"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O SEPULCRO CAIADO

Quem vive o drama do crack sabe muito bem que os desdobramentos são desastrosos, não só para o dependente, como também para a sua família. Seu crescente consumo se deve ao baixíssimo percentual de usuários que conseguem superar o vício, devido a ineficiente política de saúde pública e a estéril atuação do judiciário. De uma maneira geral tanto a saúde como a segurança pública ainda não entenderam que uma instituição depende da outra e para que o tráfego seja combatido e o usuário tratado é preciso que haja ações coordenadas.
A situação do usuário ainda é mais difícil porque não há um entendimento por parte das autoridades sobre as formas viáveis de tratar a dependência. O choque está justamente na divergência que há entre os que concordam com a internação involuntária, nos casos em que a pessoa viva em eminente risco social, e aqueles que discordam por conta dos preceitos constitucionais de direito à liberdade e à autonomia do indivíduo.
Não posso negar que ambas as situações estão corretas, mas ao analisar a realidade tenho que admitir que a internação compulsória possa ser a saída, desde que haja um critério rígido por parte da autoridade de saúde, pelo ministério público e agente de segurança. A melhor maneira de combater o tráfego é justamente tirar das ruas aqueles dependentes que mais necessitam da droga, ou seja: aqueles que perderam a noção da realidade, da afetividade, que comentem delitos e que vivem em permanente risco social.
Nesses casos cabe ao Estado tomar o lugar da família e esse responsabilizar pela guarda do dependente, obrigando-o a passar por um tratamento que lhe garanta a recuperação e a sua reinserção social. É de fundamental importância que as autoridades e atuais candidatos tenham essa percepção e se preocupem com medidas efetivas para essa chaga social chamada crack, seja combatida com a presença do Estado e suas políticas públicas.
Minha proposta para esse mal é a necessidade de se montar um conselho antidrogas, formado por profissionais que comporão o quadro do CAPS, juntamente com o Ministério Público e Segurança. Esse conselho terá a incumbência de acompanhar, avaliar e decidir sobre a internação compulsória do usuário, desde que os pais provem, através de relatos e parecer psiquiátrico que o usuário vive em permanente estado de risco social. É óbvio que o problema está na falta de clínicas especializas em Antonina, mas o CAPS ou o novo hospital poderia ser readequado e nele criado uma ala para os casos mais graves.
O que as autoridades precisam entender que a luta contra tráfego requer ações coordenadas e estas devem seguir a lógica de que se não houver consumo não haverá o tráfico. Para isso acontecer é preciso que os usuários mais graves sejam tirados das ruas e tratados, pois são eles que mantêm o sistema. Naturalmente o conselho será o gestor desses casos, acompanhando e avaliando, conforme as diretrizes dos vários programas governamentais antidrogas.
É preciso que mudemos o foco e coloquemos o problema nas mãos do Estado como condutor das políticas antidrogas. Digo isso porque as famílias não têm meios de assumir sozinha a questão, devido à impossibilidade que têm de arbitrar os conflitos gerados pelo uso abusivo do crack.
É de suma importância que coloquemos essas questões sobre as mesas para que as autoridades e candidatos se debrucem sobre elas e tomem medidas concretas para que a Antonina dos cartões postais, não seja esse sepulcro caiado, que por fora é bela e hospitaleira, mas que guarda em suas entranhas toda a imundície gerada pela decomposição moral e ética daqueles que vivem o drama das drogas.

12 comentários:

Anônimo disse...

antes de ler o artigo, pensei que o titulo 'sepulcros caiados', tanto quanto 'velhas roupas desbotadas' se referisse à situação política que se configura na camapnha eleitoral, que quem presta de verdade não tem $$$$$$$$$$ para propaganda. Os outros são 'sepulcros caiados'.....

Anônimo disse...

Chegar um Antonina virou uma corrida de obstáculos. O número de lombadas é exagerado, com tres lugares em que a pista é única.
Tres, sim, que até a prefeitura achou a idéia 'interessante' e resolveu também 'colaborar' na incomodação dos transeuntes, ali perto do hospital, no lugar em que espetou trilhos no meio da rua.....
/aliás, alguém da prefeitura poderia esclarecer que geringonça que vai sair ali?
Ao que tudo indica, a prefeitura quer porque quer emendar a fm e a tp por ali.... A quem isso interessa, QUE ISSO NÃO TIRA COISA NENHUMA OS CAMINHOES DO CENTRO DA CIDADE????? Só facilita a vida da soloforte, "grande amiga da prefeitura"....
....................
Enquanto isso, o turismo.... oh... olhe pelo 'binoculo de alcance' que pro turismo NADA. Tanto é assim que a INTERDIÇÃO DA GRACIOSA JÁ VAI PRA MAIS DE UM ANO e a verdadeira estrada turistica que chegava até aqui, agora é de uso exclusivo de morretes..... Merecemos.... mais, muito mais da mesma coisa........

Anônimo disse...

A estação rodoviária de Antonina não tem nenhuma estética arquitetônica. É verdadeiro DESPEJO DE GENTE..... Não querendo comparar, mas comparando:- a de morretes pode ser simples, mas aquele MADEIRAMENTO ENCANTA!!!!

Anônimo disse...

Senhores candidatos a político:- não esperem CAMA E MESA, que o povo já tá comprando pra voces ENXADA E PICARETA. chega de 'VIDA BOA' na prefeitura e na cv....

.................
NADA DE "CURSO" NAS PRAIAS DE FLORIANÓPOLIS, HEIN, SEUS ESPERTINHOS!!!! CURSO COM O DINHEIRO DO POVO!!!! (se quiserem ver pernas bonitas e b... gostosas, vejam aqui mesmo, que tem bastante, seus 'abnegados' malandros!!!)

Sargento Jaime disse...

Henrique, bela matéria, realmente precisamos de políticas públicas, voltadas a prevenção de um dos males da sociedade moderna, o crack. Somente com ações integradas de: prevenção, recuperação e reinserção social é que poderemos minimizar as consequências da droga.

Professor indignado disse...

Muitos pais e mães antoninenses confundem educação com escola, professor não educa, professor passa conhecimentos. Quem educa e passa cultura são os pais, ocorre que é mais fácil culpar os professores quando os seus filhos(as) incorrem em desvio de conduta, esquecem eles que os limites para os seus filhos(as) quem dão são eles. È muito fácil ligar a televisão e esquecer o que os seus filhos estão fazendo, com quem estão andando, quais ambientes estão frequentando, se chegam diferentes do que são nas suas casas. pex. cheirando a álcool, agressivos, ficam o dia inteiro prostados na cama, s~e são vampiros pois só saiam a noite...o que adianta um política social, se os pais e mães antoninenses não participam? O como dar tiro n'agua.

Anônimo disse...

Vcs já ouviram falar em 'direito difuso' é o que as autoridades devem aplicar ou responsabilização dos pais desses adolescentes em desvios de condutas.

Anônimo disse...

Pois é... tenho observado que as familias nao sao mais como antigamente,muitas separaçoes de casais,hj em dia nem casamento vc ve nas igrejas,muitas adolescentes ficando gravidas ,apesar das muitas informaçoes na midia e meios de se evita-las,na minha familia tbm aconteceu,minha vizinha por ex ,tem, 5 filhos de 3 "casamentos" o filho mais velho e revoltado e usuario de drogas e vive agredindo a mae.em nosso país sem educaçao e muita liberdade deu nisso ...pergunto : quem sao os principais usuarios de drogas nesse país? a classe A B C D ?

Anônimo disse...

cacilda.... o 'profêssÔ' aí de cima, hein??? que fora, meu deus do céu!
- seu professô cê sabia de 'educar' vem do verbo "duco-ducis-ducere-duxi-ductum" que significa CONDUZIR?
- o 'conhecimento' que o senhor transmite, não CONDUZ a lugar nenhum???
- CACILDA!!! e o cara, com essa, ou "despois" dessa inda diz "qui ganha poco"....
Cacilda, deusa das coisas tortas, vá 'insiná' esse 'professô' um 'porquinho de pedagogia.....'
- Não! paudagogia, não!, qui nisso, pelo geitão dele, já deve ser é 'dotÔ'.....
Ah, 'despois' dessa, nem Sto Expedito, padroeiro das causas perdidas, "resorve".....

Anônimo disse...

l7:10 - Seu manifestante desse horário, use mais o "SANTO E SABIO GOOGLE" - coloque lá a 'pregunta"
- O qui é 'dereito difuso?
C'oa resposta, ocê vai vê qui deu o maior fora, e tentô implacá um 'gol' chutando na bandeira do escanteiro.

Anônimo disse...

pois é ... so falam dos traficantes de drogas,mas os verdadeiros culpados sao os usuarios ( viciados)eles sobem os morros com seus carros a procura da droga,eu nao tenho nenhum familiar ,parente ou amigos que se envolveram com drogas ,seria sorte ? nao educação e bom carater... os viciados e que movimentam esses bi,trilhoes de dolares no mundo...obs:nao somos evangelicos e afins,gosto de futebol,carnaval,mulheres tudo e de maneira moderada...

Sonia Nascimento disse...

Querido amigo, veja o programa do governo federal, que enfrenta o crack, agrupando pais, governo, sociedade, numa rede para combater um mal que nos parece indestrutível, mas que não é. Beijos.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento