"Monocrômica, anacrônica, atraente, arcaica Antonina, não amo-te ao meio, amo-te à maneira inteira."
Edson Negromonte.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

O LUTO NOSTÁLGICO

Li um comentário tempos atrás que afirma que os cidadãos que estão entre os cinquenta e sessenta anos são os responsáveis pela decadência econômica de Antonina. Se analisarmos a fundo o comentarista tem, em parte, razão, mas isso precisa ser contextualizado.
Talvez nossa geração tenha feito pouco por Antonina, mas essa falta de engajamento não foi por desinteresse ou pouca visão, e sim porque muitos jovens precisaram buscar outras perspectivas. É certo que os fracassos do milagre econômico levaram o país a uma crise sem precedentes, por conta da alta do petróleo, que, naturalmente, atingiu Antonina e desmantelou as Indústrias Matarazzo e em seguida o Porto. Quem em Antonina, nos anos sessenta, teria imaginado que essas duas instituições desmoronariam como dois castelos de cartas e disseminariam uma reação em cadeia que atingiria o comércio e a economia antoninense? Naturalmente ninguém apostaria nelas, pois antes dessa crise a maioria dos chefes de família trabalhava em uma dessas empresas, enquanto a sua elite, acostumada com as utopias, desfilava pelos salões dos clubes suas abundâncias, sem imaginar que o sonho do capitalismo a deixaria sem segurança e estabilidade.
Quando a inevitável crise se instalou tudo desabou e sua elite e seus trabalhadores tornaram-se genuínos representantes de uma cultural nostálgica que nos deixou de herança uma arrogância sem autoestima. Essa crise obrigou os filhos desses trabalhores deixarem seus projetos educacionais para irem à busca de oportunidades em cidades que lhes ofereceriam melhores condições de vida. Muitos conseguiram, mas outros, por não consiliarem estudo com trabalho, acabaram retornando e encararam a crise vestido com o luto da nostalgia.
Essa característica tornou-se a sina antoninense, sorvedouro que nos impediu de enxergar o futuro e dar um sentido às nossas aspirações. Esse luto nostálgico desencadeou nossa tão conhecida autofagia, que nos transformou num povo individualista e refém do cinismo hipócrita da doutrinação religiosa e política.
A questão crucial é saber de que forma iremos interpretar nosso colapso social e fazer dele um meio de nos entusiasmarmos com uma nova concepção política e cultural que nos permita enxergar nossas potencialidades como meio de crescermos como sociedade.
Em primeiro lugar deveríamos esquecer nosso passado utópico e apenas tomá-lo como referência se conseguirmos nos manter fiéis àqueles princípios desenvolvimentistas, ou seja, trocarmos o atual canibalismo político, nosso autofagismo predatório e nossa alienante doutrinação pela fé, por ações subjacentes voltadas à educação formal e profissionalizante, em conjunto com uma política de trabalho e emprego, através de proposições atraentes para que novas indústrias se instalem em Antonina.
Essas medidas nada mais são que um olhar para o nosso passado desenvolvimentista e voltá-lo para as nossas potencialidades naturais, ou seja, para a nossa tradição portuária e industrial e vocação para o turismo e as artes, das quais forjamos a nossa verdadeira identidade. Embora o dinamismo dos dias de hoje possa nos levar para outros caminhos, como a intensificação do consumo de bens e serviços, eu não vejo como possamos nos distanciar dessas culturas, porque para o consumo é preciso, em primeiro lugar, ter renda.
Logicamente o que está escrito acima é uma propositura filosófica que tem como base nossas tradições e tendências, mas é imprescindíveis que não a confundamos com os nossos vícios pretéritos, os quais nos levaram a estagnação e desesperança, impondo-nos a vestimentas da víuvez eterna.
Para muitos talvez tudo isso não passe de delírio utópico e ainda nos impulsione para sermos uma sociedade sem referências. Mas o que proponho nada mais é que uma emacipação desse luto nostálgico que nos levou ao vício e nos deixou de legado essa vitimização no presente, por acharmos que no passado está a última fronteira da nossa feliciade.
Portanto, é preciso que aqueles jovens que, de uma forma ou de outra, saíram de Antonina para buscar suas oportunidades e as alcançaram, ajudem a pagar essa dívida pretérita, olhando para as nossas potencialidades e fazendo delas a remição daqueles que ficaram  e vivem até hoje guardados na viuvez do seu luto nostálgico.

10 comentários:

Antonio disse...

Editor pensei muito sobre o seu texto e, encontrei um pouco da nossa realidade, nessa música do Boca Livre, como mudar a cabeça dessas pessoas da "sala de jantar"?

Eis o problema, minto eis a solução.


http://www.kboing.com.br/playlist/1-1051664_42567_1049982_42568/

Amigos do Jekiti disse...

Vc se refere a canção Panis et circenses... "as pessoas na sala de jantar só pensam e viver e morrer"
Grande sucesso dos Mutantes.
Muito pertinente!

Henrique Dias disse...

O QUE NÃO SAI NA GLOBO:
O nível de pobreza no Brasil diminuiu 36,5% desde 2003 graças a ampliações de planos sociais e progressivos aumentos do salário mínimo, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo escritório local da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
"A redução da pobreza entre os trabalhadores está associada diretamente ao aumento real dos rendimentos do trabalho, à ampliação da cobertura dos programas de distribuição de renda e ao aumento da taxa de ocupação, sobretudo na área do trabalho formal", indica o estudo divulgado pela organização.
Os dados da OIT coincidem, em linhas gerais, com os do Governo Federal, e apontam que a redução da pobreza em 36,5% favoreceu 27,9 milhões de pessoas, que passaram a fazer parte das camadas mais baixas das classes médias.

Amigos do Jekiti disse...

pertinente intervenção, amigo Henrique.
Quanto mais a pobreza diminui mais Antonina vota no atraso.
abraço

Antonio disse...

Penso que o Imperador atual de Antonina, tentou a sua remição, mas....

O IMPERADOR DE ANTONINA NÃO LEU CONFÚCIO.


Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.
Confúcio




Chupei(epa...!) lá do blog do vereador presidente esse texto, o nome do texto está abaixo, dou-me o direito de no seu final por o sinal de ????? e não de ponto final.

Pior é falar sem saber o que aconteceu de verdade.

(...)

Não havia razões para as coisas chegarem ao ponto que chegaram, pois não havia razões para isso. Sinceramente não sei o que foi passado à maioria das pessoas, mas quanto a mim sabia pessoalmente tudo o que estava para acontecer. E chegou o momento em que era matar ou morrer e aí meu irmão, quero ver quem é que não pensa em salvar sua pele em primeiro lugar
(...)


Você pagou com traição...

Rejeitada pela sociedade, a traição na política é aceita como uma arma estratégica para garantir a sobrevivência do mais forte.


No ano de 44 (a.C.), o imperador romano Júlio César foi advertido por um vidente de que não viveria até o final dos "idos de março". De fato, César terminou traído por uma conspiração que envolvia 60 senadores, inclusive seu filho adotivo, Marcus Brutus, e foi assassinado a facadas. Mais de dois mil anos depois – guardadas as devidas proporções – a situação vivida por César se adapta aos "idos de junho" do PT/PSD em Antonina. A palavra "traição" está na boca de supostos aliados, e o cenário é de partidos divididos e autofágicos, onde a acirrada rivalidade entre grupos internos impediu definições importantes. Entre elas, a do nome que disputaria a prefeitura.

Quem seria o Brutus do Imperador Carlus Augustus? A lista inclui figuras como o vereador Marcius Balerus, líder do PSD municipal, que tentou, sem sucesso, colocar o próprio nome como opção para a disputa.. Também estão nela o secretário Zeus Paulus – ex-afilhado político que virou inimigo figadal do imperador Carlus Augustus, dizendo-se traído por ele – e a sacerdotiza do PT Vandas de Pandora, que articulou, em silêncio, o seu nome como alternativa à sucessão do Imperador Carlus Augustus e ainda o governador plenipotênciário Carlous Albertus Rinchas, comandante dessa Frente Popular, que embora aliado administrativo do imperador de Antonina, teria estimulado a postulação de Marcius Balerus, através do Consul Leprevustus. Sem falar em antigos colaboradores do Imperador, como o ex-secretário de Assuntos Aleatórios Dom Rose Luiz De La Múmia em concluio com a sacerdotiza do PT Vandas de Pandora. A trairagem correu solta, que o diga o grande "Chef de Cousine" do Consul dos Pescados, o Helios, o famoso Tutucus.

Fortunato disse...

Luiz lendo todos esses comentários, resolvi também dar um pitaco no seu texto, mas com o intuito de ilustrá-lo.

Antonina teve uma elite - eu prefiro o palíndromo "etile", como já exemplificou o falecido Darcy Ribeiro - predadora, que quando a fonte secou - leia-se as comissárias - Getúlio Vragas estatizou os portos, pois a sonegação(roubalheira)era grande em Antonina, eles se mandaram e foram viver os seus sonhos em outros lugares, só deixando em Antonina os seus belos casarões coloniais.

Quem ficou foram os seus empregados em que não podemos certificá-los como "elite" eu os chamo de "escravos com o olho do dono" e os mesmos vícios dos que foram embora tornou-se memória molecular dos que ficaram, dois exemplos o racismo dissimulado e a exclusão social também dissimulada.

Então, esses vícios se perpetuam, não houve uma evolução na maneira de pensar do antoninense. Então continuamos na mesma balada.


A Lei é Cega, a Justiça é Injusta, a Politica é Corrupta, o Ladrão é Inocente, o Inocente é fora da Lei, o Namorado é o Pedofilo, e o Pedofilo é Invisivel, o Amor agora tem Sexo, a Droga que Mata é Permitida, a Droga que Acalma é Proibida, a Ciencia quer ser Deus, a Guerra é Pela Paz, Mataram a Esperança, Esqueceram da Fé. Socorro o mundo esta um Caos e a Sociedade Antoninense esta Alienada!

Tenho nojo do jeito como as coisas são conduzidas na nossa política. Os caras fazem tudo e qualquer coisa por grana e poder. Prefiro continuar pobre, mas seguir tendo orgulho da minha história. Prefiro não ter o poder de manipular as pessoas a ser um homem desonrado e famoso pela falta de caráter.

Se a política em Antonina é essa grande merda que vemos por aí, a culpa é nossa também. A maioria do povo vota por impulso, por emoção ou por grana. A razão e a perspectiva de um futuro coletivo quase não fazem parte do jogo político, pois todas as decisões que deveriam ser de interesse comum (origem da palavra COMUNIDADE) ficam atreladas aos interesses de grupos isolados e descompromissados aos quais, através do exercício da democracia, nós contemplamos com o cheque em branco do poder. Não sei se adianta pedir, mas eu peço mesmo assim: CONSCIÊNCIA COM URGÊNCIA! Antonina precisa mudar...
--
Αφθονία

Henrique Dias disse...

Pois é amigos, digam-me quem é a Cleópatra da estória. Quero mandar a cobra.

Antonio disse...

A Cleópatra? É a falta do exercício da cidadania do cidadão(a) antoninense. Não mande a sua cobra Henrique, guarde para vc, pois cada antoninense têm a sua, e está sentado nela faz tempo.

Henrique Dias disse...

Agora você me deixou confuso ANTONIO não sei se quero TCHU ou quero TCHA.
Não será este o problema dos Antoninenses? Sei que muitos querem os dois.

Amigos do Jekiti disse...

Na verdade Henrique, o problema não é a cobra e sim o ovo da serpente! Por sinal vcvs me deram uma dica para uma postagem.

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento

O JEKITI NOS ANOS 60 - foto do amigo Eduardo Nascimento