"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

OS HINOS DE ANTONINA E O SECULARISMO DO ESTADO

Entendo os que dizem que a tutela da padroeira na letra dos Hinos de Antonina tem relação com suas raízes históricas. É perfeitamente compreensível o argumento, mas eu não posso deixar de reconhecer que entra em choque com o secularismo no Brasil. Se olharmos por esse ângulo, também devemos levar em conta que em nossas raízes históricas há o pelourinho como símbolo de justiça, a escravidão, os saques de forasteiros, evasão de riquezas naturais, a perseguição aos índios carijós e outras mazelas contextualizadas em nossa história tão recente.
No meu ponto de vista os hinos comentem um erro histórico, pois foram feitos depois da implantação do Estado laico, por Marechal Deodoro, e também de expressão, pois se referem a um único símbolo religioso. Lembro muito bem, nos tempos do Brasílio Machado, o hino ser cantado antes da entrada das aulas, inclusive pelos não católicos, fato este que até hoje eu não sei se por constragimento ou por considerá-lo como uma raiz histórica. Claro que entendo que a intenção dos autores não foi segregar as outras religiões e muito menos afrontar o Estado, talvez apenas quiseram homenagear a cidade de acordo com seus simbolismos e crença.
Se analisarmos pela ótica do laicismo do Estado, chegaremos a conclusão que o Brasil, desde a implantação da República, não vive sob a égide de uma religião oficial, embora reconheça que naqueles tempos a religião católica e o Estado tinham uma relação bem próxima. Nos dias de hoje essa relação mudou, devido à ascensão das Igrejas Evangélicas e seus desdobramentos políticos, sociais e educacionais são muito fortes.
A influência evangélica não se limita apenas aos seus fiéis e sim se estende por muitos segmentos organizados do país, entre os quais a radiodifusão e TVs, e fortemente no Congresso Nacional. Embora a lei garanta a imparcialidade e neutralidade do Estado, em relação às religiões, essa separação, de fato, não condiz com a realidade, haja vista as pressões que as Igrejas cristãs fazem sobre os governos quando o assunto foge de suas convicções religiosas. No caso do aborto as Igrejas consideram que desde o ato da concepção há vida, porém, criticam o Estado de tratá-lo como um caso de saúde pública. No caso dos homossexuais, a Igreja também condena acesso pleno aos direitos civis, mas se esquece que qualquer cidadão, mesmo dentro de uma relação homoafetiva, deve ter seus direitos garantidos pelo Estado.
Recetemente uma manifestação cristã contou com milhares de fiéis em Brasília, todos protestando contra o projeto de lei da senadora Marta Suplicy, que criminaliza a homofobia. Pastores e padres uniram-se não só no palanque, como também em longos horários televisivos, cujos espaços são vendidos às Igrejas pelas TVs abertas por uma fortuna. Ora, se a constituição garante a neutralidade do Estado em relação às religiões, como permitir que uma concessão pública sirva como instrumento do proselitismo religioso? A liberdade religiosa e de expressão são garantias constitucionais, desde que não entrem em choque com o que determina a legislação, e como de fato essa relação não é seguida, deve o Estado regulamentar o assunto.
Voltando à questão dos hinos, quero deixar bem claro que não é pela multiplicidade religiosa antoninense que considero os hinos de Antonina um equívoco. Quero sim, discordar do seu cunho religioso – no caso católico -, pela simples razão que a secularidade deve ser não só de direito, como também de fato, e assim garantir a isonomia entre o Estado e a Igreja.
O que precisamos considerar que tudo isso não passa apenas pela questão legal e sim pelo aperfeiçoamente da cidadania e, no meu ponto de vista, nenhum gabinete, repartição pública deve exibir símbolos religiosos - e aí incluo os hinos -, pois o Estado não só deve proteger e acolher todas as religiões, como também àqueles que não seguem nenhuma delas.

16 comentários:

Anônimo disse...

Caro Luis. Você quer dizer que tem que ser tirado a parte em que fala da Nossa senhora do Pilar do Hino de Antonina, e tudo que se refere a Igreja Católica?. Será que eu entendi errado?. Já ouvi um certo Intelectual falando disso nas esquinas.Não sei não hem, o bicho vai pegar.

Anônimo disse...

Intelectual em Antonina??????

quá quá quá

Anônimo disse...

N. Sra. deve ser respeitada. Do Pilar, do Rocio, da Luz, Aparecida, etc. são os diversos nomes que o povo encontrava para designar a mãe de Jesus. Alguns vão dizer: ela não foi salva, não tá na Biblia, etc. Meu computador não está na Biblia e existe, meu celular não está na bíblia e é real. Só eu é que não tenho mais salvação. Aleluia...

Anônimo disse...

aiiiiiiii
uiiiiiiiiiii
essa pegou no saco do padre-dona-priscila e como ele manda mais que o prefeito ele vai mandar derrubar o jikiti

Márcia disse...

Gostaria que ficasse claro de que Maria, a mãe de Jesus é tida, para os evangélicos, como a mulher mais abençoada do mundo, a escolhida de Deus para gerar e dar a Luz a Jesus Cristo. É realmente bendita entre as mulheres e com toda a certeza, está junto de Cristo. Um hino que mencionasse esta grande mulher de ter tido esse privilégio, com certeza, em nada se oporiam os evangélicos. O que não se concorda é que ela ou qualquer outro, sejam mediadores entre Deus e os Homens, senão Jesus Cristo. Portanto, quando se canta um hino que diz "sob a tutela divida da Senhora do Pilar", o evangélico e tantas outras denominações, até o ateu que nem nela acredita, estariam cantando sobre o que não acreditam e desta forma, hipócritas, ou teriam que se calar, como diz o texto de Luiz Henrique. Ouvi comentários de que se deveria cantar apenas "de boca", mas para os evangélicos, é fundamental a passagem bíblica que diz que o importante não é o que entra na boca do homem, mas o que sai, ou seja, as palavras. Ora, tanto os católicos, como os praticantes das demais religiões são antoninenses e precisam cantar o hino de Antonina com o mesmo amor que se canta o do Paraná e o do Brasil, nos quais não se está embutida qualquer religiosidade!

Anônimo disse...

Ação do Ministério Público Federal que pede a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo.
Sobre a decisão de retirarem a Cruz dos lugares públicos.



Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.

Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP

Anônimo disse...

Nooooooooosa o Frade Demetrius está brabo, mas não está errado.

Anônimo disse...

Os dirigentes dos sem terra tão cobrando pela cesta básica distribuída.
????
Tão cobrando ágio pra distribuir.... quem paga é quem recebe a cesta.
VAAAGABUUUNDOS, RABOS DE SAIA DO PT.

Sonia Nascimento disse...

Luis, o anônimo aí de cima tirou essa notícia de onde? Cadê os fatos, as provas? Também não é de se esperar que um anônimo prove o que fala (ou escreve), né não?
Sonia Nascimento (para o caso de não sair meu nome, os deuses me livrem de ser uma anônima).

Anônimo disse...

Para a Sônia:

"chefe dos sem terra surripia até cesta básica de assentados" - (pág. 87 - veja de 22 de junho de 2011)

O Jekiti vai dizer que é mentira. (Só acredita em meia dúzia de blogs e jornalecos de esquerda. ah, sim, também nos períodicos do reino.....)

Amigos do Jekiti disse...

hahaha...Saiu na séria revista Veja?
Tenha senso crítico, meu caro!

Anônimo disse...

vivemos num mar de merda (cekinel) e as revistas só dizem mentiras. quem sabe, a podridão que acontece dentro do DNIT também é mentira, pra macular a virgindade do PT...

é claro que o jornalixo do PT não vai publicar as sacanagens que estão acontecendo agora....

Anônimo disse...

O pior cego é aquele que não quer ver. Ainda dizem que os correliginários petistas lutam pela justiça. Ora, ora, mesmo vendo o errado, continuam defendendo o senhorio. Acho que são tão cegos e dominados quanto os seus antecessores e o próprio povo...

Anônimo disse...

Tanto lutam pela justiça, que apoiam a atual administração municipal.....(!!!)

Anônimo disse...

Felizmente quando Antonina foi fundada era uma epoca diferente da nossa,que talvez o sr desconheça a Historia

Amigos do Jekiti disse...

Não desconheço a história e sei que os hinos antoninenses não foram compostos na época do descobrimento. Se analisarmos a história, veremos que o pelourinho faz parte da nossa cultural, e nem por isso somos a favor.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento