e na política sempre foi dada a golpes, pois jamais se conformou com a perda da sua hegemonia quando Getúlio implantou a Nova República e acabou com a política dos barões do café. Inconformada a elite paulista protagonizou uma insurreição, a qual ela chamou de "revolução constitucionalista de 32". Claro que a elite saiu ganhando, em termos, tanto que Getúlio convocou uma assembléia constituinte. Lá como aqui, a elite apoiou o golpe de 64, tanto que teve até agiota preso estigmatizado de comunista.
No nosso caso, a elite era subserviente, isto é, sempre dependeu da política da capital. Como nosso estado nunca teve representatividade nacional, essa elite se sujeitou aos caprichos das lideranças paranaenses, tanto que afundou depois que Paranaguá tomou seu espaço na política paranaense. Lembrem-se da BR que liga ao porto de Paranaguá, do fim do subsídio do trigo e, consequentemente, da morte do Matarazzo. Portanto, morrendo o porto e o Matarazzo, morreu nossa elite, a dona do nosso saber. Mas se analisarmos bem, seus ranços ainda vagam sobre nossas cabeças, como fantasmas que nos fustigam.
A formação da nossa elite se deu no início do século XIX, cujo ápice foi nos anos 20 e 30 do século XX, culminando no seu fim anos depois que o Porto e Matarazzo estagnaram. O grande problema desses 40 anos foi a falta de um projeto para Antonina, que possibilitasse o desenvolvimento por outros caminhos que não fosse pelo mar. Mas para mostrar essa nova direção a sociedade antoninense teria que criar novas lideranças: uma elite produtiva, engajada e perspicaz, que usasse a política como meio de trazer renda para a cidade combalida - Curitiba soube como fazê-lo, implantando a CIC (Cidade Industrial de Curitiba) em plena crise dos anos 70. Antonina podia, via política, se beneficiar desse projeto, reivindicando para si uma pequena fatia desse bolo; mas como cobrar tal atitude se já não havia mais lideranças? A elite atrofiada, acostumada a tutelagem, viu-se sem perspectivas e resolveu recolher-se em seus casarões e lá arrastarem suas correntes, mas sem jamais perder a pose quando levavam o Cristo morto sobre os ombros.
Macondo fictícia e Antonina real têm suas semelhanças. A elite fundadora e seus nomes herdados e a cidade falida arruinada pelas pragas e temporais. De intrépida cidade de outrora, Antonina, como Macondo, viu sua elite mergulhar em mistérios e conflitos, e seus moradores, como a parte mais surreal dessa realidade, vagarem sem rumo, como zumbis insones a procura de um desfiladeiro que os retrocedesse ao passado.
A prova recente do que está descrito acima é a alteração do uso e ocupação do solo. Antonina mais uma vez esqueceu seu projeto de cidade e se afundou na lama das intrigas. Esqueceu, porque não sabe ou não está acostumada com os trâmites legais, a ouvir os envolvidos, a estudar os impactos, a zelar pelo bem coletivo e, principalmente, a resistir ao fisiologismo político e interesse pessoal e financeiro, como bem descreveu o juiz que deferiu a liminar movida por Fernando Matarazzo.
O Plano Diretor de Antonina, que seria o desfiladeiro de volta aos tempos idos, transformou-se no pergaminho prodigioso da obra de Garcia Marques, cuja epígrafe preludiou o fim da cidade das miragens, e seu povo e sua estirpe, condenados a cem anos de solidão, não teriam outra oportunidade sobre a terra.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O COMPADECIDO

O texto do amigo Jeff Picanço (blog Urublues) me obriga algumas recordações e uma delas, a mais reveladora, é de que fui um menino devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Falo isso com muita convicção e sem constrangimento, pois fui levado à novena da santa pelo desejo premente de salvar um amigo que adoecera gravemente. Deixei de ir nas quartas-feiras ao campo do 29 de Maio para cumprir minha promessa das dez novenas que salvaria meu amigo. Permitam-me não revelar o nome dele para preservá-lo de qualquer intenção pejorativa de cunho dogmático e também pelo fato de que essa minha promessa jamais fora revelada a ele.
Depois de algumas novenas e vendo que não houvera a esperada intervenção divina, pois a doença do meu amigo nem sequer era séria, acabei desistindo da promessa e voltei aos campinhos de futebol para jogar minhas partidas. Ele não foi castigado por esse meu desleixo, mas não nego que senti muito medo caso ele adoecesse por conta da minha dívida.
Poderia narrar outras experiências religiosas que tive e me postar de joelhos devido tanta culpa e medo que me arrebataram na infância e adolescência e que ainda trago sobre minhas costas adultas. Mas não vou trazê-las à tona devido ao desprezo que tenho por aqueles que usam a religião como um instrumento de sujeição do homem a um deus feroz e cruel que tudo vê e pune.
Vocês hão de pensar que eu não passo de um católico que ainda resiste em sair do armário e que acredito em deus, mas não admito devido a um desejo charmoso de ser diferente. Acreditem, não é nada disso, apenas aprendi com o empirismo da vida que a religião ao invés de me trazer paz, me levou ao conflito e que deus não passa de um delírio, de uma invenção do homem para preencher o vazio da sua existência. Mesmo supondo sobre a sua existência e creditando a ele a misericórdia da vida, nada em minha vida mudaria, pois tudo que fiz não foi fruto de nenhum livre arbítrio e sim das minhas escolhas –certas e erradas – adornadas pelo empirismo da vida.
Ao me livrar dessa “intervenção divina” pude entender melhor minha existência e, à distância, lapidar meu senso crítico sobre o que tanto me amedrontava na infância. Uma delas é a má-fé da fé e sua regulação do homem. Concluí que a fé é um meio de escamotear a verdade e está relacionada com a essência da mentira, como se o mentiroso soubesse a verdade, mas a esconde para manter o monopólio e assim domesticar seu rebanho. Portanto, fui atrás dessas respostas, as quais ainda eu não encontrei e provavelmente não a encontrarei.
Essa estratégia foi usada pelo Padre na audiência pública sobre o plano diretor, quando disse que aposentados bem sucedidos são contra a alteração do uso e utilização do solo e, consequentemente, inibidores do desenvolvimento da cidade. Analisando rapidamente a questão, suponho que a referida empresa empregará uma meia dúzia de pessoas, isso sem contar com os possíveis danos ambientais e sociais aos moradores e a pouca ou nada arrecadação para o município, por se tratar de entreposto.
O texto do amigo Jeff me obriga a outra reflexão: a ética capitalista católica. Como todos sabem o povo antoninense não vive mais sobre a égide do catolicismo e como o padre em comentário neste blog afirmou que se vangloria de aumentar os dizimista de cem para quatrocentos, só posso crer que lidera essa nova ética católica fundamentada pelo “espírito” do capitalismo, como forma de sobrevivência da sua igreja. Não, meus caros, eu não estou enganado, não é a obra de Max Weber, sobre a maneira pela qual os protestantes criaram sua ética do trabalho através do investimento na educação. Falo dessa nova postura neoliberal da igreja para custear suas despesas, que deduzo são muitas.
Não é à toa que os padres estão inseridos na política, na mídia televisiva e radiofônica e artes populares, com a premissa de arrecadar “fundos” para suas paróquias. É óbvio que os projetos sociais da igreja existem, mas já não são tão importantes como décadas atrás quando a ala mais progressista da igreja encarava sua profissão de fé como meio de levar aos desafortunados princípios de cidadania.
Com base nessa premissa e considerando que a paróquia de Antonina aumentou em quatro vezes sua arrecadação de dízimos, pergunto: – Onde estão as obras sociais da igreja de Antonina?
Outro aspecto relevante é a contradição que há entre ser a favor da alteração do uso e ocupação do solo para ampliar os vínculos empregatícios em Antonina e ao mesmo tempo querer fechar o restaurante Buganville que, segundo estimativas, têm o mesmo número de empregados que as possíveis vagas que seriam abertas com a construção do galpão no Barigui.
Em face de essa contradição só posso crer que ele atua a favor dos seus interesses e para tal usa da condição íntima de conhecer a verdade para negá-la, isto é, dissimula os fatos, distingui quem é contra e a favor das suas ideias, enquanto deveria agir como um intermediador dos conflitos entre os que são a favor e contra a mudança do plano de diretor. Além disso, a disposição com que o padre atua nas questões prementes da cidade configura-se pela intenção da relação íntima que ele tem com o poder e para tal mascara a verdade, renegando-a a um plano inferior para que seus interesses não sejam subjugados.
Na linha demarcatória do conflito estão os verdadeiros interessados – a população sem perspectiva e os moradores dos bairros afetados –, que tentam saber o que há por trás da essência da mentira, isto é, entenderem a dualidade que há entre os enganados e enganadores. Mas como a verdade é oculta o que resta aos enganados é ficar do lado daqueles que enganam menos ou resignarem-se, como sempre agiu o rebanho do bom pastor.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A votação da Câmara dos Vereadores e eu

Por Sonia Nascimento
Blog Meus Contos Teus Poemas

Como se esperava, a alteração do Plano Diretor foi aprovada ontem pelos vereadores. Surpresa para os eleitores de Margarete foi o seu voto a favor. Isso exige uma discussão à parte, que farei no momento devido.
O que me impressionou foi a fumaça que os favoráveis à alteração jogaram sobre os olhos da platéia selecionada: de que a AMBB é contra o progresso e os empregos. Mais ainda, que seríamos o retrocesso de quem já tem o seu ganha pão garantido e dos que esperam pelos novos empregos. Em nenhum momento o padre Marcos, defensor da Fortesolo, falou da ilegalidade da construção do barracão, nem da falta de discussão do tema com a população DIRETAMENTE AFETADA, da qual, senhor padre, senhor prefeito, senhores e senhora Vereador@s, faço parte. Moro nas Malvinas. Minha casa fica bem no lugar onde o prefeito quer instalar uma área industrial. Estou aposentada,senhor padre, e o único patrimônio da minha família é esta casa, que os senhores pretendem transformar em pó (de adubo e quem sabe do que mais).
Não me envergonho de fazer a luta política, porque qualquer reivindicação de cidadãos é luta política. Lutar pelos direitos (meus e dos outros) não é vergonha nenhuma, senhor padre. Sua igreja sempre tentou vender essa imagem, de que os cordeiros de Deus devem mugir somente quando o padre deixar, e serem tangidos para onde a igreja quiser ou for do interesse dela. O senhor não vai conseguir me fazer sentir envergonhada de lutar pelos meus direitos e da minha família. Direito de morar num bairro decente, sem poluição, sem sujeira, sem perigos.
O senhor sabe que a questão não é de empregos. O senhor sabe que os empregos podem ser construídos no local adequado. O senhor sabe porque a Fortesolo não quer construir no porto e sim na entrada da cidade. Porque o senhor e o prefeito não querem contar isso para a população? Eu quero saber. Eu TENHO O DIREITO ASSEGURADO EM LEI DE SABER. A Lei 20/2008 me assegura esse direito.
O senhor jogou fumaça nos olhos dos rapazes fortões convidados a lhe aplaudir. Não ouviu, ou fingiu não ouvir a fala da AMBB. Nossa fala pedia a legalidade do processo. Não dissemos, em nenhum momento que somos contra os empregos. PORQUE ESSES EMPREGOS TEM QUE SER CONSTRUÍDOS NOS BAIRROS POPULOSOS, NA ENTRADA DA CIDADE? Nem o senhor, nem a Câmara, nem o prefeito respondem a essa pergunta.
Por fim, senhor@s todos envolvidos nessa grande trapaça, asseguro que não vou parar de lutar. Lutar não é vergonha. Vou combater o bom combate, como fizeram meus pais e como a minha família, da qual muito me orgulho, sempre fez.
Que Deus se compadece da alma do padre. Ou não (como diria aquele velho compositor baiano).

Por Amigos do Jekiti
Os que leram minha postagem sabem que não sou a favor do atual plano diretor, no que tange ao uso e ocupação do solo para fins industriais e muito menos este que foi votado ontem. Não vou aqui explicar os motivos pelos quais da minha contrariedade para não perder o fio da meada sobre o que acho a respeito dessa manipulação canônica sobre o povo de Antonina.
Sou antoninense e sei como pensa sua sociedade, principalmente a sua postura de rebanho. Já escrevi sobre o laicismo do estado e o hino de Antonina que invoca a padroeira como única protetora da cidade, já escrevi do absurdo que é a Mitra querer fechar o restaurante Bulganvill para doutrinar as crianças capelistas e outras coisitas mas sobre a posição desagregadora da igreja em relação aos homossexuais. Mas quem sou eu para mudar os ditames da igreja e a postura de rebanho dos seus fiéis.
De tudo que li o que mais me espantou foi a posição da representante do PT na votação, direta ou diretamente, apoiando os interesses da empresa com a qual a “rádio do padre” tem relações comerciais. Que tudo é uma questão financeira, eu não duvido, e agora concluo que há por trás de tudo isso um interesse eleitoral. Se o PT pretende receber apoio do atraso e através dele fazer seu trampolim eleitoral, que o faça, embora entenda que na política o pragmatismo seja uma arma importante para qualquer projeto de poder. Como não sou político, nem filiado partidário e muito menos ‘dizimista’ adestrado, sinto-me livre para opinar e espinafrar (com respeito) qualquer vinculo nefasto na política.
O que me intriga também é a posição da maioria dos blogs de Antonina, cuja relação com a comunidade se limita a espinafrar a administração sem jamais se posicionar (contra ou favor) sobre as questões que envolvem o posicionamento do líder católico em relação às causas mais prementes daqueles que ficam a margem da "proteção divina", como os homossexuais e o fechamento do Bulganville.
Vontado a "vaca fria", como diz a Sonia, reputo essa cumplicidade da representante do PT com o atraso, mero interesse eleitoreiro, como se Antonina fosse obrigada beijar a cruz e pedir a benção para continuar sua sina de cidade decadente.
Não vou mais perder meu precioso tempo com essa história e muito menos me indignar com as manobras feitas no breu das docas das instituições antoninenses. Deixo a decisão para o povo e que ele seja sábio na hora de botar seu voto nas urnas e seu dízimo na sacolinha.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento