Por Sonia Nascimento
Blog Meus Contos Teus Poemas
Como se esperava, a alteração do Plano Diretor foi aprovada ontem pelos vereadores. Surpresa para os eleitores de Margarete foi o seu voto a favor. Isso exige uma discussão à parte, que farei no momento devido.
O que me impressionou foi a fumaça que os favoráveis à alteração jogaram sobre os olhos da platéia selecionada: de que a AMBB é contra o progresso e os empregos. Mais ainda, que seríamos o retrocesso de quem já tem o seu ganha pão garantido e dos que esperam pelos novos empregos. Em nenhum momento o padre Marcos, defensor da Fortesolo, falou da ilegalidade da construção do barracão, nem da falta de discussão do tema com a população DIRETAMENTE AFETADA, da qual, senhor padre, senhor prefeito, senhores e senhora Vereador@s, faço parte. Moro nas Malvinas. Minha casa fica bem no lugar onde o prefeito quer instalar uma área industrial. Estou aposentada,senhor padre, e o único patrimônio da minha família é esta casa, que os senhores pretendem transformar em pó (de adubo e quem sabe do que mais).
Não me envergonho de fazer a luta política, porque qualquer reivindicação de cidadãos é luta política. Lutar pelos direitos (meus e dos outros) não é vergonha nenhuma, senhor padre. Sua igreja sempre tentou vender essa imagem, de que os cordeiros de Deus devem mugir somente quando o padre deixar, e serem tangidos para onde a igreja quiser ou for do interesse dela. O senhor não vai conseguir me fazer sentir envergonhada de lutar pelos meus direitos e da minha família. Direito de morar num bairro decente, sem poluição, sem sujeira, sem perigos.
O senhor sabe que a questão não é de empregos. O senhor sabe que os empregos podem ser construídos no local adequado. O senhor sabe porque a Fortesolo não quer construir no porto e sim na entrada da cidade. Porque o senhor e o prefeito não querem contar isso para a população? Eu quero saber. Eu TENHO O DIREITO ASSEGURADO EM LEI DE SABER. A Lei 20/2008 me assegura esse direito.
O senhor jogou fumaça nos olhos dos rapazes fortões convidados a lhe aplaudir. Não ouviu, ou fingiu não ouvir a fala da AMBB. Nossa fala pedia a legalidade do processo. Não dissemos, em nenhum momento que somos contra os empregos. PORQUE ESSES EMPREGOS TEM QUE SER CONSTRUÍDOS NOS BAIRROS POPULOSOS, NA ENTRADA DA CIDADE? Nem o senhor, nem a Câmara, nem o prefeito respondem a essa pergunta.
Por fim, senhor@s todos envolvidos nessa grande trapaça, asseguro que não vou parar de lutar. Lutar não é vergonha. Vou combater o bom combate, como fizeram meus pais e como a minha família, da qual muito me orgulho, sempre fez.
Que Deus se compadece da alma do padre. Ou não (como diria aquele velho compositor baiano).
Por Amigos do Jekiti
Os que leram minha postagem sabem que não sou a favor do atual plano diretor, no que tange ao uso e ocupação do solo para fins industriais e muito menos este que foi votado ontem. Não vou aqui explicar os motivos pelos quais da minha contrariedade para não perder o fio da meada sobre o que acho a respeito dessa manipulação canônica sobre o povo de Antonina.
Sou antoninense e sei como pensa sua sociedade, principalmente a sua postura de rebanho. Já escrevi sobre o laicismo do estado e o hino de Antonina que invoca a padroeira como única protetora da cidade, já escrevi do absurdo que é a Mitra querer fechar o restaurante Bulganvill para doutrinar as crianças capelistas e outras coisitas mas sobre a posição desagregadora da igreja em relação aos homossexuais. Mas quem sou eu para mudar os ditames da igreja e a postura de rebanho dos seus fiéis.
De tudo que li o que mais me espantou foi a posição da representante do PT na votação, direta ou diretamente, apoiando os interesses da empresa com a qual a “rádio do padre” tem relações comerciais. Que tudo é uma questão financeira, eu não duvido, e agora concluo que há por trás de tudo isso um interesse eleitoral. Se o PT pretende receber apoio do atraso e através dele fazer seu trampolim eleitoral, que o faça, embora entenda que na política o pragmatismo seja uma arma importante para qualquer projeto de poder. Como não sou político, nem filiado partidário e muito menos ‘dizimista’ adestrado, sinto-me livre para opinar e espinafrar (com respeito) qualquer vinculo nefasto na política.
O que me intriga também é a posição da maioria dos blogs de Antonina, cuja relação com a comunidade se limita a espinafrar a administração sem jamais se posicionar (contra ou favor) sobre as questões que envolvem o posicionamento do líder católico em relação às causas mais prementes daqueles que ficam a margem da "proteção divina", como os homossexuais e o fechamento do Bulganville.
Vontado a "vaca fria", como diz a Sonia, reputo essa cumplicidade da representante do PT com o atraso, mero interesse eleitoreiro, como se Antonina fosse obrigada beijar a cruz e pedir a benção para continuar sua sina de cidade decadente.
Não vou mais perder meu precioso tempo com essa história e muito menos me indignar com as manobras feitas no breu das docas das instituições antoninenses. Deixo a decisão para o povo e que ele seja sábio na hora de botar seu voto nas urnas e seu dízimo na sacolinha.