"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Caso BBB, o machismo triunfante e a regulação da mídia

Copiei do Blog Ornitorrinco, do amigo Paulo, o indispensável texto sobre o susposto estupro no BBB
A novela BBB chegou ao fim, ao menos para a minha pessoa. Monique alegou que não sofreu abuso ou estupro, que estava consciente. Fez isso após quatro horas de conversa com a produção e uma hora e meia de depoimento. Fez isso após ser jogada para lá e para cá sem saber direito o que se passava por dois longos dias em que a Globo fez contorcionismo para fingir que nada havia ocorrido, sem lembrar direito do que fez ou não fez, sem poder ver o que havia feito, ou não. Fez isso na companhia de advogados da Globo, e não dela. Que cada um tire suas próprias conclusões, eu tenho cá as minhas.
O caso agora está nas mãos da polícia civil e ministério público do Rio de Janeiro, além do Ministério Público Federal - SP que abriu procedimentos para apurar violação dos direitos da mulher no infeliz programa. Também o Ministério das Comunicações solicitou as gravações à emissora e a Secretaria de políticas para mulheres acompanha o caso.
Os argumentos com os quais tive que me deparar, para variar, transformaram Monique em, no mínimo, "provocadora" do ocorrido. É bastante comum que num circo destes a vítima de um abuso acabe por negar o acontecido por vergonha, medo, principalmente pela forma como foi exposta ao país inteiro como co-responsável pela estupidez que a rede Globo de Televisão deixou que passasse. Talvez tenha falado mais alto o desejo de fama e de dinheiro que afinal é o que leva as pessoas ao programa em questão.
O machismo impera, sorridente, olha pra mim e diz: "viu? Eu disse". É, disse. A TV diz todos os dias, implicita ou explicitamente que nós mulheres é que causamos esta violência toda. E dá-lhe bunda pra lá, silicone pra cá, rainha da beleza, corpo escultural, objeto de desejo. Lugar da violência, como já escrevi e não repetirei.
Então, no pano de fundo, além do machismo que impera e aponta Monique como "a piranha que sabia muito bem o que estava fazendo", mesmo com toda a confusão explícita por parte da moça, em suas manifestações a respeito do que rolou no quarto com Daniel; repousa a regulação da mídia, ou melhor, a falta dela. Não há limites para o desrespeito da Globo com os direitos das pessoas. E não há limite legal que possa ser acionado, porque não há regulação de mídia.
E regulação de mídia não é censura, assim como classificação etária também não é e já está na mira das emissoras para ser derrubada, mas cada vez que se tenta erguer a bandeira da regulação (prevista pela constituição) no Brasil, os justiceiros gritam "censura" e infelizmente não temos o mesmo espaço que eles para colocar nosso contraponto. Temos a rede, mas a rede alcança meros 25% da população, descontando aí a parcela que a utiliza apenas nos grandes portais, pertencentes à mesma mídia. Complicado.
Mas quem tiver acesso, quem está assistindo aos desnudamentos que as redes sociais tem causado à grande mídia, movimento crescente nos últimos anos e principalmente depois das eleições presidenciais de 2010, quem começa a perceber aqui e ali que a grande mídia só faz prejudicar pessoas e inteligências, seja com sua programação pífia, que despreza a riqueza de nossa cultura e decreta que rimas pobres e baixaria é do que gosta "o povo", seja no seu jornalismo parcial que acusa (gratuitamente ou não) a uns e esconde a sujeira de outros, quem percebe precisa tomar as rédeas deste bem precioso que é a comunicação e se unir aos que já batalham por pluralidade de informação e responsabilidade jornalística em nosso país.
Pequenas ações contribuem, desde produzir informação através de blogs, twitter até apenas compartilhar com quem não tem acesso um outro mundo além daquele editado pelas emissoras de televisão. Um mundo de artistas ricos, grandiosos, de músicos talentosos que, perdoem-me, fariam Michel Teló permanecer anônimo ou então o incentivariam a ir além do "ai, se eu te pego". Não, não sou intelectual e não exijo eruditismo em tempo integral. Mas há poesia na simplicidade, basta lembrar de Cartola, Gonzaguinha, Riachão, entre tantos outros que opa! Você sabe quem são? Conhece suas obras? Não. Mas você deve estar por dentro de todos os hits putanheiros da atualidade.
E se tivéssemos, neste país enorme e de grandes contrastes, mais de 5 emissoras de TV aberta (fora as 215165148 TV's religiosas a explorar a miséria humana), se tivéssemos programação regional, se tivéssemos acesso ao mundo real do povo, poderíamos escolher livremente entre uma bobajada e uma poesia, entre um jornalismo grotesco e sensacionalista e um jornalismo sério. Mas pense bem, não temos esta opção. Resta-nos desligar a TV, mas isso também não será a solução, o ser humano quer se ver, quer se refletir, que comunicar e ser comunicado.
E como só a baixaria e a degradação tem dado Ibope, é o que as pessoas (re) produzirão. A discussão vai fundo nas raízes da nossa sociedade doente, mas isto é conversa para uma outra ocasião. Por hoje, desligo a TV ofendida em minha condição de mulher numa sociedade machista e cínica, porém também me sinto orgulhosa. Não engulo mais isso, e sei que aos poucos, muita gente também não vai mais engolir. Talvez não leve tanto tempo assim quanto a gente imagine, já que as emissoras tem tido que rebolar para dar respostas aos questionamentos que nascem na rede. E enquanto isso, eu vou encher o seu saco.

9 comentários:

Anônimo disse...

machismo triunfante:- parece que a femea triunfante 'se abriu pro sucesso e pra exibiçao pública'... coitadinha!!!!

o fato é que o BBB está em decadência. precisavam fazer algo pra 'chaqualhar a mangueira' e recobrar ibop e lucros de venda do sistema.... É 'DANDO QUE SE RECEBE', NÃO É ASSIM??? Ela deu.... (.... quanto é que os dois ganharam pra entrar nessa jogada???)

Anônimo disse...

ANA PAULA PADRÃO falou:-

".... Leio os artigos do Luiz Felipe Pondé toda semana. Adoro. Principalmente quando ele alfineta as feministas. Que estão tão fora de moda quanto o próprio machismo. Gostei quando ele disse que uma das formas mais profundas de amar uma mulher é fazer dela um objeto. Ponto pra voce, Pondé. Vamos confessar, meninas, ser objeto é uma delícia! E, se no dia seguinte o tigrão puder dar uma força com as crianças no colégio e com as compras do supermercado porque eu tenho cinco reunião seguidas com clientes e quatro relatorios para terminar, melhor ainda! E, se antes de me arrastar pelos cabelos ele puder bater um papinho sobre a irresponsabilidade fiscal desse governo, manched]te de um dos jornais do dia, aí pe perfeito. E Pondé, aquele objeto submisso e feliz na horizontal tem uma agenda própria na vertical. E, se tem alguém confuso com essa situação, não nos aponte o dedo. Pronto, falei! Bom Natal a todos!
(ISTO É DE 28/12/2011 - núm. 2198 - - pág. 114)

Taí, machões, puxem pelos cabelos que elas gostam!!!

Anônimo disse...

Não sei o porquê de tanta celeuma: já no século passado, a famosissima sexóloga do PT,- MARTA SUPLICY, tinha decretado:- '... RELAXA E GOZA MULHERADA' !!!! (foi o que 'ela' fez e depois vieram c'oessa historia de inconsciência e estupro. kkkkkk!!!!!!)

Anônimo disse...

Essa Marta Suplicy parece que não perdeu tempo. Largou o maridão escangalhado pra se juntar a um belo dum gato, com fôlego pras 'ginásticas horizontais'...

Quem logo logo vai entrar nessa pua é o ..... Paulo Bernardo....

Anônimo disse...

RUTH DE AQUINO assim falou:

O que aconteceu com Daniel, do BBB, me pareceu exemplar e simbólico. Antes mesmo de se ouvir MONIQUE, a moça que contracenou com ele as carícias explosivas sob o edredom, a sociedade já condenara o homem. Foi estupro. Foi abuso. Ouvi mulheres indignadas com os comentários dos machistas de plantão: ela pediu, ela estava de sainha, ela o espicaçou. Sempre existirão os ignorantes que acham que uma mulher atraente e sensual pede para ser abusada. Mas ainda assim eume perguntava: quem disse que a moça sofreu abuso? Ah, ela estva bênbada e não podia discernir o que fazia. (.....) Machismo meu: Ou vontade de NÃO INFANTILIZAR AS MULHERES E NÃO DEMONIZAR OS HOMENS ???? A ira prematura contra Daniel desabou quando Monique declarou que tudo foi CONSENTIDO(....)

Ruth de Aquino é colunista de ÉPOCA - (por sinal, um T... de mulher....)
ÉPOCA - de 23/01/2012 - pág. 114 nº 714 -

PAULO R. CEQUINEL disse...

A minha dúvida é se anônimo começa com "H" ou com "I" e se termina ou não com til.

Anônimo disse...

O mantega que se cuide também, que a mulher dele é uma 'bela máquina'

Anônimo disse...

Paulo Roberto Cequinel:- as idéias carecem de contraponto. Assim, este blog fica mais completo e colorido. V., por exemplo é um contraponto, não há dúvida. Os anônimos são contraponto....
O dono do blog, se não quisesse as coisas ordenadas dessa maneira, já teria mudado a sistemática de implantação de mensagens, pois os demais blogs que aceitam os anônimos, recolhem os comentários para 'aprovação', ou seja algo muito nefando que o PT quis introduzir na imprensa brasileira:- A CENSURA.

Compreende-se, entretanto, que o dono de um blog, por razões óbvias, adote esse sistema....

Por isso, Paulo Roberto Cequinel, não se esqueça de continuar plantando os seus montes de 'm....'

Anônimo disse...

as imagens não foram passadas na tv aberta. pois é. nunca vi ninguém 'meter o pau' nos canais 'adultos', só de sacanagem, das tvs via satélite....


sociedade esquisita a nossa.... se fosse um homicídio ao vivo, teria sido repetido dúzias de vezes, até na tv aberta, até para as criancinhas verem.

conclusão:- mesmo os que se dizem ateus, não se livram dos desdobramentos da moral religiosa ocidental:- o prazer é pecaminoso; a violência, como não é prazer, pode ser exibida explicitamente....

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento